Moradora de União da Vitória descobre câncer após ter sido atropelada

Está é uma história que não teve um desfecho de revolta, mas sim um recomeço de superação

·
Atualizado há 14 anos

Wannessa Stenzel/Jornal O Comércio

Em junho deste ano Irene Loth Szczetanski, moradora do Distrito de São Cristovão, aproveitou a manhã para visitar os jazigos de familiares no Cemitério Municipal de União da Vitória. Da sua casa ela veio de bicicleta até a área central. Para quem a conhece, sabe que a dona Irene, como é conhecida, é ágil e de bem com a vida. Os 67 anos que constam em sua identidade não representam nada. Irene tem a maestria de uma jovem menina para lidar com os percalços da vida.

E foi exatamente isso que aconteceu. Pois bem, voltando a visita aos jazigos… Dona Irene conta que naquela manhã os anjos estavam com ela. Ela entrou no cemitério e contou que esperou até 12h10 para voltar para casa. O motivo se devia ao fluxo de veículos no horário do almoço. Ela olhou para os lados e não via ninguém.

Empurrando a bicicleta ela levou um enorme susto. Uma mulher saiu de uma garagem das proximidades do cemitério e atropelou dona Irene. A simpática senhora afirmou a condutora que lhe prestou atendimento imediato, de que estava bem e que seguiria o trajeto de casa.

Ao chegar a sua morada, Irene sentiu fortes dores no braço direito. O filho Paulo (Purga) e o esposo Luiz Carlos (Carlito) incentivaram-na a procurar um médico. E foi aí que tudo começou.

Resultado
Dona Irene recebeu o resultado dos exames. O médico que lhe atendeu pediu que ela procurasse um oncologista o quanto antes. Dona Irene, então muito confiante, procurou o especialista. Ela relata que não haveria de ser nada, pois não sentia dores, nem fraqueza, nenhum sintoma que pudesse caracterizar uma doença – além é claro da dor no braço direito em virtude do atropelamento. O resultado não foi animador. Dona Irene estava com câncer de pulmão.

A triste notícia
Contar à família que estava com câncer foi uma tarefa difícil à dona Irene. Ainda mais porque já conhecia o histórico do tratamento de amigos de conhecidos que padeciam da doença. Foi neste momento que a senhora estremeceu as bases. Um súbito desânimo acometeu aquele lar que era tomado por sorrisos e brincadeiras.

Tratamento
Em agosto, já conformada com a notícia, Irene inicia o tratamento quimioterápico para o combate ao problema. Entre uma seção e outra de quimioterapia, Irene ergueu a cabeça e passou a encarar o problema como uma mensagem divina. “As quimioterapias não foram nada fáceis. Eu sentia enjôo, dores no corpo, mas não desanimei. Segui em frente.”

Perda dos cabelos
Irene é vaidosa que só! Entre os percalços da doença, o mais difícil foi encarar a perda dos cabelos mediante a forte medicação. “Para a mulher é difícil perder os cabelos. Os fios fazem a feminilidade da pessoa. Foi então que pedi para as amigas de um salão para que raspassem meus cabelos. Ninguém tinha coragem. Eu disse que estava bem, mas eram as amigas que choravam”. Irene hoje não se intimida por estar sem cabelos. Disse que comprou lenços para adornar com as roupas de todas as cores, alguns até com brilhos.

Câncer tem cura
Irene confirma que agora vai ajudar pessoas com câncer. Ela quer que seu depoimento entre no coração de quem padece com a doença. “O câncer tem cura, mas é preciso buscar tratamento e acreditar. É preciso coragem e forma de si mesmo”.

Calor humano
O que ajudou Irene a superar os desafios foi o calor humano de familiares e amigos. Ela conta que nos momentos em que esteve internada os enfermeiros até brincavam que não se lembravam de alguém ter recebido tantas flores assim como ela. A vizinhança se mobilizou com palavras de carinho e orações.

O acaso
Obra do acaso ou não, Irene foi surpreendida por uma história que nunca imagina contar. Ela e o filho Paulo chegaram a conclusão de que a mulher que a atropelou foi uma enviada de Deus. “Pois se não fosse ela me atropelar eu não teria iniciado um tratamento contra o câncer. É claro que descobri de uma maneira nada legal, foi assim que era para ser.”

Um agradecimento
Irene afirma que quer conversar com a pessoa que a atropelou. A conversa ainda não aconteceu porque na hora do acidente Irene se esqueceu de perguntar o nome da condutora e reparar de onde ela veio. “Tomara que a condutora leia esta reportagem e me procure. Foi ela quem me salvou!”

Em tratamento
Irene finalizou em novembro suas quimioterapias. No próximo dia 19 ela tem consulta médica. Será neste dia que o médico irá reavaliar seu quadro clínico. “Estou confiante”, admite.

Cheirinho de café
A casa de Irene é um encanto, toda organizada. Mesmo diante de tudo o que passou não deixou de bordar e costurar. Seus hobbies foram mantidos para passar o tempo. O cheirinho delicioso de café também é marca registrada [sei disso porque tive a oportunidade de experimentar.

Papai Noel
Irene e o filho Paulo são conhecidos no Distrito de São Cristovão pelas realizações de Natal Solidário. Com a ajuda da vizinhança, no Natal mãe e filho distribuem doces para as crianças carentes. Inclusive ela se caracteriza de mamãe Noel. “Em virtude do tratamento da doença, o Natal Solidário vai ficar para o próximo ano”.

Planos
Irene está cheia de planos para 2013. Em fevereiro tem viagem marcada para Goiás. Ela pretende visitar o Santuário do local para agradecer pela vida. Deus me deu a chance de valorizar ainda mais a vida.”

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!