IGUAÇU: Leiturista do rio sabe em primeira mão se terá enchente

No posto de União da Vitoria, Ivana Alves Santos Scheid é quem ocupa a função há anos

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Atualizado há 9 anos

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Nas réguas: medidor marca nível da enchente e serve como base para o trabalho de leitura

Muita gente não sabe, mas na ponte Machado da Costa, a Ponte de Ferro, em União da Vitória, existe um posto de leitura e medição do rio Iguaçu. Ele foi colocado ali pelo governo de Estado, e ao longo do tempo, foi administrado por varias empresas e hoje, é de responsabilidade da Água e Solo, do Rio Grande do Sul. O posto é pequeno, embora proporcionalmente, seja o maior do gênero na região.

A “casinha” fica na cabeceira da ponte, no sentido centro-bairro. Todos os dias, duas vezes no dia, faça chuva ou sol, Ivana faz o mesmo percurso. De manhã, a leitura é logo bem cedinho. No final da tarde, perto das 17 horas. “Meu pai fez isso por 20 anos e quando ele morreu, eu assumi o trabalho”, conta, orgulha. Ivana recebe pelo serviço, ainda que não revele o quanto ganha. “Mas o dinheiro repasso para minha mãe, que é aposentada. Até por que o pai ficaria feliz em saber que ela está recebendo. O pai adorava. Era a vida dele”, sorri.

Dinâmica

“As chuvas da cidade não enchem o rio. O que enche, são as chuvas lá de cima, de Curitiba, de São Mateus”. Ivana abre o posto para a reportagem deixando bem claro como o processo de cheias funciona.  A leitura a partir de um capacitador de água (que fica em cima do posto), dá mais noção disso. Dependendo do numero de provetas cheias, com a coleta da agua que está lá no teto, se tem a certeza do quanto será a elevação do rio. Ivana faz a leitura e os anota em dois cadernos distintos: o do registro pluviométrico e o fluviométrico. Tudo é enviado à empresa gaúcha, pelo aplicativo de bate-papo. “Antes, eu ligava e informava por telefone, mandando pelo Correio o livro onde é tudo registrado”, explica Ivana.

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Ivana na leitura da proveta: medida coletada no tubo indica o quanto vai subir

A leiuturista precisa checar também, diariamente, as marcações na régua, que fica dentro do rio, embaixo da ponte. Para precisar os números, ela usa um binoculo, para enxergar melhor. “Já peguei régua de sete metros. Meu pai pegou com 13”, conta, orgulhosa.

O posto também tem espaço para a leitura do Simepar, que monitora o tempo. O sistema não é avaliado por Ivana, mas, conforme ela, os dados são capturados a partir de satélites.

A moça do rio

Quem conhece o trabalho de Ivana não hesita em lhe perguntar sobre o futuro das cheiras. Vai chover? Vai dar enchente?, são perguntas bem comuns ao cotidiano da leitura. Ela garante que não se importa e até ri de tudo isso. Na prática, Ivana é a primeira pessoa na cidade que sabe quando é hora de arrumar a mudança e procurar abrigo.

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