Igreja Sagrado Coração de Jesus: Orações ainda ficam do lado de fora

Previsão é de que reforma e restauração da Igreja Sagrado Coração de Jesus durem, ainda, mais de um ano

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

Igreja - Capa
Pátio de obras: apenas em andaimes, empresa instalou cinco toneladas de equipamentos

Interditada há quase dois anos, a Igreja Sagrado Coração de Jesus, cartão-postal de União da Vitória, ainda vai demorar para abrir novamente suas portas à comunidade. A previsão, dizem os trabalhadores da intervenção, é de que ela só esteja pronta em um ano ou até mais. Diferente de uma obra convencional, cujos traços são retos e não há preservação de detalhes, a ação na igreja destoa em vários sentidos. É justamente por ter características particulares que a lentidão é maior. “A altura já é um desafio. São 17 metros de uma obra complexa. Só de andaimes temos cinco toneladas”, explica Wanderley Marques Claro da Fonseca, dono da Constru System, responsável pela intervenção no forro do prédio. “Nada é reto. Toda a estrutura é trabalhada”, lembra.

A dificuldade é grande. Em média, os seis funcionários recrutados para as ações completam até cem metros por dia. Na Sagrado Coração de Jesus, a redução é considerável. “Trabalhamos em apenas um ou dois metros diários”, calcula. Neste momento, a System trabalha na adaptação do forro e dos capitéis. As peças foram reconstituídas e remetem ao desenho original da construção. Além disso, a empresa trabalhou no reforço de todas as vigas de sustentação da igreja. Elas foram remontadas e terão isolamento térmico e acústico. As instalações elétricas também já estão sendo feitas. “Esta obra não é apenas um desafio. Vai ser a obra mais bonita da minha carreira”, sorri Fonseca, orgulhoso pela visibilidade que ele e sua empresa ganharam com a ação.

A obra mexe muito mais do que com a estrutura física. Construída pelo Governo de Estado, em 1917, e inaugurada em 1924, a Igreja faz parte dos sentimentos da comunidade. Diante do altar, centenas de casais disseram “sim” e outros tantos ainda sonham com este momento. Alguns, contudo, diante das obras, terão que abrir mão do desejo. Durante a intervenção, todos os bancos, bem como todas as imagens sacras, foram retiradas.

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Vitrais também serão restaurados em uma próxima etapa

A exceção é para os vitrais das janelas – que serão reformados mais tarde – e uma imagem de Jesus Cristo. Ele está protegido por uma pequena estrutura de madeira e, mesmo escondido, alimenta a fé dos religiosos. “Tem gente que vem aqui, mesmo com a igreja em obras, fica de joelho no meio de tudo isso e reza”, conta Fonseca. Para dar resposta aos mais de 200 fiéis que escolheram a Igreja como sua comunidade, a secretaria da paróquia abre todos os dias a capela, que fica anexo à igreja, e aos finais de semana, garante a realização das missas no salão paroquial, também ao lado da matriz.

A interdição da Igreja ocorreu em 2011, em uma decisão da comissão da comunidade baseada em laudos de engenharia que apontavam danos no telhado do imóvel.

Comunidade ajuda no pagamento das despesas

“A comunidade é quem paga a reforma da igreja”. A afirmação do presidente da Comissão de Administração de Finanças (Acafe) de matriz, Marcelino Boller, torna-se ainda mais verdadeira na prestação de contas. Todo o custo da obra depende da participação dos fiéis. Não há ajuda governamental e, quando ela ocorre, vem por meio de parcerias e de modo indireto. “As prefeituras, por exemplo, nos ajudam na estrutura da festa, no empréstimo das barracas”, explica.

A comunidade fiel ajuda de outras maneiras. Além dos eventos, há ainda a promoção de Ação entre Amigos, sorteios, contribuições espontâneas e depósitos financeiros na conta da Igreja. A obra não tem um orçamento fechado. “Ela foi dividida em etapas”, justifica Boller. Para o presidente, as despesas são, de fato, altas, mas refletem a preocupação em manter em pé e em bom estado um dos imóveis que simboliza o nascimento de União da Vitória. “Pensa-se no patrimônio, na conservação deste bem”, sinaliza.

Obras revelam pintura centenária

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Retirada do carpe das paredes revelou pinturas feitas por Ernest Bieberbach

Em quase um século de vida, a Igreja jamais havia sofrido uma interdição deste porte. A lacuna escondeu ao longo dos anos algumas surpresas. Nas ações de remoção do carpes das paredes – o material havia sido colocado para garantir uma acústica melhor – os construtores encontram inscrições, provavelmente em latim, e algumas pinturas. O circuito está no altar, onde também aparece o que pode ser a primeira pintura do prédio. A System garante que vai preservar o que foi encontrado, para que as empresas contratadas para dar sequência às ações, também cuidem do restauro.

Os desenhos encontrados são bastante parecidos com as obras que decoram a Casa Cultural Aníbal Khury, o Castelinho, em Porto União. Segundo a diretora do espaço, Therezinha Wolff, ambas as pinturas tem a mesma autoria e são assinadas pelo alemão Ernest Daniel Bieberbach. Uma das netas do pintor confirma a informação. “Foi o meu avô. Ele fazia as pinturas nas paredes. Antes as famílias eram diferentes, viviam em torno da igreja e a gente ouvia as pessoas falarem sobre o trabalho dele”, conta Leacir Bieberbach, que não conheceu o avô mas ouviu falar sobre seu desempenho artístico.

Casamentos e batizados só em outras igrejas

Por conta das ações, as cerimônias mais especiais ocorrem nas comunidades vizinhas. A escolha depende da agenda das igrejas e também dos casais e padrinhos dos bebês. Nada impede, porém, que casamentos e batizados também sejam realizados no salão paroquial. Por não ter o perfil comum das igrejas, contudo, o local não tem sido preferência entre os católicos.

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