No meio do caminho havia uma pedra…

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

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Júlio César Domingues (Bruna Kobus/Jornal O Comércio)

Aos 27 anos e dono de uma cadeira de rodas bem cuidada, Júlio César Domingues não perde o sorriso. O rosto contente disfarça as dificuldades de quem vive sobre duas rodas e depende das condições do tempo e da estrutura das cidades para viver um pouco melhor. No entanto, mesmo no ápice das discussões sobre acessibilidade, ele e outros tantos cadeirantes e pessoas com limitações motoras comprovam em seus cotidianos que nem tudo vai bem. O jovem aceitou o convite da reportagem de O Comércio e mostrou os desafios que uma simples saída de casa para o trabalho envolve. “Faço um rally todos os dias”, compara, com bom humor.

A brincadeira se torna coisa séria há poucos metros de casa. Júlio, morador do Distrito de São Cristóvão, trabalha no centro de União da Vitória. Entre o lar e o emprego gasta, em média, 20 minutos. No caminho, precisa enfrentar a pressa dos motoristas e calçadas em condições bastante ruins. Desníveis, buracos, pedras soltas, postes e placas, obrigam Júlio a dividir espaço com os veículos. “Ando muito mais tempo no asfalto do que nas calçadas”, afirma. A escolha da rua como alternativa se tornou ainda mais urgente quando o cadeirante caiu ao tentar passar por um buraco. O asfalto também se torna conveniente diante da falta de rebaixamento dos meio-fios. Sem eles, Júlio precisa “saltar” com a cadeira de rodas. A manobra é arriscada e já custou novos tombos.

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A exceção vale para praças e prédios públicos: a maioria garante o acesso com tranquilidade de quem tem limitações (Bruna Kobus/Jornal O Comércio)

Os desafios de Júlio são compartilhados com outros cadeirantes que moram em União da Vitória. Não há um levantamento que contabiliza a população mas, apenas na Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae), eles são em 30. Driblam, ainda, as mesmas dificuldades, os deficientes visuais. Cegos e os de baixa visão também dependem de suas habilidades para vencer os obstáculos. “Ainda temos dificuldades, especialmente nas calçadas. Os acessos também não estão adequados. Ainda estamos na esperança que isso melhore mais”, avalia a auxiliar de direção da Apae, Cláudia Schena Rotta. Segundo ela, os limites ainda fazem reféns os alunos da instituição. Um simples passeio na rua, hoje, precisa de planejamento. A exceção vale para praças e prédios públicos: a maioria garante o acesso com tranquilidade de quem tem limitações. Para Cláudia, mesmo diante de um cenário complicado, alguns avanços são visíveis. Estes, garante a auxiliar, beneficiam especialmente as pessoas cuja visão é comprometida. “As calçadas tem o piso tátil e isso ajuda muito”, elogia. Os passeios ainda ocorrem, mas, sob-riscos. “Eles ainda ocorrem, mas sabemos que tem os prós e os contras”, sorri.

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Já está em fase de projeto a padronização das calçadas que ficam na Avenida Manoel Ribas (Bruna Kobus/Jornal O Comércio)

Em União da Vitória, as dificuldades em acessibilidade podem ter uma página virada. Pelo menos é o que defende a prefeitura. De acordo com a secretaria de Planejamento, já está em fase de projeto a padronização das calçadas que ficam na Avenida Manoel Ribas. A meta é traçar o mesmo plano até a Rua Matos Costa, já em Porto União. O Governo Federal já liberou o recurso e cerca de R$ 600 mil devem ser aplicados na proposta. O secretário Jamar Clivatti garante que o padrão é bem diferente do que já foi feito em alguns passeios. No centro, especialmente, houve apenas o recorte da calçada para a colocação da “lajota podotátil”, aquelas peças avermelhadas, para a leitura dos cegos. “Era uma exigência do Paraná Cidade e em várias cidades isso ocorreu, mas agora não será mais algo parcial. Vamos trabalhar dentro do projeto de acessibilidade”, explica Clivatti. A ação da prefeitura vai servir como modelo. O sistema deverá ser replicado nos bairros, especialmente nas novas construções. Quem erguer suas quatro paredes, vai precisar pensar nas pessoas que passearão por lá.

Fórum discute acessibilidade

Promoção da Uniguaçu, em parceria com órgãos públicos e de classe, discutem o tema na próxima semana. O evento ocorre no dia 3, a partir das 18h30, no auditório da instituição.

Fotos: Bruna Kobus/Jornal O Comércio 

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