Por Mariana Honesko

A cerimônia de instalação do Corpo de Bombeiros de União da Vitória foi marcada pelo saudosismo e orgulho de dona Maria da Luz do Prado. Ela é mãe do subtenente Prado, que assume o comando da recém-nascida companhia. “Ele é um filho que nunca decepcionou. Sempre estudou. Sempre teve notas boas”, sorriu durante a solenidade de instalação da unidade. Ao lado dela, que veio de Irati (PR) especialmente para aplaudir a conquista do filho, familiares e uma legião de autoridades, membros de clubes, secretários e vereadores, também cumprimentaram Prado e os demais 21 militares que, nesta primeira etapa, integram a seção.
A criação de um batalhão na cidade encerra um desejo de cerca de 40 anos. Desde então, o município e toda a região da Associação dos Municípios Sul Paranaense (Amsulpar), era assistida pelo Corpo de Bombeiros de Porto União, que precisava ainda dar conta dos pedidos de sua cidade e dos municípios de Matos Costa e Irineópolis, ambos catarinenses. “Chegamos antes para ajudar, para colaborar junto à população e agora vamos ficar”, sorriu Prado, justificando a presença de boa parte da nova companhia desde o início das cheias do Iguaçu. O investimento pessoal e na frota é do Governo Estadual. “A população está recebendo mais uma serviço de segurança. O Corpo de Bombeiros veio justamente trazer isso”, comentou o capitão Spak, da Polícia Militar de Ponta Grossa (PR), também presente na solenidade.
E veio em um dia histórico. A inauguração ocorreu justamente na véspera de aniversário de criação do Corpo de Bombeiros no país. “É um sonho realizado. É um grande orgulho”, pontuou o tenente-coronel bombeiro, do Paraná, Carlos Alberto Machado. O atraso, portanto, caiu como luva. De acordo com o cerimonial, a inauguração da companhia está prevista para ocorrer há cerca de um ano.
O Corpo de Bombeiros está instalado no imóvel que abrigou a antiga rodoviária de União da Vitória, na Rua Joaquim Fernandes Luis Filho, no centro. Prado, que assume o comando da unidade, é de Irati, então chefe da corporação em São Mateus do Sul (PR).
Estrutura
A maioria dos militares que integram a nova companhia são das cidades de Ponta

Grossa (PR) e Irati. Alguns, e apenas pouco deles, de União da Vitória. A frota ainda é limitada mas, de acordo com o comandante Prado, deve ser reforçada a partir do funcionamento normal do quartel.
Ainda assim, a estreia é amparada por um caminhão de combate à incêndio, um de salvamento, uma ambulância e um veículo para o setor administrativo. O batalhão fica subordinado ao comando de Irati (PR) e deve dar fôlego extra para o trabalho do outro lado da linha. Conforme os militares de Porto União, em média, a companhia atendia todos os dias até 20 pedidos de socorro e cerca de 60% deles, vinham do lado paranaense.
Como usar o 193
Ainda ontem, os últimos ajustes no prédio da companhia e no sistema de atendimento eram feitos. Até o final do cerimonial, contudo, não havia ficado exatamente claro mas, é provável que o 193, número padrão para o pedido de ajuda, seja mantido mas, refinado. O pedido pelo batalhão de União da Vitória vai depender do uso de teclas adicionais. O modelo é similar ao adotado pela Polícia Militar, que sugere o uso do “2”, para chamar o quartel em União e “4”, para o de Porto União.
Nascimento
Foi no dia 2 de julho de 1856 que, no Rio de Janeiro, nascia o Corpo Provisório de Bombeiros da Corte. O comandante do grupo foi João Batista de Moras Antas. Conforme a história, antes do imperador Dom Pedro II assinar o decreto que regulamentava o serviço de bombeiros, a força-tarefa era comunitária. Quando os sinos badalassem, era sinal de que todos, até crianças, tinham que ficar em fila, próximos de poços e passar de mão em mão, até chegarem ao local do incêndio.