
Malu Alves, ainda tão pequena, nem imaginaria que seus pais teriam uma dupla comemoração, em um curto espaço de tempo. Malu nasceu duas vezes no ano de 2014: uma em Cascavel e outra em União da Vitória, ambas localizadas no Paraná. Na primeira vez, ela foi apresentada ao mundo. Na segunda, a bebê recebeu a tão aguardada cura, considerada um milagre. Malu foi diagnosticada com um grave quadro de Hipertensão Pulmonar Persistente.
O tratamento da pequena Malu aconteceu na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI), de União da Vitória. E na manhã de sábado, 20, a família enfrentou quase 500 quilômetros de viagem, para um simples gesto: agradecer.

O diagnóstico
Ao nascer, a menina foi diagnosticada com Hipertensão Pulmonar Persistente – doença que se caracteriza pelo aumento da resistência vascular pulmonar – com isso, precisava ser transferida para uma UTI Neonatal.
Em Cascavel, não havia leitos disponíveis, assim foi acionada a Central Estadual de leitos, que indicou uma vaga para a APMI de União da Vitória. “A médica nos disse que precisávamos ir para outra cidade. Não conhecíamos União da Vitória, e a Malu veio de helicóptero no dia 4 de agosto, para iniciar o tratamento”, disse Jéssica Alves, mãe de Malu.
A bebê foi transferida do Oeste paranaense pelo helicóptero do Serviço Aeromédico do Governo do Estado do Paraná.
Foram aproximadamente 30 dias de angústia para a família, porém, sem perder a esperança. “Mesmo com a gravidade de caso nunca perdemos a fé, acreditamos sempre que ela iria vencer essa batalha”, afirmou a mãe.
O caso de Malu apresenta índices baixos de cura, o que reforça o milagre de sua recuperação. “É uma situação muito crítica e mesmo com toda essa tecnologia que temos, o índice de cura é muito baixo, mas, felizmente nesse caso, pudemos presenciar um milagre”, disse Cláudio de Mello, médico da UTI Neonatal da APMI.
Solidariedade
Receber a notícia da doença de Malu não foi fácil para a família. Mas, o misto da fé e da solidariedade das pessoas, motivou os pais da pequena guerreira.
Mães de outros bebês internados na UTI Neonatal se ofereciam para lavar as roupas dos pais, ou qualquer outro tipo de apoio. “Fomos muito bem acolhidos pelas pessoas, se ofereceram para lavar nossas roupas, pois numa situação como essa chegamos totalmente desamparados, mas tivemos um apoio muito grande”, disse.
A gravidade do caso sensibilizou toda equipe médica e o afeto recebido é inesquecível para a família. “Recebemos um carinho muito grande, sempre muito atenciosos conosco, isso nos deu ainda mais força para enfrentar essa dificuldade”, afirmou Jéssica.
Gratidão
Quem passa pelos corredores da UTI Neonatal da APMI se depara com um mural de fotos com crianças que estiveram no local. O ato, por menor que seja, é um elemento de força para as famílias que estão enfrentando qualquer problema de saúde com seus filhos.

Jéssica e seus pais, neste fim de semana, pegaram a estrada, percorreram quase 500 quilômetros e na bagagem o agradecimento. “Retornar é um sinal de gratidão a população, médicos, aqui (APMI) é feito um trabalho excepcional, e só quem tem um filho na UTI tem ideia do que é”, enfatizou.
Mesmo com os anos de experiencia, cuidando de muitas crianças que passaram pela APMI, o momento foi de muita emoção para o médico Cláudio de Mello. “Apesar de todos esses anos de trabalho é algo que nos emociona, atendemos inúmeras familiares e ter esse reconhecimento nos da ainda mais força para seguir em frente”, afirmou.

Para a administradora da APMI, Antonia Belinski, o agradecimento da família ressalta o compromisso do hospital em zelar pela saúde das pessoas. “O sentimento é de que estamos cumprindo nossa função social, com o que o hospital se propôs com a sociedade, e que o trabalho está sendo realizado com amor e carinho”, comentou.
UTI Neonatal
Inaugurada em 1999, a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) Neonatal da Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) é uma das referências no Estado do Paraná.

Nesses anos, atendeu inúmeras crianças de várias cidades paranaenses. “Passamos a pertencer a Central Estadual de leitos, com isso, quando tem a necessidade de receber algum bebê, e temos vaga nós recebemos”, disse Belinski.
Com o passar dos anos, a UTI Neonatal da APMI recebeu investimentos do Governo do Estado, aprimorando sua possibilidade de atendimento. “Nossa UTI Neonatal é muito bem estruturada e amadurecida profissionalmente, pois é um trabalho de longos anos desenvolvido com muita fé, e coragem”, acrescentou a administradora do hospital.
A estrutura foi reforçada com a inauguração em maio deste ano, do Ambulatório de Amamentação, espaço, que auxília às mamães para aleitar com naturalidade.
Serviço Aeromédico
Implantado há cinco anos, o Serviço aéreo médico do Governo do Paraná já realizou mais de 5 mil atendimentos em várias regiões do Estado. As aeronaves estão baseadas em Londrina, Curitiba e Cascavel. Além disso, a estrutura conta com um avião UTI de exclusividade da Secretaria da Saúde, que fica à disposição de todo o Estado.
O Serviço aeromédico conta com dois comandantes, dois mecânicos, quatro enfermeiros e 12 médicos que se revezam nos regimes de plantão.