Por Mariana Honesko

A paisagem agrada os visitantes. Afinal, a combinação da vegetação densa com as grandes pedras, visíveis e palpáveis, é digna de um belo cartão postal. Mas, as placas ao longo da autovia Wenceslau Braz alertam para o perigo: o trecho é sujeito à queda de barreiras. A possibilidade ao longo do trajeto foi mapeada pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER). Conforme o órgão, é dele a responsabilidade pela sinalização, reparos na malha asfáltica e na eventual queda de rochas ou árvores do morro. “O leito estradal (sic) é de nossa responsabilidade. O asfalto está normal. Não temos buracos naquele trecho”, comenta o chefe do órgão em União da Vitória, Fernando Martins.

De fato, a pavimentação não apresenta danos. Mas, diante do trânsito intenso de caminhões – o trecho é um dos acessos à União da Vitória – pode ter problemas e gerar alguns outros. A análise é do técnico em meio ambiente, Osni Gilberto Schroh. “A circulação de carros e caminhões é grande e gradativamente pode deslocar o solo”, explica. A ação terá uma reação e para Schroh, a principal é o desabamento de pedras e terra do morro. “Além disso, tem a chuva. Ela penetra e acelera a erosão natural”, completa.
E é justamente em dias chuvosos quando os moradores e trabalhadores do Bairro Dona Mercedes, onde fica o trecho, tem mais temor. “Passo todo dia por aqui de moto. Minha filha passa de van. É perigoso. Passo com medo, especialmente quando chove”, conta a auxiliar de cozinha Miguelina Chalamai, que mora há dez anos no próprio morro, em uma das chácaras privadas. Seu sogro, o caseiro Valdemar Javonski, também não esconde seus receios. “Tenho medo”, afirma. O empresário Nelson Presendo, que tem sua empresa instalada no Mercedes, utiliza a Wenceslau Braz várias vezes em um único dia. “A gente tem muito medo da queda de barreira. Quando chove, o medo é maior”, indica.

A chuva não é exatamente vilã. Ocorre que, de acordo com especialistas, o morro sofreu com a retirada da vegetação. Assim, a chuva que cai, por não ter “barreiras”, penetra no solo ou escorre por ele, quando em excesso. “Essa retirada de árvores, de vegetação, ocorreu para que a pista fosse alargada. Antes era um trecho mais curto, onde passava no máximo uma carroça, um carro eventualmente. A cidade cresceu, o movimento aumentou e o espaço precisava ser maior”, lembra o técnico em meio ambiente.
O Secretário de Planejamento da prefeitura também vê na falta de projetos os motivos para a criação dos riscos. “Foi um erro de planejamento da cidade, há muito tempo. O erro é histórico, por briga política”, comenta Jamar Clivatti. Estudos confirmam o “barulho” na década de 40, quando a Ponte dos Arcos (oficialmente Ponte Manoel Ribas) foi criada e a localização dela, longe do nascimento do Bairro São Cristóvão e distante da divisa com Santa Catarina, aconteceu. “A ponte termina no paredão do morro. Hoje, uma ponte nunca seria feita naquela localidade”, afirma Clivatti. Mais tarde, a construção da ponte Domício Scaramella, em 1986, supriria a necessidade de um escoamento – e localização – adequada.

Convivendo com o risco
Mesmo estando em um local questionável, a Ponte dos Arcos é bastante utilizada, assim como o trecho sinalizado como arriscado. Para Clivatti, não há muito que fazer diante dos riscos. O jeito, diz, é conviver com ele, do melhor modo possível. “Onde tem encosta, tem a possibilidade de queda de barreira”, diz. A interdição do trecho, segundo ele, só deveria ocorrer a partir de quedas constantes de rochas ou qualquer outro elemento do morro. Há pouco tempo, uma grande rocha desprendeu-se do morro. Na ocasião, ninguém ficou ferido.
Schroh também compartilha da sugestão mas aposta em uma intervenção. Para ele, a construção de um muro de concreto armado, poderia conter a erosão. “Seria interessante também retirar a água excedente por meio de canos, de dutos”, acrescenta. A medida, diz, evita danos ambientais, pode atrasar o processo de queda e dar mais segurança para quem depende do trecho.

O mapa do trecho
A autovia Wenceslau Braz é assistida por dois órgãos diferentes. O trecho à direita da Ponte dos Arcos (no sentido centro para os bairros) é do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit). Já no sentido à esquerda da ponte, o DER assume as intervenções.




