Por Mariana Honesko
A África chora a morte de um pai. Pelo perfil terno e pacífico, o líder Nelson Mandela, que quebrou barreiras por orquestrar mudanças de maneira serena mas firme, é lembrado com carinho. Não só na África: a comoção atinge o mundo todo que desde às 20 horas desta quinta-feira, 5, chora pela irreparável perda. “O mundo perdeu um grande ser humano”, sintetiza o historiador Aluísio Witiuk, professor universitário nas Cidades Irmãs. “Perdemos uma pessoa que só queria a paz. É uma lição em todos os sentidos para nós e para os governantes. Ele usou o poder para o bem comum. Ele mostrou que é possível promover a paz”, completa.
Mandela morreu em Pretória, em casa. Aos 95 anos, não resistiu ao tratamento de uma infecção pulmonar. A história, dizem os especialistas, adormeceu órfã. “O papel dele na liderança foi fundamental. Foi um grande líder, era humilde e ele se destacou por ter essa posição mais tranquila”, avalia o doutor em História, Ilton César Martins, professor da Faculdade Estadual de Filosofia, Ciências e Letras (Fafiuv).
O homem que sabia lutava
Considerado um dos maiores heróis da luta dos negros pela igualdade e pelos direitos no País, “Madiba”, como ficou conhecido na África do Sul, foi um dos principais responsáveis pelo fim do regime racista do Apartheid, entre os anos de 1948 e 1993. Ficou preso durante 27 anos, ao lado de outros sete colegas, acusados de sabotagem. Mesmo na cadeia, não perdeu o foco e manteve o espírito de luta e liberdade do povo.
Cursou Direito, foi eleito presidente da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1994, ganhou o Nobel da Paz, foi eleito presidente da África do Sul aos 75 anos e aos 80, casou-se novamente. Em 2008, na comemoração de seus 90 anos, uma estátua de Mandela foi erguida na Praça do Parlamento, em Londres. Sua história virou filme, sua luta, uma bandeira de paz.
Despedida
O corpo de Mandela será enterrado de acordo com sua vontade, na aldeia de Qunu, na pobre província do Cabo Leste, onde cresceu. No mesmo local estão os restos mortais de três de seus filhos. O funeral do líder deve durar 12 dias.
No Brasil, luto é de sete dias
A presidente Dilma Rousseff decretou luto oficial de sete dias em homenagem ao falecimento de Nelson Mandela. Dilma deve participar do velório na próxima semana. Em nota de pesar, a presidente lamentou a perda e disse que o exemplo do líder “guiará todos aqueles que lutam pela justiça social e pela paz no mundo”.
“Nosso grande medo não é o de que sejamos incapazes. Nosso maior medo é que sejamos poderosos além da medida. É nossa luz, não nossa escuridão, que mais nos amedronta. A medida que deixamos nossa própria luz brilhar, inconscientemente, damos às outras pessoas permissão para fazer o mesmo”
Nelson Mandela (1918 – 2013)