INSTITUTO PALAZZOLO: Não é um castelo, mas acolhe princesas
Entidade funciona há 30 anos em União da Vitória com foco nas meninas que precisam de auxílio na escola e um pouco mais de afeto. Ação é beneficente
Por Mariana Honesko
22/05/2019 - 12h25 · Atualizado há 7 anos
Estrutura fica no bairro São Joaquim, em União da Vitória (Fotos: Mariana Honesko).
O espaço é amplo, tem muito verde, parquinho, casinha de boneca. E é ali que, depois de uma manhã cheia de atividades na escola, as meninas, matriculadas nos terceiros, quartos e quintos anos, almoçam e ficam até o final da tarde. Durante as horinhas ali, as garotas aprendem a bordar, pintar em tecido. Recebem ainda reforço escolar, lanche e cidadania.
Essa é a rotina, de segunda a sexta, do Instituto Palazzolo, entidade que funciona em União da Vitória desde 1989. Ao longo de sua história, o formato de atendimento da casa mudou (leia mais no quadro). Desde o ano passado, o acolhimento não prevê mais, por exemplo, dormir no local, tampouco, permanecer na casa a semana toda – e só ir com a família nos finais de semana. Mesmo mais enxuto, o formato não perdeu sua essência: acolher, acolher e acolher. “Sinceramente é uma casa muito amada. Quem vem aqui sente isso e é por isso que recebemos tanto carinho da comunidade”, afirma a Irmã Rose Mbimbi, responsável pela casa.
Dentro do novo modelo, o Palazzolo acolhe meninas – apenas meninas – que tem um pouco de dificuldade na escola e que precisam ter os vínculos com a família fortalecidos. “Então, oferecemos atividades durante o dia e de tarde, elas voltam para casa”, explica. Não foi possível, por conta do transporte e das distâncias (do Instituto e das casas das meninas), atender neste mesmo modelo, as meninas anteriormente assistidas. Um planejamento foi feito e a opção foi acolher estudantes dos colégios, David Carneiro e Jacinto Pasin, estabelecimentos próximos do bairro São Joaquim, onde fica o Instituto. “Conversamos com os diretores para nos encaminhar quem mais necessita do projeto. São meninas, apenas meninas, que variam de nove e 11 anos. Hoje temos 23 meninas conosco”, conta a Irmã.
Depois de fazerem por conta o transporte das meninas, o Instituto firmou uma parceria com a prefeitura, o que garante que as estudantes sejam apanhadas e deixadas na frente da escola, ao meio-dia e no final da tarde.
Escrevendo uma nova história: na casa, meninas recebem reforço escolar e uma chance de ser ainda mais feliz
Relação com a Itália
Em União da Vitória, o Instituto Palazzolo começou tímido, com o trabalho de irmãs italianas, das Irmãs dos Pobres, que fundou o estabelecimento na Europa. A sede ficava onde está a atual escolinha (creche) para crianças no bairro Sagrada Família. Era uma casa de madeira, simples. Com o tempo, as irmãs compraram o terreno no São Joaquim, para a construção de um novo espaço. Aos poucos, outros lotes foram sendo adquiridos – o que garante a amplitude do Palazzolo hoje.
Por conta da origem italiana, o Instituto é mantido pela casa “mãe”. “Não temos renda. A nossa casa na Itália é que mantem essa casa (em União da Vitória)”, explica a Irmã Rose. Palazzolo, aliás, é o nome do fundador, um italiano, do projeto. “Sem o recurso da Itália, não iriamos abrir a casa. Noventa por cento dos nossos fundos vem de lá. Olha o tamanho da casa. Temos funcionários. Não podemos manter tudo isso apenas com doações. As despesas fixas são mantidas pela Itália”. O Instituto Palazzolo existe na Itália, na África, no Peru e no Brasil. No País, além de União, existem outras duas casas: em Paranaguá e em Curitiba.
Novo formato
Conforme o promotor, Júlio Ribeiro de Campos Neto, a alteração no modelo de atendimento – antes as meninas dormiam na casa e só iam para casa nos finais de semana – faz parte de um entendimento sobre o que é importante na relação dos vínculos familiares. “Toda criança tem direito (convivência familiar) a isso e muitas delas moravam perto do Instituto, o que não justificava que elas permanecessem a noite ali, dormindo, tendo a convivência familiar apenas no final de semana. A alteração é neste sentido”, explica.
De acordo o magistrado, porém, caso o atendimento seja mais amplo e envolva meninas que moram em outras cidades ou em regiões bastante distantes do Instituto, por exemplo, as meninas poderão passar a noite na entidade. “Mas que seja uma exceção e não a regra”, pontua.
Irmã Rose vai receber a Comenda Pinhão do Vale
De origem africana, a irmã Rose Mbimbi, que dirige as atividades do Palazzolo, será homenagem pela Academia de Letras do Vale do Iguaçu (Alvi). Solenidade marcada para o dia 30, às 19h30 no auditório da Unespar, concede à religiosa a Comenda Pinhão do Vale. A honraria é concedida para pessoas da comunidade que se destacam na área social e também na intelectual (leva a homenagem neste ano, neste campo, Delci Aparecida Hausen Christ).
Irmã Rose, que comemora 25 anos de vida religiosa em julho, embora feliz com o convite, se sente inapta. “Nunca nem imaginei estar no Brasil. Imagina, lá na África, me encontrar aqui. É somente a história de Deus. A Comenda não é minha, mas é de todos. Temos voluntários que estão há muitos anos doando sua vida aqui, no silêncio”, sorri. “Não tenho palavras para explicar o sentimento. Como agradecer? Parece que a palavra ‘obrigada’ é muito pouco”.
Uma das referências mais carinhosas da Irmã é o nome de Maria Rosália Clivatti de Araújo, voluntária há 20 anos no Instituto. “Para mim o meu maior presente é poder estar aqui. O Palazzolo é tudo para mim. Já perdi a conta de quantas meninas já passaram por aqui. Ensino a bordar, conversar, se comportar. Faço isso por mim e para minhas meninas”, diz, emocionada.
A religiosa está em União da Vitória, de volta, há quase dois anos. Desde 89, contudo, quando chegou no País, trabalhou também na cidade litorânea de Paranaguá (PR). “Há 30 anos ela faz esse trabalho social. Foi unanime a votação pelo nome dela”, afirma o presidente da Alvi, Raulino Bortolini. A Comenda foi criada em 2002, dois anos após a fundação da entidade.
Irmã Rose é africana, está no Brasil desde 1989 e no final de maio, recebe homenagem da Alvi
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