NOVO BISPO: “Agora esta é minha casa, nossa diocese”

Posse de Dom Agenor, terceiro bispo da comunidade de União da Vitória, é hoje, na Paróquia Nossa Senhora do Rocio

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Atualizado há 11 anos

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Dom Agenor tem 63 anos e dedica praticamente a metade disso à vida religiosa. (Foto: Mariana Honesko).

Ele recebe os estranhos com um abraço caloroso. “Quebra o gelo” no primeiro cumprimento de mão e sinaliza interesse por tudo o que é, por enquanto, uma novidade. É assim, de um jeito simples e carismático, que o novo bispo da diocese de União da Vitória espera trabalhar a partir de hoje, oficialmente. Dom Agenor Giradi será empossado como bispo, o terceiro da comunidade local. A cerimônia, reúne uma multidão e ocorre na Paróquia Nossa Senhora do Rocio. “Agora esta é minha casa, nossa diocese”, sorri.

Entrosando-se aos poucos, Dom Agenor, de 63 anos, se dedica desde o final de semana para conhecer sua nova terra. Já esteve com as catequistas, com alguns padres e vai conhecendo os religiosos, fieis das paroquias agora assistidas por ele.

Em União, vive uma realidade diferente de Porto Alegre, onde atuava como bispo auxiliar. Deixou a capital, mais de dois milhões de habitantes e 30 municípios, para se dedicar ao cuidado de uma diocese menor, com “apenas” 250 mil moradores. A balança desigual, contudo, parece não ser empecilho. “São realidades distintas mas o interior de Porto Alegre, por exemplo, onde eu atendia, não era diferente daqui. As pessoas e as comunidades são simples”, explica. “Mas, eu também já começo a me desligar de lá porque é aqui que vamos plantar a semente do reino e construir a igreja de Jesus Cristo”, completa.

O espírito desprendido é o mesmo que o fez aceitar com tranquilidade a designação do Papa Francisco, em maio. “Foi uma surpresa. Eu pensava que continuaria por lá (em Porto Alegre) mas o Papa tem sua estratégia. Aqui em União da Vitória a função estava vacante há um ano e ele me encontrou. Acolhi na fé, na alegria. Quando a gente vai para uma nova missão, tem que ir assim”, conta.

Da nova diocese, aposta na troca de expectativas e na certeza de que ambas vão se encontrar em um final feliz. Além da religião, Dom Agenor sinaliza interesse em conhecer a região e as pessoas, bem como entender o comportamento local e a fé de cada um. Pela frente, sabe que terá que encarar um conceito popular, embora rico, de religiosidade. É o caso da crença no Monge João Maria, canonizado como santo pelo povo. Neutro, o novo bispo afirma que essas expressões merecem respeito e no fundo, acabam revelando algo a mais. “O importante é que a fé seja purificada, sem menosprezar a crença de ninguém. Por trás disso, sempre tem uma adesão à Deus, um desejo do bem”, avalia.

Sobre o bispo

Dos seus 63 anos de vida, Dom Agenor dedica 32 à vida sacerdotal. Quatro, apenas como bispo. É mestre em Teologia e Espiritualidade, pela Pontifícia Universidade Gregoriana, e em Teologia da Vida Consagrada, pelo Instituto Claretiano (Roma). Seu lema: “Ametur Cor Jesu“, ou seja, “Amado seja o Coração de Jesus”.

Cerimônia

A posse começou às 10 horas na igreja do Bairro Rocio. Dom Agenor Girardi, natural de Orleans (SC), assume a função então ocupada pelo administrador diocesano, Padre Levi e anteriormente chefiada por Dom Bosco, hoje bispo em uma comunidade paulistana.

A celebração marca também a comemoração do Sagrado Coração de Jesus, padroeiro de União da Vitória. À noite, a missa especial na Catedral será presidida pelo novo bispo. Ela começa às 19 horas e ocorre no Salão Paroquial, no centro.

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