Por Mariana Honesko
Durante aproximadamente 20 anos os resíduos gerados pela jardinagem e na execução de obras tinham como endereço o pátio da Secretaria de Obras da prefeitura de União da Vitória. O tempo passou e o volume até então pequeno de lixo era facilmente camuflado. Mas, diante da evolução no ritmo das construções, o que era simples tornou-se complicado: o depósito aumentou de tamanho, ganhou visibilidade e chegou ao limite. Hoje, os cerca de 70 metros quadrados de aterro estão compactos e há 15 dias não recebem sequer um único tijolo.

O local, às margens do Iguaçu, no Distrito de São Cristóvão, de acordo com o Instituo Ambiental do Paraná (IAP), não está e não será licenciado para essa função. “Entramos em um acordo com a prefeitura e o local será recuperado”, diz o chefe do escritório do Instituto em União da Vitória, Paulo Almeida. Além de já não receber mais resíduos, o espaço passa por revitalização. “Estamos plantando árvores e o local não vai mais ser usado para receber este tipo de material”, garante o secretário de Obras, Márcio Roiek.
A decisão de interromper o recolhimento dos resíduos sólidos ocorreu oficialmente no dia 1º. Na ocasião o prefeito Pedro Ivo Ilkiv discutiu a política para coleta com órgãos ambientais e com a empresa Ecovale, que explora o serviço nas Cidades Irmãs. A reunião já aconteceria ao longo do ano mas, diante de um assunto que ganhou denúncia e repercussão na mídia estadual, foi antecipada. De acordo com nota enviada pela assessoria de imprensa da prefeitura de União da Vitória “a administração municipal, atendendo à legislação sobre o assunto que prevê responsabilidade de destino do lixo, abdica de recolher qualquer tipo de resíduos sólidos.”
O novo sistema de coleta conta essencialmente com apoio da comunidade. É ela quem vai decidir quando vai precisar de ajuda para dar destino ao que não quer mais em casa. “Os moradores podem ligar para a empresa e contratar o contêiner”, sugere Roiek. A medida pode contribuir com o descarte clandestino e ilegal do lixo. “Observamos com frequência que os moradores jogam lixo em qualquer lugar que julgam ser correto. Desde o início do ano localizamos vários destes locais. Já colocamos placas e estamos fiscalizando isso”, revela o secretário de Obras. “Infelizmente é algo cultural. Isso ocorre não só no centro, mas no interior também”, completa.
Ainda de acordo com a prefeitura, os alagamentos que ocorrem com frequência em São Cristóvão, especialmente nos locais próximos à Secretaria de Obras, não tem interferência do aterro de resíduos. Em nota, a prefeitura afirma que o “terreno está situado antes da área sob risco de ser alagada.”
Destino legal

De acordo com a equipe da Secretaria de Obras e o IAP, a Ecovale já tem licenciamento para um novo terreno de depósito. A direção da empresa, contudo, por não estar na cidade até o encerramento desta edição, não pôde ser ouvida para confirmar o assunto. No entanto, as informações extraoficiais garantem que o local poderá receber os resíduos que até pouco tempo tinham o pátio da secretaria como último endereço.
Mesmo com o investimento, entretanto, o descarte ilegal, duvidoso e sem a prática da logística reversa seguem em vigor. É o caso, por exemplo, do descarte das lâmpadas fluorescentes. Por lei, elas deveriam ser recolhidas pela empresa que as vendeu. Mas, não raro as lâmpadas são encontradas já quebradas, nas ruas, ou nas lixeiras públicas.
Na porta de casa

Recrutar o depósito móvel da Ecovale exige agendamento e taxa. Ela varia de R$ 40 à R$ 70 e garante o contêiner por até 24 horas no endereço do morador. Os contêineres podem receber apenas lixo gerado nos jardins e poda de árvores e plantas. O serviço pode ser acionado uma vez por mês.