Por Mariana Honesko

O trabalho delas é discreto, silencioso, mas capaz de ajudar quem realmente precisa. Criado em 1954 em União da Vitória, a Liga das Senhoras Católicas é uma entidade filantrópica, que não prevê arrecadação de recursos. Antes, transforma o voluntariado em ações e resultados. “Criamos a entidade para ajudar os pobres. Eles não tinham espaço”, conta uma das mais veteranas no grupo, Adanair Mafra Benghi.
Na época, a entidade se reunia na Catedral de União da Vitória. Lá, confeccionavam roupas para bebês e idosos. Depois, por não ter uma sala própria, as voluntarias traziam todo o material de volta para casa, para só na próxima semana continuar com a missão. Hoje, o formato mudou, mas não perdeu a essência: o trabalho continua sendo feito na Catedral, em outro nível. “Temos mulheres assistidas por nós. Elas participaram dos cursos que oferecemos e ajudam na produção dessas roupas”, explica dona “Ada”.
Às vésperas de completar 60 anos, de fato, o comportamento mudou. A entidade ganhou mais autonomia, promove o fim do assistencialismo, mas apoia medidas curativas. Assim, a Liga oferece bazares, distribuição de cobertores e roupas para carentes. Cerca de 60 mulheres, com idades que variam entre 13 e 80 anos, são assistidas diretamente pelo grupo. “Elas aprendem a fazer tricô, crochê, fazer almofada, tapete”, sorri a senhora. Mas, mais do que ensinar técnicas de trabalhos manuais, a Liga vai além. “Nos encontros a gente reza, fala sobre higiene, o cuidado com as roupas. Na verdade nós pregamos o amor”, sorri.
Quem participa do programa pode permanecer nele pelo tempo que julgar necessário. A Liga promove a capacitação e independência, mas não fecha as portas para quem ainda depende de ajuda para caminhar. “Muitas mulheres aprenderam um trabalho aqui e continuam. Costuram, fazem trabalhos para vender”, conta. “E estão fazendo um trabalho bonito”, elogia, orgulhosa.
Chá da tarde
Neste ano, a Liga das Senhoras Católicas promove no dia 10 sua despedida. O evento ocorre no Salão Paroquial a partir das 14h30. Os ingressos estão à venda, mas também podem ser adquiridos no dia do evento. Além do chá, haverá bolos, doces, salgados e Ação entre Amigos. Os trabalhos das mulheres assistidas ficam em exposição e à venda. “Já pedi para as mulheres virem de batom e bem arrumadinhas”, sorri Ada. Depois deste evento, a Liga das Senhoras retoma os trabalhos apenas em março.
Encontros
Eles ocorrem sempre às terças-feiras, no salão paroquial da Catedral de União da Vitória. Para Ada, a manutenção de um trabalho simples por tanto tempo é fruto, essencialmente, da fé. “Aceitamos mulheres de todas as religiões, mas é importante acreditar em alguma coisa”, explica.
A Liga

Ofélia Feijó assinou a primeira presidência da entidade. Na época, dona Ada era criança e já acompanhava o trabalho do grupo. A Liga foi considerada Utilidade Pública em 1963. A meta, desde o começo, era ajudar os menos favorecidos. Nos primeiros anos, a produção das voluntárias era distribuída nas comunidades carentes. A ajuda liderada pela Liga em 1983, durante a enchente, é ainda bastante comentada. Na época, as mulheres ajudaram até na distribuição de móveis e utensílios domésticos.
Fotos: Bruna Kobus/Jornal O Comércio





















