*Por Raulino Bortolini*
Neste mês que antecede o aniversário do nosso município de Porto União, jornais das gêmeas do Iguaçu, como aconteceu no início deste ano no aniversário de União da Vitória, trarão, semanalmente, artigos dos membros da Academia de Letras do Vale do Iguaçu (ALVI) contendo fatos históricos, contos, poesias e outras formas literárias em homenagem aos 95 anos de criação do Município de Porto União, visto que até 1917 esta terra formava um só município denominado União da Vitória, pertencendo ao Paraná.
O problema de divisas entre o Paraná e Santa Catarina era muito antigo. Antes da criação do Estado do Paraná (1853) a Província de São Paulo se estendia até o Rio Grande do Sul na região do planalto. Em 1897 a questão de limites entre o Brasil e a Argentina foi resolvida após a mediação do Presidente GROVER CLEVELAND, dos Estados Unidos, dando ganho de causa ao Brasil.
O Tratado de Limites entre o Paraná e Santa Catarina, por interferência direta do Governo Federal, definiu os limites entre os dois Estados. Dos 48.000km2 desta área, 28.000km2 couberam a Santa Catarina e 20.000km2 ao Paraná. Este acordo foi aceito pelos dois governos estaduais bem como pelas respectivas Assembleias Legislativas e a homologação do Governo Federal, em 1917. Assim foi criado o município de Porto União.
O tratado de limites de 1917 infelizmente “cortou” a cidade ao meio, mas a população local continuou unida vivendo uma verdadeira fraternidade pela qual passaram a ser chamadas “Gêmeas do Iguaçu”. O Tratado de Limites de 1917 foi apenas uma lide jurídica, não tendo havido nenhum combate e nem derramamento de sangue. Não podemos confundir com as lutas entre os sertanejos e as forças governamentais, fato que estamos lembrando e que teve início há 100 anos.
O ano de 2012 marca o início do centenário da chamada Guerra do Contestado, com 4 anos de duração, fato tão triste que manchou com sangue esta terra. Centenas de brasileiros das forças armadas perderam a vida, como o coronel João Gualberto, o capitão Matos Costa e o tenente Ricardo Kirk e tantos outros.
Milhares de sertanejos também perderam a vida lutando por um pedaço de terra para viver com dignidade do fruto do seu trabalho.É claro que existiram outras causas, mas se tivesse havido um pouco mais de entendimento esta triste página da nossa história poderia ter sido evitada.
Quero encerrar este artigo com as palavras do capitão Matos Costa, que foi morto pelos jagunços durante um ataque no município que hoje tem seu nome. Matos Costa disse: “A revolta do Contestado é apenas uma insurreição de sertanejos espoliados de suas terras, nos seus direitos e na sua segurança.
A questão do Contestado se desfaz com um pouco de instrução e o suficiente de justiça como um duplo produto que ela é da violência que revolta e da ignorância que não sabe outro meio de defender seu direito.”
Sábias palavras do eminente oficial das forças armadas que com sua sabedoria social entendeu a revolta cabocla desta região e que outras soluções pacíficas poderiam ter evitado esta guerra fratricida de tão triste acontecimento que estamos lembrando neste ano de 2012. A crença do monge João Maria foi resguardada alimentando desejos de novos tempos de “Paz e Igualdade”.
Raulino Bortolini é Presidente da ALVI