
O movimento contrário ao impedimento da presidente Dilma Rousseff (PT), Contestado Contra o Golpe, organiza para o final desta tarde, a partir das 18h30, um ato pró democracia e contra o golpe. O grupo foi formado há pouco tempo e na segunda-feira, 14, realizou seu segundo encontro no auditório da Unespar. Professores, acadêmicos e pouco mais de doze entidades sociais, incluindo a Instituição, APP-Sindicato, Coletivo Feminista Mais que Amélias, UJS e UNES formam a coalizão. O Partido dos Trabalhadores de União da Vitória, PSOL e o PCdoB também integram a formação.
Apesar de algumas siglas, a intenção, conforme os organizadores, é levantar apenas uma bandeira nesta tarde, a da democracia. “As entidades não estão em defesa de algum partido ou do governo, mas, sim, em defesa do estado democrático de direito”, explica Nelson Pedroso, um dos organizadores. “O movimento acha que o único fundamento legal levantado no processo de impeachment é a questão das chamadas Pedalas Fiscais. No entanto, o mesmo Congresso que recebe o processo de impeachment é o que aprova a nova Meta Fiscal no PLN número 5 deste ano, e causa o que é conhecido no Direito como “abolitio criminis”, abolir o crime que fundamentava o processo de impeachment. Então apoiar esse processo que Eduardo Cunha (presidente da Casa) recebeu, trata-se de um golpe”, argumenta Pedroso.
Na cidade, desde 2013, foram organizadas quatro manifestações contra o governo Dilma. O desta tarde é a primeira na contramão da direita. Movimentação que já despertou discussões nas redes sociais. Na página oficial do grupo pessoas contrárias ao ato não pouparam o linguajar e despejaram ofensas às ideias do grupo. Questão que não será combatida, afirma Thays Bieberbach, uma das organizadoras e representante do Coletivo Mais que Amélias. “Eles vêm atacando sem fundamentos e a ideia do movimento é responder, mas respaldado, não partir para agressão”, explica. “Sempre, todas as nossas decisões são tomadas em coletivo, então as nossas respostas e linguagem são bem construídas e unificadas.”
Ainda segundo o movimento é necessária a desmistificação do “politiquês”. O grupo pretende seguir os trabalhos de politizar, conforme chamam, no ano que vem. O objetivo é mostrar que os problemas não estão concentrados em apenas uma sigla, mas no caráter de políticos. “A felicidade existiria se a corrupção existisse só no PT, e se tirasse o PT acabasse o problema do Brasil. Mas a gente sabe que o problema é mais profundo, então queremos politizar a sociedade”, fala Pedroso. Essa campanha começa ainda hoje com a entrega de panfletos e informativos nas ruas de União e Porto União.
Para Paulo Cesar Pires do Prado, presidente da União da Juventude Socialista (UJS) e também organizador do movimento, o trabalho é pelo debate de qualidade. “A nossa intenção é conquistar a opinião do povo no campo das ideias, com argumentos. Não é somente o pessoal sair gritando “fora PT, fora Dilma” e você não coloca o que é aquilo e acaba se perdendo pelo que você está lutando”, comentou.
Ainda ontem, alguns integrantes colaram cartazes pelas cidades em um gesto de convite ao movimento.
O grupo também irá cobrar, nos próximos dias, o posicionamento de lideranças políticas das cidades sobre o processo de impedimento da presidente Dilma. Para o próximo ano um cronograma de ações será elaborado e colocado em prática pela coalizão do Contestado Contra o Golpe.
Movimento
– A concentração começa a partir das 18h30 em frente da Unespar;
– Caso mais de cem pessoas compareçam, o movimento segue para às ruas, senão ficarão reunidos na Praça Coronel Amazonas entregando informativos e, segundo o grupo, politizando;
– O grupo tem uma página na internet. Nela, até o encerramento desta edição, mais de cem pessoas haviam confirmado a presença no ato. Acesse: facebook.com/contestadocontraogolpe;