Meninas são maioria nos casos de abuso sexual

Números da região estimularam criação do projeto Confiar, que será lançado hoje em União da Vitória

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Atualizado há 10 anos

Elas são meninas, a maioria menor de 12 anos, vítimas do padrasto. Estes são alguns dos dados mais surpreendentes levantados pela equipe que compõe o Confiar, projeto que será lançado hoje em União da Vitória. Na verdade, os dados pouco animadores estimularam a criação de um programa capaz de dar suporte às vítimas, além de estimular a redução dos casos de abuso sexual. Prevenir e ouvir são lemas que no Confiar caminham de mãos dadas. A ideia é pioneira, já que irá reunir todas as áreas do judiciário, além de advogados de acusados e vítimas, ao acompanhamento psicológico de crianças violentadas sexualmente.

O Confiar nasceu na Vara da Infância e Juventude local e ganhou apoio de profissionais de diversas áreas. Depois de dois anos de trabalho, nasceu uma rede, bem montada, que poderá, a partir de agora, ajudar quem sofre calado. Durantes estes dois anos, a equipe se debruçou sobre os melhores exemplos do gênero, do País e até do exterior, para criar algo prático e humanizado. Deu certo. “Ao longo deste tempo fomos executando nossas ideias. Já no lançamento do projeto temos 90 vítimas já ouvidas pela escuta humanizada”, conta o juiz de Direito da Vara da Infância, Carlos Eduardo Mattioli Kockanny. “E acreditamos que com o lançamento isso aumente de maneira significativa”, completa.

O lançamento, marcado para logo mais, às 13h30, acontece apenas agora por conta de uma preocupação dos envolvidos. A ideia era apresentar algo bom, viável, dentro das mais modernas orientações neste contexto. “O projeto vai transformar bastante como já se resolve a situação”, explica o magistrado. “O nome Confiar não é por acaso”, completa.

Além das vítimas do abuso, o projeto deve orientar também os casos de acusações injustas. Como se trata de algo bastante grave, supostos culpados recebem auxílio. Para a equipe, o sentimento é de dever cumprido, mas a certeza de que o projeto é apenas a ponta do iceberg. “De cada dez casos de abuso, apenas um se torna público”, confirma Kockanny. Mesmo assim, os índices da região do Vale do Iguaçu são altos. A proposta é delicada: ouvir vozes até então caladas pelo medo.

Estatísticas

Perfil das vítimas

Maioria meninas, menores de 12 anos

Perfil do agressor

Pais e padrasto são os maiores abusadores

Cidade

União da Vitória lidera o ranking de casos: na cidade, 29 situações foram registradas

Lançamento do projeto

Onde

Auditório da Unespar, de União da Vitória

Quando

Hoje, às 13h30

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