Luz no fim do túnel para o turismo ferroviário

Porto União é incorporada ao projeto da Amplanorte que tem a revitalização da história ferroviária como meta

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

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Túneis são atrações no percurso

O projeto é ambicioso, mas pautado na simplicidade. Ele não demanda muitas cifras e pode colocar Porto União novamente no cenário turístico. A torcida pelo sucesso em mais uma tentativa de ânimo ao turismo ferroviário é grande. A ideia nasceu há algum tempo, mas apenas em março começou a sair do papel.

A proposta é de quatro dos dez municípios da Associação dos Municípios do Planalto Norte Catarinense (Amplanorte). Unidas, as cidades de Canoinhas, Três Barras, Mafra e Porto União, pretendem fomentar o turismo ferroviário. Assim, os representantes de cada região decidiram pela reativação de parte de seus trechos. “A operação é separada, mas amparada pela Amplanorte”, explica o secretário de Cultura e Turismo de Porto União, José Carlos Gonçalves.

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José Carlos Gonçalves

Na cidade, a aposta impulsiona novamente o trecho que liga a Estação União ao Km 13. A novidade é que nas Cidades Irmãs, União da Vitória sinalizou apoio com a cessão da Locomotiva 310 para o projeto. “Essa é a contrapartida. A Amplanorte vai reformar a máquina e os trilhos”, explica Gonçalves. A Maria Fumaça só será utilizada no trecho em Porto União. A proposta já tem autorização do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) e da América Latina Logística (ALL). Entra nela, ainda, a reforma da estação de Engenheiro Mello, distante seis quilômetros do centro e ladeada por imóveis domiciliares com traços arquitetônicos significativos. Endossam o roteiro outros dois túneis e uma cachoeira, já no final do circuito. O percurso tem ainda o aroma da vegetação fechada bem como o aspecto preservado do Meio Ambiente.

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Estação Engenheiro Mello deve ser revitalizada para receber apresentações artísticas e degustação de pratos típicos

Mas, mais que um passeio agradável, a certeza de bons resultados envolve os cofres públicos. Cada cidade envolvida vai precisar desembolsar muito pouco. Porto União, por exemplo, não vai mexer em sequer R$ 4 mil por mês de orçamento. Os valores aumentam – ou diminuem – de acordo com o tamanho de sua população. “Mafra vai investir R$ 7 mil aproximadamente, Canoinhas, outros R$ 5 mil”, lembra o secretário. “Quando o projeto se sustentar sozinho, a cidade deixa de injetar dinheiro”, lembra.

Além da prefeitura, em Porto União, a gestão dos passeios à bordo da 310 e das atrações que acompanham o trecho, serão de responsabilidade da empresa, Associação Brasileira de Preservação Ferroviária (ABPF), de Rio Negrinho. A privatização deve garantir organização aos passeios, cobrança de ingressos – em torno dos R$ 55 por pessoa, mas com abertura para eventos mais populares – e criação de um site para informações.

A primeira parcela do recurso deve ser aplicada na manutenção das linhas. Hoje, a ALL é responsável pela ação mas, em alguns pontos, os trilhos aparecem encobertos pela vegetação.

projeto (1)Km 13

Em situações normais, um passeio de trem entre os quilômetros seria feito em pouco tempo, menos, talvez, que uma hora. Com o projeto, o percurso se torna mais “longo”. É provável que o mesmo trajeto seja feito em duas horas, talvez mais. “Vamos ter paradas, teatro. Temos também interesse em mostrar sobre O Contestado durante o trajeto”, sinaliza Gonçalves.

A estação Engenheiro Mello endossa a “demora”. O imóvel, que já passou por intervenção, passa por uma transformação. A proposta prevê a colocação de pratos típicos e a construção de uma plataforma para apresentações. Museu ferroviário, ainda, não esta descartado. “E mesmo tendo apoio da empresa de Rio Negrinho, nossos maquinistas não serão esquecidos. Eles também vão ajudar”, sorri o secretário.

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