Por Mariana Honesko

Com a irmã internada há três meses na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) no Hospital São Camilo, Analiz Rothenbucher não pensou duas vezes: sem dinheiro à vista, foi ligando para os amigos e familiares, na intenção de levantar os R$ 1.500 exigidos por uma voz desconhecida, do outro lado da linha telefônica. O telefonema foi feito na quarta, às 15 horas. “Ligaram para o telefone da minha mãe e se identificaram como médico do hospital, dizendo que a minha irmã precisava de uma ressonância urgente, que estava tendo hemorragia interna”, conta.

Analiz, que é funcionária do São Camilo, caiu no golpe. Por sorte, não depositou o dinheiro. Mas quase. “Fiquei desesperada. Fui emprestando, lingando para as pessoas. Eles disseram que tinha que arrumar o quanto antes o dinheiro. A gente quer o bem do paciente e faz de tudo para resolver isso”, justifica. A funcionária só não concluiu o depósito porque resolveu tirar algumas dúvidas com a direção da unidade. Lá, descobriu que nenhuma ligação havia sido feita.
Uma segunda família de paciente da UTI não teve a mesma sorte. Conforme a direção do São Camilo, ela depositou o recurso e não deve ter ressarcimento. Uma segunda família teve sua história com o mesmo desfecho de Analiz. “Eles vieram até o hospital questionar o exame e nós explicamos que era um golpe. Foi só assim que soubemos o que estava acontecendo”, conta a gerente financeira, Georgia Carla Pacheco.
Os golpistas aplicaram três tentativas, todas, na tarde de quarta-feira, 3. A Polícia Civil já foi informada sobre o caso e deve abrir uma investigação. Não há muitas pistas: a exceção é o código de área da telefonia e a agência, ambos do Mato Grosso. Segundo Georgia, as informações dos pacientes ficam restritas entre o médico e os familiares mais próximos e não são comunicadas pelo telefone. “Qualquer ligação que for feita neste sentido não é do hospital. É golpe”, ressalta a gerente.
Hipótese

A administração do hospital acredita que uma invasão de dados no sistema eletrônico, a partir da Central de Leitos do Paraná, pode ter favorecido a liberação dos dados. “Todo paciente internado pelo SUS (Sistema Único de Saúde) tem suas informações neste sistema, que fica em Curitiba”, explica a gerente de internação, Juliana Fragoso.
A ferramenta é online e dispõe de todos os dados de cada paciente, inclusive seu quadro clínico. Podem acessar o conteúdo completo apenas os funcionários da Central, a partir de senhas privativas. “Os únicos que tem aceso a tudo, são os funcionários da Central de Leitos”, confirma Juliana. Para as unidades, o limite é restrito: a direção só examina na ferramenta o que é seu.
Denúncias
Embora uma investigação já tenha sido aberta, o pedido da direção do São Camilo é para que os pacientes e seus familiares fiquem atentos aos novos possíveis golpes. Nenhum exame é solicitado pelo telefone, tampouco a exigência de um depósito bancário ou algo similar.