Motoristas “completam tanque” por receio do movimento

Paralisação dos caminhoneiros pode atrasar entregas, inclusive, de combustível. Supermercados já sofrem com atrasos

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

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Ontem, às 15 horas, movimento era intenso no Posto Ipiranga, no centro de União da Vitória. (Foto: Mariana Honesko).

O protesto dos caminhoneiros pode comprometer o abastecimento de uma série importante de suprimentos. Em alguns lugares, medicamentos e combustível já estão em falta. Nas Cidades Irmãs, as bombas seguem cheias e não há, por enquanto, com o que temer.

Mas, conforme os funcionários dos postos, parece que os motoristas não querem esperar para ver o desdobramento da greve. “O aumento dobrou e o pessoal está pedindo para completar o tanque”, informou uma funcionária do Posto Líder, em Porto União. O efeito tem se replicado nos demais estabelecimentos do gênero. Todos, sem exceção, não negam o “efeito greve”, que tem impulsionado a compra acelerada – e até exagerada – do produto. Em União da Vitória e Porto União, nenhum posto sinalizou o fim do estoque ou o comprometimento do abastecimento.

Por outro lado, os supermercados da região já colhem os primeiros resultados da interrupção do trabalho. Nas lojas do Superpão em União da Vitória, produtos para o setor de hortifruti não estão chegando. Além disso, os fornecedores de carne também estão com a entrega atrasada. O movimento maior nas terças-feiras, por exemplo, foi bem diferente ontem: por conta da quantidade baixa de produtos, o consumo caiu.

No Glória, outro empreendimento de grande porte da cidade, a entrega de mercadorias está atrasada todos os dias, em cerca de 60 minutos. Em ambos os endereços, as informações foram repassadas pelo Centro de Processamento de Dados (CPD).

Quem se prepara para dias difíceis é também a Secretaria da Saúde de União. Na Farmácia Básica, a entrega ainda não foi afetada, porém, a expectativa é grande para a próxima distribuição de medicamentos, marcada para o dia 9 de março. Em Porto União, nem entrega ou distribuição para os pacientes do Sistema Público foi afetada.

Entenda a greve

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No acesso a União da Vitória, embora tímido, movimento fluía normalmente, até o final da edição de ontem

Os protestos começaram no dia 13 e se intensificaram após o Feriado de Carnaval. Eles ocorrem especialmente no Paraná mas já comprometem vários estados brasileiros. A classe reivindica melhores estradas, mudanças na tabela do frete (para que seja cobrado por quilômetro rodado e não mais por viagem) e redução do preço dos combustíveis. Os caminhoneiros também contrariam os preços dos pedágios no Paraná.

Em nota, a Federação das Empresas de Transporte de Cargas do Estado do Paraná (Fetranspar) disse não concordar com a mobilização dos caminhoneiros. “Os transportadores estão contabilizando prejuízos e pedem medidas urgentes do Governo Federal, no entanto não compactuam com o movimento dos caminhoneiros, pois bloquear vias não é a melhor maneira de protestar”, afirmou o presidente da entidade, Sérgio Malucelli, em comunicado disponível no site corporativo.

Mais itens da pauta

Os manifestantes pedem também a carência de seis meses a um ano para os financiamentos de veículos de carga, aposentadoria integral aos motoristas profissionais com 25 anos de contribuição e reajuste do preço de combustível a partir do valor do barril do petróleo no mercado internacional.

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