Por Mariana Honesko

O destino de mais de 40 famílias vai mudar e a aposta da equipe da Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar) é que seja para melhor. É da instituição, apoiada pela prefeitura de União da Vitória, a iniciativa que prevê o realocamento dos moradores da Autopista João Reolon, entre os bairros Rio d’Areia e Monte Castelo.
A área é de invasão, ocupa o que deveria ser mata ciliar e arrasta-se assim por pelo menos 40 anos. O desempregado Sebastião de Oliveira pertence à uma das famílias que teriam desbravado o local. “Meu pai tinha negociado o terreno há 40 anos. Eu moro aqui há 20. Era um lugar bom, mas ficou ruim por conta do movimento intenso”, diz. Sua cunhada, Tereza, é vizinha de Sebastião e, como ele, também vê no movimento maior o fim do ritmo tranquilo e da segurança. “Por isso é melhor sair daqui mesmo”, sorri. Mãe de quatro filhos, a dona-de-casa Janete Aparecida Domingues não vê tanta necessidade de mudança. “É bom morar aqui. Não gostaria de sair, mas vai ser preciso”, diz a moradora da casa marcada com o número nove.

As opiniões são diferentes mas a decisão está tomada: projeto da Cohapar prevê a mudança dos moradores para uma nova área. Trata-se do conjunto habitacional que será construído próximo ao Loteamento Angélica, no São Gabriel. No total, serão 50 imóveis “patrocinados” pelos governos Estadual e Municipal. “Temos moradores de regiões próximas da Autopista que também serão colocados ali”, explica o chefe do escritório em União da Vitória da companhia, Júlio Adilson Pires.
A previsão é de que os moradores da região, Ribeirinha II – o Ribeirinha I envolvia os grupos do final da rua Cruz Machado, no centro – estejam com as chaves da casa própria em mãos até o final do ano. Pelo imóvel, não será preciso pagar nada: a cessão governamental é integral. “Não são casas geminadas. Elas são pré-moldadas, com dois quartos, sala, cozinha e banheiro e ficam apenas 1,5 quilômetro para frente de onde estas famílias já estão, sem risco e com espaço”, observa Pires.

A partir da entrega das novas casas, as antigas moradias serão demolidas. A medida garante que outras invasões não ocorram. Ainda, o fornecimento de energia elétrica e água tratada serão encerrados. Conforme a Cohapar, todas as negociações envolvendo os terrenos ocupados no Ribeirinha II são clandestinos. Não há escritura, apenas acordos informais e sem validade legal.
Mais uma centena de casas
O terreno amplo e livre de cheias deve ser melhor aproveitado. Conforme a Cohapar, além das 50 casas, outras 112 serão erguidas. Estas, contudo, ficam à disposição da comunidade, para compra e pagamento parcelado. “São casas que devem beneficiar especialmente os trabalhadores das indústrias que ficam no São Gabriel, por exemplo, e que moram em São Cristóvão, Santa Rosa”, explica Pires. Diferente dos 50 primeiros imóveis, a outra centena não deve ser concluída ainda neste ano, mas o desenvolvimento do projeto ocorre de modo paralelo.

Recuperação
A área então ocupada na João Reolon deve passar por um processo de revitalização, como o que ocorreu na Cruz Machado. Além do plantio de vegetação, para a reintegração da mata ciliar perdida, o espaço deve receber uma ciclovia, já que a Autopista, com movimento intenso, não dispõe de espaço para o trânsito de quem está de “bike”. A proposta prevê ainda uma ação mais profunda na questão do saneamento. Nas casas ribeirinhas, o esgoto seguia para o Iguaçu sem qualquer tratamento.