Mais de seis milhões de alunos da rede pública de escolas de quatro estados brasileiros – Paraná, Pará, São Paulo e Santa Catarina – ficarão sem férias em julho e deverão concluir o atual ano letivo só no início de 2016. Além disso, dezenas de milhares de estudantes que concluiriam o ensino médio em 2015 poderão ficar de fora do vestibular deste ano.
A situação é consequência das greves de professores que se multiplicam pelo País: hoje estão de braços cruzados os docentes dos quatro estados citados acima e na semana que vem poderão ser retomadas as paralisações dos professores de Pernambuco e de Sergipe, onde estão convocadas assembleias da categoria.
São Paulo testemunha a mais longa e abusiva das greves: lá os professores já estão parados há 62 dias e reivindicam aumento salarial de 75%. Se o índice fosse concedido pelo governador Geraldo Alckmin, quase todo o orçamento do Estado de são Paulo, de R$ 204 bilhões, seria usado apenas para pagar os vencimentos dos mestres. Não sobraria dinheiro nem para investir em novos reservatórios de água, isso no Estado que enfrenta a maior crise hídrica do País.
No Paraná a greve dos professores soma 50 dias, se forem somados os 29 dias da paralisação do início do ano aos dias parados no movimento paredista em curso, o segundo em menos de seis meses em 2015.
Comandados pela APP-Sindicato, os professores primeiro pararam de trabalhar em protesto contra o projeto de reestruturação da previdência do funcionalismo estadual, já aprovado pela Assembleia Legislativa e, agora, rejeitam o aumento salarial de 5% proposto pelo governo do Estado.
O índice é o mesmo que foi concedido pela União ao funcionalismo público, conforme um acordo fechado em 2013, pelo qual o servidor federal receberia 15% de aumento divididos em três parcelas nos três anos seguintes: 5% a cada ano, até 2015.
No Paraná, nestes mesmos três anos, o funcionalismo recebeu 18,8% de reajuste linear: 6,50% em 2013, 6,28% em 2014 e os 5% anunciados pelo governo para este ano.
Nada disso é levado em conta pela APP, sindicato controlado pelo PT, como ocorre com 20 das 28 entidades sindicais da educação espalhadas pelos estados.
Não é coincidência o fato de que três dos quatro estados em greve são governados pelo PSDB – a exceção é Santa Catarina, com um governador do PSD. No Rio Grande do Sul, único Estado da região Sul sem greve de professores, a categoria comemorou em 30 de abril o simples fato de receber os salários integrais – o que só foi possível porque o governador José Ivo Sartori, do PMDB, suspendeu o pagamento da dívida do Estado à União, do contrário teria que iniciar uma inusitada (e sem precedentes) política de parcelamento dos vencimentos do funcionalismo.
Reforça a suspeita de que as greves têm um sentido político o fato de que estados governados pelo PT não são afetados por movimentos reivindicatórios. Em Minas Gerais, por exemplo, os professores têm salários inferiores aos de seus colegas paranaenses e paulistas – mas nem por isso há greve à vista. O que não isentou o governador petista Fernando Pimentel de ouvir uma sonora vaia dos professores na cerimônia da Medalha da Inconfidência, em Ouro Preto.
Eles reivindicam o pagamento do piso nacional da categoria, de R$ 1.917. Pimentel prometeu pagar o piso em longas parcelas que avançam até 2018. No Paraná e em São Paulo os professores recebem mais que o piso fixado pelo governo federal.