Por Mariana Honesko

Aos 64 anos, a professora vive dias mais tranquilos, longe da correria do cotidiano e com o coração voltado aos seus familiares. Ao receber a reportagem de O Comércio, Marilinda Mendes de Souza sorri tímida, na tentativa de esconder o jeito mais franciscano de levar seus dias. “Vou me aposentar”, anuncia à mesa da sala de jantar. Depois de 20 anos na direção da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), a professora encerra sua carreira para cuidar mais de si.
Desde o início de setembro Marilinda usufruiu de suas férias e já emendou a primeira de sua licença-prêmio, cuja duração é de três meses, para cuidar de sua saúde, fragilizada, segundo ela, por conta do excesso de trabalho. “Não sou dona da Apae e acho que ela ficará em boas mãos”, sorriu. Nesta semana, garante, terá como único trabalho cuidar dos papeis para sua aposentadoria. Mesmo tão perto dos dias prolongados de descanso, a professora ainda mostra que vai ficar com saudade. “Mas agora vou cuidar da minha família. Depois que me aposentar, quero também trabalhar como voluntária para as entidades”, explicou. “Mas quero mesmo cuidar da minha vida e dos meus familiares”, repetiu.
Marilinda, que já acumula uma aposentadoria e uma carreira longa, trabalhou na Apae desde que ela deu seus primeiros passos. “Comecei quando a Apae tinha apenas 24 alunos e agora estamos com 213”, lembrou. Ao longo de sua carreira, a professora comemorou algumas conquistas, entre elas, a sede da instituição. Antes em comodato, o imóvel que abrigava a rodoviária intermunicipal, agora pertence à Apae. “E com isso, com o prédio sendo nosso, construímos a piscina aquecida, muros”, apontou. A Apae conta ainda com 70 funcionários e com a parceria para a manutenção de convênios.
Nova direção deve ser eleita neste ano
Com a saída de Marilinda, chefiam a Apae de União da Vitória outras duas auxiliares de direção. Mas, até o final deste ano, quando uma das licenças de Marilinda terminar, um novo nome deve ser escolhido. A professora, que ainda ocupa o cargo, é funcionária do Estado e recebeu a direção em um voto de confiança da diretoria da Associação. Com as mudanças no sistema de ensino, adotadas pelo Paraná, o processo de escolha pode ser modificado.
Instituição sofre adaptações
A reestruturação, que em duas décadas era apenas na parte estrutural, neste ano atingiu o roteiro educacional. Medida liderada pelo Governo do Estado propõe às instituições paranaenses que adaptassem sua modalidade. Agora, a Apae é uma Educação Básica em Educação Especial. “Ela deixou de ser simplesmente uma associação de pais, particular”, explica o chefe do Núcleo Regional da Educação (NRE), Revelino José Petla. Assim, a entidade alia a proposta dos cuidados físico e mental com o conhecimento. Dependendo da capacidade intelectual, os alunos recebem, inclusive, noções de alfabetização. O NRE participa com os cuidados com essas adaptações, bem como com o fornecimento de merenda e de parte do corpo docente.