Por Mariana Honesko

A iniciativa é inédita em Santa Catarina e deve tornar Porto União vitrine para outros municípios. Ontem, o incinerador de lixo chegou na cidade e na Área Industrial, na empresa Abbaspel, deve ficar pelos próximos 90 dias. A vinda do equipamento é resultado de uma negociação que começou no ano passado, entre prefeitura e Fundação de Meio Ambiente (Fatma). Porto União foi escolhida como cidade para teste da máquina que promete ir além da oferta de incremento à vida útil do aterro sanitário da cidade. “Poderemos fazer um consórcio sustentável na região, gerar energia a partir do lixo e pela iniciativa privada, investir especialmente nisso”, aponta o secretário municipal de Meio Ambiente, Christian Martins.
A máquina vem de Porto Alegre (RS), é móvel e sua instalação e manutenção dependem de mais 15 dias, a partir de sua chegada, para entrar em operação. O teste vai durar 90 dias, tempo idêntico à legislação criada pela Fatma para fomentar o funcionamento do material. “Como é algo inédito, que não tinha no estado, a Fatma precisou criar essa resolução. Ela é temporária e também vai durar 90 dias”, explica Martins.
Inicialmente, o incinerador seria instalado no aterro municipal, na localidade do Legru. Mas, por necessitar de energia, precisou ter seu destino alterado. A parceria com a empresa de Mohamad Abbas prevê ainda visitação de outros municípios e um incremento dos projetos para atender as necessidades energéticas da cidade. Os 90 dias de teste não terão custo para o município.

A expectativa para o sucesso é grande, mas pouco comprovada, já que não há modelo disponível no estado. Os resultados de poluição também são outros itens de preocupação. “Nos aterros nós temos o chorume, fruto da decomposição, gás e mesmo quando ele para de funcionar, é preciso uma manutenção de 20 anos”, explica a engenheira ambiental da secretaria, Adriana Weber. Os efeitos nocivos do incinerador são pouco palpáveis ainda. O que se sabe é que a máquina pode receber lixo orgânico e reciclável. “Não vamos usar a máquina todos os dias, mas os municípios vão vir olhar e entender como funciona a operacionalização dela”, ressalta Martins. Tão logo esteja apta para entrar em operação, o prefeito Anízio de Souza deve convocar uma coletiva, de imprensa e para os municípios, para discussão do assunto.
Como vai funcionar
Nos próximos 15 dias, a máquina será montada. Depois, passa a trabalhar com parte do lixo recolhido pela Ecovale. A empresa continua mantendo a coleta dos resíduos, tanto orgânico quanto reciclável: o orgânico segue para a Área Industrial e o reciclável, para a cooperativa, onde 13 agentes ecológicos trabalham na separação e catalogação do material.
Lixo nosso de cada dia
Em média, Porto União recicla apenas 5% de suas 520 toneladas geradas por mês. Para dar impulso aos números, a Secretaria de Meio Ambiente, em parceria com a Fundação Nacional de Saúde (Funasa), investe R$ 150 mil em um projeto de conscientização. Os bairros Santa Rosa e Vice-King participam da primeira etapa. Os moradores vão receber sacolas plásticas, com cores que “convidam” à separação do material.
A ideia é ampliar a sustentabilidade e, ainda, aumentar a renda dos cooperados. Em dezembro, mês de festa e da geração de mais resíduos, cada agente recebeu cerca de R$ 1.400,00 como salário. “Quando vou ao aterro fico decepcionado. Com a proposta, queremos mudar esta cultura”, sinaliza Martins.