
O silêncio é predominante no local. O motivo é a concentração da equipe de trabalho do Colegiado de História da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras (Fafiuv – Campus Unespar) durante os trabalhos de digitalização documental do acervo do jornal O Comércio.
Basta ficar alguns minutos com a equipe de trabalho – formada pelos acadêmicos do curso, para perceber tamanha dedicação. Nada pode passar despercebido pelos olhares desta turma. O fato é que a equipe está construindo instrumentos de pesquisa para agilizar o acesso a essa importante fonte histórica que é o jornal O Comércio.

O início
A ideia da digitalização do acervo do jornal deu-se por meio do diálogo, no início do ano passado, entre o diretor do Grupo Verde Vale de Comunicação – que é formado pela Rádio Difusora União, FM Verde Vale, jornal O Comércio e o mais novo portal vvale.com.br, Caíque Agustini, da gerente administrativa do jornal O Comércio, Sitamar Brittes Dalmas e demais colaboradores do periódico na tomada de consciência do valor histórico desta documentação, despertando nos acadêmicos e na comunidade o interesse e a preocupação pela busca e preservação desta documentação.
O interessante foi que de encontro com esta conversa veio a notícia de que correu o processo de digitalização das atas da Câmara de União da Vitória.
O resultado correspondeu a contento as expectativas dos vereadores e pesquisadores locais. A notícia inspirou Caíque e Sitamar para uma conversa inicial sobre o projeto com o então coordenador do curso de História, André da Silva Bueno, e a professora responsável pelo processo de digitalização, Dulceli Tonet Estacheski. A conversa foi satisfatória e perdurou até o início deste ano.
Processo de Digitalização
Os trâmites burocráticos para o início da digitalização do acervo do jornal transcorreu até o primeiro semestre deste ano. Neste período, em virtude da conclusão de alguns estudos, o professor André deixou a coordenação do curso.
Quem assumiu foi o professor Jefferson William Gohl. Juntamente com a coordenação o professor Jefferson assumiu também o engajamento com processo de digitalização do jornal.
Seleção de bolsistas
O primeiro passo para a realização da digitalização foi a seleção de bolsistas para a execução do trabalho.
Sob a coordenadoria do professor Jefferson, foram selecionados quatro acadêmicos, que por meio de uma bolsa auxílio trabalham no processo de digitalização dos documentos.O jornal O Comércio custeará os trabalhos durante o período.
Período
Os trabalhos iniciaram em julho deste ano. O contrato com o jornal é de um ano prorrogável por mais um. O professor Jefférson acredita que a demanda de trabalhos está estimada em três anos.
Narrativas imortais
De acordo com Sitamar, aficcionada pelo acervo do jornal, ela já dedica 18 anos ao manuseio delicado e preservação da história do periódico e sua conservação. Segundo ela, em cada edição, o registro dos fatos faz com que o jornal imortalize as narrativas e construa um acervo documental. É assim que o jornal O Comércio tem contribuído com a história de Porto União, União da Vitória e toda a região há mais de 81 anos.
Processo
De acordo com o professor Jefferson, o processo consiste em fotografar com máquina digital página por página do jornal desde 1931 até 2005. Em seguida – para facilitar a pesquisa – é feito um acervo documental com o resumo do que está contido em cada ata.
Serão 99 livros que dispõe das páginas do jornal O Comércio a serem digitalizadas. “O jornal é uma fonte valiosa sobre a história da cidade”, afirma o professor.
“Mar de informações”
O verdadeiro “mar de informações” irá dispor de um arquivo que oferecerá pesquisas por datas ou por palavras, dicionário de grafia antiga e fotos. O acervo se propõe a preservar a memória das Cidades Irmãs e região.
Dormindo na prateleira
Segundo Jefferson, o jornal, assim como outras ferramentas de pesquisa, não podem ficar dormindo na prateleira e, sim, ao dispor da comunidade. “Parabenizo a iniciativa do jornal em manter viva a história do seu povo”.
Próximo trabalho
O professor Jefferson conta que após a realização do processo de digitalização da Câmara de Vereadores e, agora do jornal O Comércio, despertou interesse da digitalização do acervo do 5º Batalhão de Engenharia de Combate Blindado (5º BEC) de Porto União. O assunto ainda está em conversação.
Equipe de trabalho
A equipe de trabalho é formada pelos acadêmicos Geovane Babireski (1º ano do Curso de História), Naiara Bigosiski (1º ano do Curso de História), Elaine Cândido (2º ano do Curso de História) e a Vannessa Chucailo (recém formada pelo Curso de História).
História da cidade
De acordo com Geovane, ao folhear o periódico é possível saber de fatos que nem mesmo ele imaginara que aconteceram em sua cidade. “Como historiador está sendo uma experiência única com fontes primárias, como é o caso do jornal. Estou redescobrindo histórias”.
A equipe de trabalho tem sede de investigação. Geovane juntamente com Naiara e Elaine criam instrumentos de pesquisa para o processo de digitalização do jornal. Já Vanessa fica com o trabalho da finalização dos instrumentos, que consiste em correção e conversão dos arquivos “.doc” para “.pdf” e transformar as imagens para utilização de pesquisa.
Jornal O Comércio
Fundado em 11 de junho de 1931 pelo professor e jornalista Hermínio Milis, teve muitos problemas no seu início por conta do regime militar da época. Eram muitas ameaças de fechamento e pouco mais de seis meses de lançar o jornal, o jornalista Hermínio Milis foi preso e mandado para a cidade de Florianópolis. Sua garra, competência e luta fez com que ainda em maio de 1932 ele reabrisse o jornal.
Nessa época o jornal era impresso com apenas oito páginas, dividido em quatro colunas, com tipos grandes no corpo do texto. Foi nesse ano que o jornal recebeu seu primeiro anúncio publicitário. O cliente era as “Casas Pernambucanas”. A propaganda era paga, com um layout diferente para os dias de hoje, mas muito empregado na época: molduras, letras em caixa alta e texto acessível.
Durante a 2ª Guerra Mundial (1939-1945) o jornal teve muitas dificuldades para circular, pois o papel estava em falta. Mesmo assim, ele se manteve e conservou sua impressão.
Em 1950 o periódico teve uma primeira grande mudança no projeto editorial. Começa a ser impresso no tamanho standard e com 12 páginas. No decorrer do tempo, a demanda de notícias que chegava para a redação foi crescendo e a consequência foi o aumento das páginas. A composição do jornal foi feita manualmente até 1972 e a impressão com linotipos começou a ser usada em 1973.
Somente em 1986 começaram a ser usadas máquinas off-set e o jornal era impresso nas gráficas do Jornal Indústria e Comércio, em Curitiba. Em 1988, O Comércio modernizou sua redação e diagramação e começou a usar computadores para todas as funções. No ano seguinte, o jornal passa por sua segunda grande mudança gráfica e editorial.
Atualmente, o jornal O Comércio é impresso no tamanho tablóide (250 x 350 mm), divididos em cinco colunas. Possui linha editorial baseada na ética e na informação com qualidade e respeito com o leitor. A logomarca do jornal é formada basicamente por letras, destacando o nome do jornal: O Comércio.
Propaganda década de 30
Do material que está sendo digitalizado, encontramos uma propaganda de época que chamou a atenção. A linguagem da propaganda é da década de 30. O texto diz o seguinte:
Para Reumatismo
e depurar o sangue
tome
Essencia Passos
Nas Boas Pharmacias e drogarias
Acervo
O acervo que está sendo digitalizado ficará disponível para pesquisa no Colegiado de História da Fafiuv. O material, caso exista interesse da comunidade em utilizá-lo como fonte de pesquisa histórica antes da conclusão deste trabalho, está disponível.
Para tanto, basta entrar em contato com a equipe do projeto pelo telefone 3521-9100. A pesquisa também pode ser feita nas segundas-feiras, das 13h30 às 15h.
(Fotos: Wannessa Stenzel)