A Universidade Estadual do Paraná (Unespar), campus de União da Vitória, é parceira do II Encontro de Gênero, Feminismos e Políticas Públicas e do V Seminário Regional de Combate à Violência Contra as Mulheres. Os eventos ocorrem entre os dias 22 e 27 de agosto.
De acordo com a organização, o objetivo é promover diálogos em torno das questões que discutam gênero, corpo, sexualidades, políticas ou identidades LGBT, feminismos, masculinidades, violência contra as mulheres e demais temas nos mais variados campos de pesquisa. “Promover a reflexão sobre gênero, feminismos, sobre violência e seu enfrentamento, sobre empoderamento feminino, sobre a desconstrução de estereótipos e discriminações e sobre a necessidade de implantação e efetiva realização de políticas públicas”, pontua Dulceli Tonet, professora de História do campus e uma das organizadoras. “A partir dessas reflexões, instigar que cada vez mais a sociedade se empenhe, se organize, se comprometa para que nossa região não apareça mais entre aquelas que se destacam na violência de gênero.”
Neste ano as edições do Encontro e Seminário têm novidades. Segundo Dulceli o “novo” está na programação e a realização de oficinas no último dia dos eventos, além de uma apresentação de teatro.
Entre as atividades programadas estão a realização do Fórum dos Direitos das Mulheres, apresentações de trabalhos em comunicações orais, mesa-redonda sobre movimentos sociais e sindicais e lançamentos de publicações vinculadas ao projeto de extensão Gênero e Diversidade Sexual. Os inscritos terão a oportunidade de participar de palestras sobre a cultura do estupro, o aborto e questões relacionadas ao universo de lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transgêneros (LGBT).
Os eventos representam a continuidade de um trabalho que tem sido desenvolvido desde 2012 por um grupo de pessoas preocupadas com a construção de uma sociedade mais justa e menos violenta.
Eles são uma iniciativa do Fórum dos Direitos das Mulheres e também contam com o apoio Pró-reitoria de Extensão de Cultural (Proec), da direção do campus de União da Vitória, das Faculdades Integradas do Vale do Iguaçu (Uniguaçu), da APP-Sindicato de União da Vitória, do Coletivo Feminista Mais que Amélias e do Grupo Insurgência Feminista.
Para participar da programação, os interessados podem se inscrever até amanhã, como ouvintes. As orientações para efetivação da inscrição e a programação completa dos eventos estão disponíveis no site rstmaisqueamelias.wix.com/eventos.
Falta estrutura. Falta educação
União da Vitória já chegou a ocupar o ranking das 50 cidades mais violentas para as mulheres no Paraná, em 2012, segundo o Mapa da Violência. Os números de casos de violência doméstica continuam aumentando, mas não são realidade. Se a cidade dispusesse de aparatos necessários para atender as mulheres agredidas os números, sim, poderiam ser diferentes.
A Delegacia da Mulher é um deles. Para Dulce a falta da delegacia das mulheres nos municípios é um agravante, pois muitas deixam de denunciar casos de violência. “Elas permanecem em situações de violência porque não se sentem bem para se dirigir à outra delegacia, são constrangidas ou não consideradas quando procuram por ajuda em locais não preparados para acolhê-las e orientá-las”, dispara.
Ainda para a professora a educação para a não violência é o caminho para a transformação social. “Precisamos refletir e promover ações a esse respeito. O debate sobre gênero nas escolas e em outros espaços é fundamental para isso.”
Outro ponto são as políticas públicas. “Precisamos de políticas públicas efetivas, do funcionamento da delegacia das mulheres e da implementação das medidas descritas na Lei Maria da Penha, como casa de apoio para mulheres e crianças e atendimento psicológico às famílias em situação de violência”, argumenta.
“Como sociedade, precisamos aprender a ter mais empatia, nos colocarmos no lugar uns dos outros para que toda pessoa seja tratada com dignidade. Precisamos desconstruir estereótipos para romper com preconceitos”, completa.
Agende-se
Segunda, 22
19h: Apresentação teatral “Sobrevivi posso contar”, com estudantes do Colégio Germano Wagenführ e direção do professor Cássio Bachmann.
19h30: Conferência de abertura com Cybelle Martins Cardozo sobre Cultura do Estupro.
Terça, 23
19h: Mesa redonda sobre as universidades e o enfrentamento à violência de gênero, composta por Gisele Moura Schnorr e Lucimara Amarantes.
Quarta, 24
9h: A experiência do município de Guarapuava na implantação de políticas para as mulheres, com as palestrantes Eva Schran de Lima, secretária municipal de Políticas Públicas para Mulheres de Guarapuava e Thalyta Buco Forquim, assistente social.
10h: Desigualdades Raciais e de Gênero e a Inclusão das Mulheres Negras na Educação e no Mercado de Trabalho, 30 Anos de História Brasileira, com a palestrante Andréa Aparecida Esteves Mendes, advogada e mestra em Desenvolvimento Regional UNC/Canoinhas.
13h30: Fórum dos Direitos das Mulheres: Troca de experiências entre os municípios da região.
19h: Mulheres LGBT Gênero Feminismos: Sexualidade e Violência, com as palestrantes: Amanda Mantovani da Secretaria de Mulheres da UNE; Carina Silva do Coletivo Municipal dos Direitos LGBT de Guarapuava; Talita Miranda do Coletivo LGBT da JPT e da Comissão da Primeira Parada LGBT de União da Vitória.
Quinta, 24
13h30: Comunicações orais sobre pesquisas acadêmicas e relatos de experiência; ensalamento precisa ser confirmado.
19h: Apresentação “E o mundo vai ver uma flor” de Renata Tavares.
19h30: Mesa Redonda Movimentos Sociais e Sindicais composta por Regina Cruz, presidenta da CUT do Paraná; Samon Noyama, representante da SindiUnespar; Thays Bieberbach, representante do Coletivo Feminista Mais Que Amélias; Lucimara Amarantes, representante da Uniguaçu; Lawrence Estivalet de Mello, Frente Nacional Contra a Escola sem Partido; Ellyng Kenya, Marcha Mundial das Mulheres do Paraná e Lirani Franco, APP-Sindicato Direção Estadual;
Sexta, 25
13h30: Oficina de Cordel para o Empoderamento Feminino – Valkiria Novais Santiago.
19h: no auditório da UNESPAR, palestras com Talita Gonçalves de Medeiros: “O que eu sei, o que eu acho e o que me disseram: diálogos com jovens sobre lesbianidade”; Adriana Fraga Vieira: “Maracangalha Vilarejo das Desocupadas: espaço de prostituição e boemia na região carbonifera catarinense”; Lançamentos do Projeto Gênero e Diversidade Sexual: ações afirmativas para combater a violência: Livro “Gênero, Educação e Sexualidades: reconhecendo diferenças para superar [pré]conceitos”; Cartilha “A vida de Francis”;
Todos os encontros serão na Unespar de União da Vitória.