Por Mariana Honesko
Os recentes casos de suicídio nas Cidades Irmãs – foram dois em uma única semana – mobilizaram uma nova discussão sobre os serviços de auxílio para pessoas depressivas e com tendências para a ação. Nesta semana o vereador Altair Lourenço de Souza (PT) de União da Vitória, falou sobre o tema durante a sessão da câmara. No plenário, foi aberto e falou sobre casos registrados em sua própria família. “Vejo outras pessoas sofrendo e a gente sabe que não é fácil”, diz. Para ele, o serviço que prestava o Centro de Valorização da Vida (CVV) era fundamental e, por isso, necessário que seja retomado. Souza promete iniciar uma mobilização para que as atividades retomem.
A lembrança do nome da instituição levantou outra discussão: afinal, o que houve com o CVV? A explicação não é boa. Segundo Elizabeth Roiek, uma das fundadoras do serviço nas Cidades Irmãs, as portas se fecharam pela falta de voluntários. Essencialmente abnegado, a atividade não remunerava e exigia dedicação de quem estava do lado de cá da linha telefônica. “É difícil manter. Tem a parte financeira e o voluntário. Ele é uma ação voluntária, mas também faz algumas exigências. Além dos cursos, a pessoa precisava ter boa vontade”, explica. O “dar de si”, pelo jeito, não funcionou plenamente nem nos quatro anos em que esteve em vigor. Os plantões, que deveriam ser de 24 horas, tinham duração bem menor. Já na época, a falta de voluntários reduzia o tempo disponível.
Durante seu funcionamento, o serviço esteve instalado no centro de União da Vitória – em cima da loja Comercial Bandeirante – e encerrou suas atividades na Central da Cidadania, em Porto União. O CVV não dispunha de “0800” ou outros números gratuitos e de fácil memorização. Ainda assim, os atendimentos atingiam moradores das Cidades Irmãs e de outras regiões também: em média, até cem pessoas procuravam ajuda pelo telefone. Na época, cerca de 20 voluntários atendiam ao púbico. “Dava trabalho, mas a gente ajudou muitos”, sorri Elizabeth. “Se cada um ajudou dez pessoas em quatro anos, fizemos um bom trabalho”, avalia.

O CVV trabalhava na prevenção do suicídio. A ideia, garante a fundadora do serviço, era fazer quem estivesse do outro lado da linha refletir sobre o que causou o pensamento suicida. “Era preciso estar disposto a ouvir, não apenas a escutar as pessoas”, explica Elizabeth.
A decisão por fechar as portas ocorreu há cinco anos, mas os voluntários apostam em sua importância e no valor de um possível retorno. Além de ser uma instituição presente em todo o país, dizem, ela é fundamental na região, já que os índices de suicídios são grandes bem como o número de pessoas com depressão e outras doenças mentais associadas à “tristeza”. “É muito necessário o retorno. A cidade é depressiva. É só ver a quantidade de suicídios que temos por aqui”, comenta.