
A luta de Frei Pedrinho contra uma infecção generalizada terminou às 8h30 de ontem, 8. O religioso estava internado na Associação de Proteção à Maternidade e à Infância (APMI) de União da Vitória. Morreu, aos 42 anos, deixando um legado de doação e solidariedade. “Perdemos um pai”, disse o frei Wueslen França, que assumiu provisoriamente a paróquia Nossa Senhora das Dores, no Bairro Limeira, onde Pedrinho era pároco.
De fato, o histórico do religioso, que há pouco tempo concluía a graduação em Serviço Social, indica uma trajetória de bondade. Devoto e seguidor de São Francisco, que pregava o desapego e a humildade, Frei Pedrinho tomou a frente das duas unidades da Associação de Apoio e Restauração Divina (Acardi), entidade que acolhia homens com vícios e desassistidos da família. Trabalhava na zona Sul de União da Vitória, em um bairro carente, onde os gestos de caridade eram especialmente oportunos.
Natural da cidade de Chã Grande, Pernambuco, Frei Pedrinho foi batizado Pedro Paulino da Silva. Veio para União da Vitória há duas décadas. Na “terrinha” fundou a congregação que deu margem à instalação Acardi. A entidade virou seu sobrenome, tamanha sua dedicação a ela. “Sentimos muito. Ele era uma referência pelo seu grande trabalho. Nos unimos em toda a diocese para rezar por ele pelo descanso eterno”, lamentou em entrevista à Rádio União o bispo diocesano Dom Agenor Girardi.
Luta pela vida
A APMI não divulgou o motivo oficial do falecimento do frei. Mas, conforme mostrou O Comércio há alguns dias, o quadro de saúde já não era favorável desde o internamento, há cerca de um mês. “Ele teve duas paradas cardíacas no sábado e nesta noite (ontem) mais uma”, contou, de maneira informal, o frei Wueslen.
O problema de saúde começou em um dos pés, alcançou o sangue e comprometeu parte dos órgãos, especialmente pulmões e rins. Frei Pedrinho já esteve no Hospital São Braz, mas foi na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) da APMI que continuou com o tratamento. Ali, fez hemodiálise todos os dias. Os rins, depois de a infecção atingir os pulmões, “descompensou”, o que exigiu a interferência de máquinas no processo de limpeza do organismo.
Despedida
Desde o meio-dia de ontem, o corpo do religioso é velado na Catedral de União da Vitória. Às 9 horas de hoje uma missa especial encerra a despedida e dá início ao processo de sepultamento. Parte de sua família veio de São Paulo para acompanhar o velório e funeral. Conforme informou a equipe da secretaria paroquial, o corpo será sepultado na manhã de hoje, na Acardi I, em União da Vitória.
Missas especiais
O falecimento de Frei Pedrinho mudou a rotina das celebrações na Catedral. Em sua homenagem, quatro missas foram realizadas até às 9 horas de hoje. Elas começaram às 15 horas de ontem, continuaram às 17, às 19 e hoje, às 7 horas. Todas, abertas à comunidade. Na noite de hoje e de amanhã, as celebrações voltam ao normal, em todas as igrejas da Diocese.
Fotos: Bruna Kobus


