Por Mariana Honesko

Eles aparecem nas esquinas mais perigosas. Nasceram para driblar a falta de segurança, frear os mais velozes e permitir a travessia dos pedestres. Mas, nem sempre os semáforos são lembrados como deveriam. Ontem, um acidente no centro de Porto União colocou em xeque o papel que o equipamento tem. Um idoso, que estaria na faixa de pedestres, foi atropelado por um veículo que teria usado o sinal aberto para continuar em seu destino. Não se fala em culpa. Antes – e de novo – no comportamento atrás do volante e de quem está a pé. Mesmo sendo referência pelo bom funcionamento, os sinaleiros de Porto União não evitaram a ocorrência.
Em União da Vitória, o comportamento nem sempre elogiável repete-se. Na cidade, porém, as condições dos semáforos podem contribuir para a geração dos imprevistos. O Departamento Municipal de Trânsito reconhece as falhas, mas garante que mudanças estão à caminho. “Estamos analisando outros dois lugares, para que também recebam o sinaleiro e queremos substituir as lâmpadas de todos eles por leds”, revela Márcio Roiek, membro do setor.

Os endereços mencionados por ele exigem, de fato, atenção: a instalação de novos sinaleiros pode atender o fluxo entre a avenida Manoel Ribas com a Costa Carvalho ou entre a avenida e a Clotário Portugal. A substituição das lâmpadas também é bem-vinda. Em alguns pontos, a alteração pode colocar fim ao conhecido efeito “fantasma”, uma ilusão de ótica provocada nas cores do sinaleiro por conta da iluminação ou de falhas mecânicas. É o que ocorre, por exemplo, no semáforo da rua Dom Pedro II, próximo à Copel. “Ali é porque uma lâmpada está mais fraca que a outra”, explica Roiek.
As falhas, ainda que pequenas, não são incomuns e, em grande parte, provocadas pela defasagem do material. Conforme o Departamento de Trânsito, apenas um semáforo – o da Bento Munhoz com a Manoel Ribas – é de led. As “bolachas” dos outros sete aparelhos são iluminadas pelas lâmpadas martelo, cuja produção não ocorre mais. Em situações de “panes”, até lâmpadas residenciais são utilizadas. “Tem que dar um jeito. O sinaleiro precisa continuar funcionando”, justifica. “Com a colocação dos leds, o visual fica melhor, a durabilidade é mais alta e vai evitar transtorno no trânsito durante as eventuais trocas”, completa. O único mecanismo já utilizado, por exemplo, está há cerca de nove anos em funcionamento e neste período dispensou qualquer intervenção.
O investimento para a substituição total é grande: em média, cada “bolacha” custa cerca de R$ 300. A prefeitura sinalizou disposição ao investimento.
Semáforo para pedestre
Dois sinaleiros atendem especialmente quem está a pé. No entanto, desde sua instalação, poucos são os pedestres que realmente utilizam o sistema de maneira adequada. A análise é do próprio Departamento de Trânsito, que identifica as falhas no anel central, onde estão os equipamentos.
Assim como o indicador para veículos, o semáforo para pedestres só permite a passagem a partir da cor verde. Não há orientação “amarela”. É apenas a vermelha que barra a passagem de pessoas. “Além das falhas que também às vezes temos no aparelho, o problema é que os pedestres não usam o equipamento como deveriam. O pedestre precisa ter mais atenção”, diz.
Se a orientação é fundamental diante dos aparelhos, torna-se imperativa nos trechos sem sinaleiros. A dona-de-casa Irene Joaquim teve que esperar na esquina para atravessar com tranquilidade uma das esquinas da rua Prudente de Morais. “Tem que esperar mesmo, mas o trânsito funciona”, diz. Ela não sabia mas, ontem pela manhã, estava justamente em um dos locais onde o semáforo não contabiliza tempo para a passagem dos pedestres. Conforme o Departamento de Trânsito, o local liga as Cidades Irmãs em quatro sentidos. “Ali o ideal é colocar um sinaleiro com botoeira, para que o pedestre acione quando precisa atravessar”, aponta Roiek. Por enquanto, é preciso olhar para todos os lados, sentir-se seguro e só então cruzar a via. Foi o que fez a dona-de-casa Jussara Teixeira. “Tem motorista que respeita. Outros não”, sorri, com os pés no início da faixa de pedestre e olhos no trânsito. “Por isso venho sempre na faixa e espero”, diz.

“Furo” no semáforo pode ter contribuído com acidente
Perto das 11h30 de ontem, José Caetano Ferreira, de 79 anos, foi atropelado no cruzamento das ruas Prudente de Morais com a Matos Costa, no centro de Porto União. De acordo com informações de uma das passageiras do Gol com placas de Capinzal (SC) envolvido na colisão, o veículo seguia ainda na Prudente durante a abertura do sinal. O idoso, contudo, não teria parado diante do fechamento do sinal para pedestres. Testemunhas confirmam a versão, mas dizem que o sinal estaria já no “amarelo” e que o idoso caminhava devagar sobre a faixa de pedestres. Ferreira foi atendido inicialmente pela comunidade e logo pelo Corpo de Bombeiros. O idoso foi levado para o Hospital São Braz, que não informou seu quadro clínico. O condutor do Gol é estudante universitário. Com ele, outras três pessoas ocupavam o veículo.
Sinal em “amarelo”
O artigo 208 do Código de Trânsito Brasileiro (CTB) permite passar neste estágio: apenas o avanço do sinal vermelho é considerado infração gravíssima. O amarelo indica atenção e previne paradas bruscas.