Por Mariana Honesko

Após três anos de pesquisa, o Centro Paleontológico da Universidade do Contestado (UnC), o Cenpaleo, em parceria com o Museu Nacional do Rio de Janeiro (RJ), e com a colaboração de pesquisadores da UEPG e UFPR, anunciou oficialmente nesta semana a descoberta inédita de uma nova espécie de réptil encontrado na região Sul do Brasil.
Os fósseis são de aproximadamente 70 milhões de anos e representam, segundo o coordenador do Cenpaleo, professor e doutor, Luiz Carlos Weinschütz, uma descoberta de fundamental importância para a ciência em escala mundial.
Durante as escavações no sítio paleontológico, mais de cinco toneladas de blocos de rochas com fósseis foram coletados em quatro campanhas de campo. A análise do material foi realizada no laboratório do centro paleontológico.

Descoberta
Trata-se, na prática, da identificação de um conjunto de fósseis de 47 pterossauros – répteis voadores pré-históricos – de uma espécie até agora desconhecida. O material foi encontrado no município de Cruzeiro do Oeste (PR). “Isso é algo inédito e o encontro de tantos crânios é bem incomum para a paleontologia”, afirma Weinschütz.
Mais do que surpresa, o encontro de uma quantidade expressiva de crânios levanta outras questões sobre a espécie. Já é possível afirmar, por exemplo, que estes animais viviam em bandos. Concentração semelhante só havia ocorrido em outros dois sítios, na Argentina (em 1990) e na China (em junho deste ano). A concentração tão grande de animais tem na condição do local sua melhor explicação. Na época, a região era um deserto e provável que o bando encontrasse por perto algo parecido com um oásis.
Conforme o coordenador do Cenpáleo, a pesquisa que acaba de ser apresentada à comunidade científica já tem desdobramentos. “Encerramos e apresentamos a pesquisa com 47 crânios mas já encontramos 50 e acreditamos que deve ter muito mais”, revela. “Anunciada a espécie para a comunidade cientifica, vamos detalhar o estudo. As escavações continuam”, confirma.

O conjunto de fósseis foi encontrado por acaso. Um agricultor percebeu o material durante a construção de uma valeta para desvio de água em uma estrada rural. Depois, informou a descoberta aos pesquisadores. Hoje, a prefeitura de Cruzeiro do Oeste desviou o trânsito no local, para a execução do trabalho científico. Até a descoberta, a paleontologia brasileira só havia identificado a espécie na região Nordeste. A ocorrência é raríssima no interior de continentes. “O pterossauro não é um dinossauro que voa. Eles conviveram quase ao mesmo tempo, são contemporâneos, primos na evolução”, lembra Weinschütz.

Sobre o animal
A conclusão dos pesquisadores é de que os pterossauros voavam muito precocemente. A espécie é um elo entre os vertebrados terrestres e os voadores. O tamanho do pterossauro variava de 65 centímetros à 2,35 metros de envergadura (distância entre as pontas das asas). Os animais não tinham dentes e possuíam um bico voltado para baixo, com cristas, tanto na arcada superior como inferior. Os pterossauros se extinguiram por completo: não há nenhum animal similar na Terra.
Escavação
Além da estrada rural, parte dos fósseis foi encontrada em barrancos próximos. Segundo Weinschütz, a área deve conter muito mais fósseis do que os descobertos até agora. Foram escavados até agora 20 metros quadrados mas é provável que haja mais material em até 400 metros quadrados. Os fósseis estavam em camadas de arenito com aproximadamente 1,5 metro de espessura. Há cerca de 70 milhões de anos, a região onde houve o encontro era um imenso deserto.






