LEGISLATIVO: Presidente da Câmara quer controlar a mídia

Entre outras acusações, parlamentar disse que veículos são sensacionalistas e manipuladores. Pivô da crítica foi o tempo de duração da sessão da semana passada, mencionada em uma recente matéria dos veículos

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Atualizado há 8 anos

A sessão de número 40, realizada na noite do dia 26, fugiu do protocolo. Desde o início. Logo de começo, pouco depois das 19 horas, o presidente da Câmara de Vereadores de União da Vitória, Almires Bughay Filho (PSDB) abriu a sessão com uma espécie de desabafo. Na verdade, o discurso, de cerca de oito minutos, gravado – está disponível no YouTube e na página da Câmara – foi direcionado à CBN Vale do Iguaçu e ao Portal VVale, dois dos veículos de comunicação do Grupo Verde Vale. Bughay disparou acusações aos veículos que segundo ele, são sensacionalistas e que recorrentemente, se apegam à duração das sessões como pauta. O vereador provavelmente estava se referindo à matéria, ‘Reunião da Câmara de Vereadores de União da Vitória teve duração de 19 minutos’, publicada  coincidentemente no dia 19. O texto narra a pauta daquela noite mas nos primeiros parágrafos, pontua especialmente a curta duração da reunião.

O texto foi publicado no blog Entre Linhas do Portal Vvale, espaço destinado a informações de bastidores e opiniões de assuntos variados, em especial de política. Por meio de um aplicativo de mensagens, Bughay entrou em contato com a repórter escalada para a cobertura daquela sessão da Câmara, e tentou convencê-la sobre a real duração do encontro, explicando que ela foi mais longa, chegando aos 35 minutos.

A duração das sessões parece realmente incomodar e deixar dúvidas. Não raro, a comunidade que está na plateia da Câmara, comenta a brevidade do tempo e essa relação com o salário de cada parlamentar. E não são apenas as pessoas comuns que não entendem essa dinâmica. Jornalistas e outros profissionais tem dificuldade para entender a relação salário versus labuta dos vereadores. Em agosto deste ano, por exemplo, a Gazeta do Povo, publicou uma matéria sob a cartola, ‘Relâmpago’, onde o texto contava sobre os 25 minutos de duração da sessão na Câmara Municipal de Curitiba. “A sessão de ontem na Câmara Municipal de Curitiba bateu um novo recorde: o de mais curta do ano – pelo menos até agora. Em 25 minutos, os vereadores leram a pauta do dia anterior, votaram os oito projetos que estavam na ordem do dia e concluíram o grande expediente”, diz parte do texto.

Em seu discurso, Bughay não explicou sobre a duração das sessões, nem disse se o fato de serem longas ou curtas faz diferença. O vereador apenas atacou (veja alguns trechos do discurso nessa página). Afirmou que a CBN e o Portal VVale se apegam à duração como assunto principal, fazendo com a população se volte contra os vereadores. Usando metáfora, disse que tem quem prefere “olhar o buraco do queijo, e não o queijo”. “Precisamos parar com esse tipo de imprensa. Estamos cansados deste tipo de manipulação da notícia”, disse.

Mais tarde, o vereador falou novamente contra a CBN Vale do Iguaçu e Portal VVale. Aparentemente mais calmo, voltou a dizer que ninguém precisa de sensacionalismo e fake news. “A fonte precisa ser confiável e verdadeira”.

Ao longo dos dois discursos do presidente, apenas o vereador Emerson de Souza, já na palavra livre, se posicionou favorável ao presidente. Depois, a pauta seguiu normalmente – começando atrasada, às 19h15 – tendo como destaque na noite, a participação da jovem, Maiara Kasiuk, que falou sobre sua candidatura ao Parlamento Juvenil do Mercosul (ela já esteve na CBN, inclusive).

Nenhum vereador se posicionou a respeito da fala do presidente, deixando em dúvida se as críticas e opiniões são exclusivamente do edil ou de todo o legislativo municipal.

A reportagem entrou em contato com o presidente da Câmara, tentando uma entrevista, porém  ele afirmou que não iria se posicionar no momento.

O DISCURSO

Antes mesmo de iniciar a sessão, o presidente, já em seu lugar na mesa, proferiu um monólogo com suas opiniões sobre a imprensa de União da Vitória. As críticas foram exclusivamente para a rádio CBN Vale do Iguaçu e também ao Portal Vvale. Confira alguns trechos:

“Então, o que acontece, eu acho que as coisas são mais importantes, pelo jeito, pelo horário que começa do que pelas coisas que são discutidas. Tem gente que prefere olhar o queijo e outras preferem olhar o buraco do queijo. Eu procuro olhar o queijo. Porque o buraco não tem nada de bom. ”

“Nós precisamos parar com esse tipo de imprensa, nós vimos agora há pouco tempo como que foi, nós estamos cansados desse tipo de manipulação da notícia, nós precisamos que a notícia seja dada como ela é e aqui eu quero fazer um parêntese e agradecer verdadeiros que estão fazendo isso em União da Vitória”

“Eu estou há uma semana com isso para falar para os senhores porque semana passada senhores nós tivemos 35 minutos de sessão aqui nesta casa e 35 minutos de sessão na nossa Porto União. A chamada com que a imprensa fez essa imprensa que eu falei foi de forma para acontecer o sensacionalismo que nós não queremos mais na imprensa, com manchetes que induzem as pessoas a ter raiva dessa casa e raiva de muitos outros órgãos públicos quando, na verdade, precisamos levar a mensagem de maneira correta de maneira que possa chegar ao cidadão o que que é realmente estes vereadores estão fazendo”

“Tivemos aqui há duas semanas atrás, uma entrega enorme de recursos economizados nessa casa por esses vereadores e não teve tamanha a divulgação o quanto divulgado por causa de uma sessão curta que não entendimento deles levou 19 minutos e na verdade era 35. ”

AO LONGO DA SESSÃO

Finalmente, seguindo o protocolo da Casa de Leis, Almires Bughay Filho passou a presidência ao vereador Juarez Leandro de Oliveira (Tica). E de sua cadeira, usou a palavra livre, aos 38 minutos de sessão. Almires continuou o que chamou de “desabafo”, feito antes do início da sessão.

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