Locomotiva 310 continua à espera de reforma em União da Vitória

Especialistas em restauração de Tubarão (SC) relatam dificuldades para restauração de rodas

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Atualizado há 13 anos

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(Bruna Kobus/Jornal O Comércio)

A Secretaria de Indústria, Comércio e Turismo de União da Vitória ainda não sabe quanto vai custar a restauração da Locomotiva 310, a Maria Fumaça. Segundo o Secretário da pasta, Antonio Oscar Nhoatto, a prefeitura busca dois orçamentos para viabilizar os recursos. Um dos orçamentos, de uma empresa local, foi de aproximadamente R$ 300 mil. O outro a Secretaria ainda está aguardando. A Cooperativa de Restauração e Manutenção do Acervo Ferroviário Nacional (Cooperferro), de Tubarão (SC), também está fazendo um orçamento.

Por telefone, Nhoatto explicou à reportagem de O Comércio que o orçamento não está pronto pois a Cooperferro não consegue uma metalúrgica ou empresa de fundição para colocar anéis de aço de reforço nas rodas da Locomotiva. “Sem esses anéis, as rodas estão comprometidas e a empresa precisa desses custos para finalizar o orçamento”, justificou.

Nhoatto disse ainda que após os orçamentos, será feito um processo licitatório para restaurar a Maria Fumaça. “Depois de contratada a empresa, a máquina será completamente restaurada em 180 dias. Mas é preciso não confundir reforma com restauração. Todos os mecanismos que não estão funcionando serão restaurados para a locomotiva rodar em segurança”, explicou.

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(Bruna Kobus/Jornal O Comércio)

O Secretário afirmou que vistoriou a malha ferroviária da região acompanhado pelo Sindicato dos Ferroviários (Sindifer), Conselho Municipal de Turismo, prefeitura de União da Vitória e integrantes da Secretaria de Turismo de Porto União. “Foi confirmado o que já sabíamos. Além da ausência de dormentes no trecho, há necessidade imediata de reposição de outros dormentes que foram colocados de maneira errada. Os novos, que foram colocados em substituição dos que estavam apodrecidos, precisam ser fixados nos trilhos para evitar problemas de segurança”, sentenciou.

Ainda segundo Nhoatto o prefeito Pedro Ivo Ilkiv já iniciou contato com a América Latina Logística (ALL), detentora da concessão do trecho que compreende União da Vitória e Porto União, para que a empresa seja parceira na restauração deste trecho da malha ferroviária.

Vandalismo e bicicletário

Enquanto a fase de orçamento se arrasta, a Maria Fumaça 310 é constante alvo de vandalismo. O cheiro forte de urina denuncia que a máquina é usada como banheiro público. Outros mais criativos colocam suas bicicletas cadeadas na estrutura da Locomotiva para dar uma voltinha na cidade sem medo de perder o meio de transporte. Mendigos também aproveitam para tirar uma soneca no maior patrimônio da memória ferroviária das Cidades Irmãs.

O artesão e ferroviário Luiz Jorge Uliniki denunciou pelas redes sociais a má conservação da Estação Ferroviária, que é um marco de divisa de estado entre Paraná e Santa Catarina. Pelo Facebook, Uliniki postou várias fotos com rachaduras e infiltrações. O responsável pela manutenção de prédios, como o Arco da Estação, é o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), do Ministério da Cultura, que tem a missão de preservar o patrimônio cultural brasileiro.

Capa  -  Maria Fumaça
(Bruna Kobus/Jornal O Comércio)

Uma Locomotiva a vapor fabricada em 1910 está sendo restaurada por técnicos contratados pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), no norte do Paraná. A máquina modelo Baldwin 480 foi fabricada nos Estados Unidos e pertenceu à extinta Companhia Douradense de Estradas de Ferro (CDEF). Ela foi doada para a UEL, em 1999, como patrimônio histórico. Após a restauração, a Locomotiva, também conhecida como “Maria Fumaça”, fará parte do acervo expositivo do Museu Histórico de Londrina.

Cerca de 50% do trabalho já foi concluído – a funilaria e o jateamento, por exemplo, já foram feitos. Toda a ferrugem será tirada e o veículo ganhará uma tinta anticorrosiva. Segundo o restaurador William Capello, o mais trabalhoso é reconstruir as peças que estragaram com o tempo e já não são mais fabricadas.

Assim que o trabalho for finalizado, a Maria Fumaça fará companhia a dois vagões restaurados em 2012, que também estão no Museu Histórico de Londrina. O museu ocupa o espaço da antiga Estação Ferroviária de Londrina. A restauração da Locomotiva custou R$ 40 mil, valor pago pela UEL e pelo programa municipal de incentivo a cultura (Promic). O serviço deve ficar pronto no fim de janeiro, segundo a UEL.

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