Homem vive de maneira primitiva em Cruz Machado

Voluntários buscam apoio para ajudar idoso no interior do município

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

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Fogão à lenha, improvisado, era usado para pouca coisa: milho era o principal alimento do idoso

O fogão é à lenha, mas nele nenhuma refeição é preparada. Na mesa, o milho é o principal alimento. A cama, suja, é um amontoado de cobertores, palha e lona preta. Até bem pouco tempo, chovia fora e dentro do casebre coberto por fuligem. A salvação de Waldomiro Hentmantchuk, de 70 anos, foi o ex-comerciante Adejair Maciel. Foi em seu comércio, na época um estabelecimento em Cruz Machado, onde percebeu que Waldomiro precisava de ajuda.

De fato, precisava. Waldomiro mora na localidade de Taquari, distante 70 quilômetros da sede do município, em uma estrada quase invisível, coberta pelo matagal. O passado do idoso é confuso. Acredita-se que ele tenha sido casado e pai de pelo menos três filhos. Hoje, contudo, Waldomiro mora sozinho e defende-se da solidão como pode. “Ele inclusive pinta nas paredes da casa, escreve algumas coisas e até coloca os dias da semana”, conta Débora Maciel, filha de Adejair.

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Waldomiro ganhou nova casa: é simples, mas bem mais confortável

Sensibilizada pela história que o pai trouxe, ela adotou a causa como sua também e hoje, apoiada por amigos e alunos da instituição onde leciona, fundou o Grupo de Apoio Voluntário, o GAV. A criação é resultado de tentativas infrutíferas, segundo o grupo, de contato com as equipes de assistência social da prefeitura. “A única coisa que conseguimos foi a tutela do homem para o meu pai”, conta Débora.

Waldomiro, que apresenta quadros esquizofrênicos, sobrevive da venda do pouco que cultiva na propriedade que é sua. Ele não recebe benefícios governamentais e sua aposentadoria teria sido negada. Adejair, também sensível ao caso, tenta ajudar. Ele é o principal cliente de Waldomiro, contribui com cesta básica e foi dele também a doação e a construção de uma casinha nova para o idoso. Bem diferente do casebre, a nova residência mantém a simplicidade, mas preza pela organização, limpeza e ventilação: um luxo para quem vivia de modo quase primata.

Doações são bem-vindas

O GAV, que nasceu com a história de Waldomiro, está aberto a doações. Tudo, inclusive ajuda jurídica para as negociações de benefícios e aposentadorias, é aceito. Waldomiro precisa de roupas, calçados, utensílios, móveis domésticos e mais alimento. Hoje, é a família de Adejair quem contribui com cestas básicas. Ajuda profissional para outras áreas, especialmente as de saúde, também são bem-vindas. Informações sobre o caso e doações põem ser feitas pelo telefone 8831-9183.

Prefeitura retoma estudo do caso

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Estrutura do casebre de madeira estava ameaçada

De acordo com a secretária de Assistência Social de Cruz Machado, Juliana Sembay, a história de Waldomiro é conhecida já há algum tempo. Há cerca de quatro anos ele recebia assistência do setor. Mas, diante de sua resistência, a prefeitura encontrou apoio nas atitudes de Adejair. O ex-comerciante é o único com quem Waldomiro conversa e até faz pequenos negócios. “O seu Waldomiro é bem resistente aos tratamentos, às conversas com outras pessoas. O seu Adejair fazia essa negociação para nós”, explica Juliana.

Como não houve mais conversas entre a prefeitura e Adejari, a secretaria apostava que tudo corria bem. Juliana voltou a saber sobre o assunto pelas redes sociais e ontem de manhã, segundo ela, já providenciava auxílio e novas tentativas de apoio. Uma delas será a inclusão do nome de Waldomiro para o recebimento do Benefício de Prestação Continuada (BPC), recurso oferecido para idosos com mais de 60 anos e que não conseguiram se aposentar. Ao mesmo tempo em que lidera essa força-tarefa, a secretaria incentiva a campanha do GAV e apoia o recrutamento de doações. “A ideia é muito boa porque a Assistência Social não supre todas as necessidades”, sorri.

 

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