No relógio, 14h30 de sexta-feira, 4, quando policias civis, investigadores, promotores e peritos chegaram ao Conjunto Porto União para realizar a reconstituição do homicídio de Maria da Conceição de Lima Lopes. Na entrada do Conjunto, muitas crianças e adolescentes seguravam cartazes pedindo justiça no caso. Segundo a prima de um dos suspeitos preso, os verdadeiros assassinos ainda estão soltos.
Foram cinco mandados de prisão cumpridos pela Polícia Civil de Porto União e Divisão de Investigação Criminal (DIC), mas apenas três pessoas ficaram presas pela suspeita de matar Maria na noite de 1º de setembro. Otair Souza de 22 anos, João Carlos Kresco de 19 anos e Geraldi Ivor Jacoski também de 22 anos são os acusados de espancar, matar e ocultar o corpo de Maria da Conceição.
No local da reconstituição a família da vítima também estava presente. O irmão e sobrinho de 20 anos acompanharam os investigadores até a casa 203 onde Maria morava sozinha.

Dentro de um Pálio preto com vidro fumê estava a testemunha do caso. O carro ficou parado em frente ao córrego onde o corpo da vítima foi encontrado. De dentro do carro, olhando para o riacho, o homem contava cada momento desde a morte à ocultação do corpo de Maria.
Reconstituição
Na noite de 1º de setembro Maria desceu de sua casa com o sobrinho, na esquina se despediu e foi em direção a um bar onde estavam alguns conhecidos. Os três suspeitos também estavam lá, bebendo.
Segundo o Delegado do caso, Wellington Spiacci, Maria e os rapazes conversaram por algum tempo e foram até uma rua escura. Até o momento tudo estava normal, mas foi quando Maria se recusou fazer relações sexuais com um dos rapazes que tudo começou.

Um jovem segurou o pescoço de Maria por trás, o outro deu uma rasteira em suas pernas e o terceiro pegou uma telha que estava no chão e começou a bater na cabeça de Maria.
“A primeira telha quebrou, só que Maria já estava desacordada, mas o suspeito subiu novamente, a uns 50 metros onde estavam as telhas, e desceu com uma segunda telha, e continuou a bater na cabeça de Maria. Ela aparentava estar morta, mas os rapazes -para esconder o corpo – a colocaram dentro da tubulação”, detalha Spiacci.
O delegado ainda conta que Maria ficou agonizando da meia noite de 1º de setembro até às 10h30 do dia seguinte, 2 de setembro.
“Depois que recebemos a informação de que havia uma pessoa morta no Conjunto Porto União fomos até o local. Se tivéssemos recebido a informação antes, poderíamos ter salvado Maria”, supõe Spiacci.

De acordo com laudos médicos Maria faleceu por volta das 10h30 e a Polícia chegou ao local às 11 horas, após denúncia de moradores do Conjunto.
O corpo de Maria da Conceição de Lima Lopes em seguida foi levado para avaliação do Instituto Geral de Pesquisa (IGP) e testes foram realizados, posteriormente, em Florianópolis.
“Recebemos os testes e não consta a presença de sêmen no corpo de Maria. Mas, vamos aguardar um novo laudo do nosso (DIC) perito João, para saber se a vagina da vítima não foi lavada pela água, já que ela estava em uma tubulação no córrego”, conta Wellington.
Maria da Conceição
Maria morava há pouco mais de um mês no Conjunto Porto União. Ela já foi casada e tem um filho de aproximadamente 22 anos. Maria da Conceição, de 44 anos, morava sozinha e trabalhava muito, segundo depoimento de vizinhos.
Suspeitos

A família dos três suspeitos de matar Maria da Conceição está desamparada com a situação. Dona Maria Dolores Ferreira dos Santos tem 64 anos não precisava trabalhar até seu filho Otair ser preso. “Ele era o único que me ajudava em casa”, fala com a voz embargada.
A namorada de Geraldi, Luana Aparecida de 18 anos, acredita que seu companheiro não vez nada de errado. “Ele nunca foi violento, estou com ele há 5 anos e nunca aconteceu nada, ele não ia fazer isso sabendo que tem uma filha”, afirma.
O casal ainda foi no velório de Maria. “A gente foi no velório e lá ele até perguntava quem era a mulher, ele só conhecia o filho dela, porque estudou com ele”, ressalta Luane.
Já a mãe de João Kresco, Isabel Kresco afirma estar com medo. “A gente sai na rua e todo mundo fica olhando, tem gente que até ameaça. Meu filho não fez isso, a vida dele era trabalhar.”
Familiares dos suspeitos pedem menos injustiça no caso. Mas segundo Wellington, na próxima semana o processo será finalizado e enviado ao Judiciário. Junto será anexado um pedido de prisão preventiva dos suspeitos.

Desde o cumprimento do mandado os três jovens estão presos na Unidade Prisional Avançada em Porto União. “De lá só o Juiz vai decidir para onde eles vão”, afirma Spiacci.
Se for confirmada autoria do homicídio por parte dos três suspeitos, Otair, Geraldi e João, podem pegar mais de 40 anos de cadeia. “Eles podem ficar presos por três crimes: homicídio triplamente qualificado, estupro e ocultação de cadáver, somando, a pena pode passar de 40 anos, mas no Brasil se cumpre no máximo 30 anos de pena”, afirma o Delegado.


















