Número de adoções é o maior dos últimos anos em União da Vitória

Conforme Juiz da Vara da Família e Juventude, Carlos Mattioli, processos são seguros, legais e crescentes. Pela quantidade de adoções, Comarca é destaque no Paraná

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

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(Foto: Mariana Honesko).

O recente caso do bebê que foi abandonado sobre uma caixa de madeira, de proteção de lenha, no Bairro Rio d’Areia, em União da Vitória, despertou em muitos casais, e até em gente jovem, solteira, a comoção pela adoção. Da noite para o dia, o menino de pouco mais de dois quilos já tinha inúmeros pais e mães que, de longe, desejavam tê-lo no colo.

Mas, embora o afeto exemplar e totalmente contrário ao comportamento da mãe biológica da criança, o gesto não é tão simples. Na verdade, o jeito popular de acolhimento é ilegal e com chances de sérios danos, tanto para os pais quanto para quem é adotado. A adoção legal é aquela apoiada e assistida pela Justiça, onde os candidatos à pais transbordam de boa vontade e, sem impedimentos, abrem o coração para o filho que acaba de “nascer”, seja ele um bebê ou um adolescente, de quase 18 anos.

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Capacitação de pretendes, conforme Mattioli, quebra tabus e garante adoção de crianças até pouco tempo “inadotáveis”

Em União da Vitória, conforme o juiz da Vara da Família e Juventude, Carlos Mattioli, o número de adoções é cada vez mais crescente e neste ano, bateu recordes em três situações. Dos últimos nove anos, este é o que tem o maior número de adoções. Além disso, União da Vitória e os seis municípios assistidos pela Vara da Família, formam a região que mais tem praticado a adoção no Paraná. A cidade e seu entorno comemoram ainda em 2014 o acolhimento em maior quantidade de crianças maiores e grupos de irmãos, condições mais difíceis para a prática do gesto. “São números que nos deixam contentes e é fruto de um trabalho enorme, de toda uma rede muito envolvida. Se o trabalho da rede não funciona, a adoção fica comprometida”, avalia Mattioli.

Entenda o processo

Pegar uma criança da rua, do vizinho ou até de um parente que não consegue mais cuidar, é crime, passível de penalidade. O processo pela adoção é simples, porém, regrado. “O casal ou uma pessoa sozinha, procura a Vara da Família e entrega seus documentos pessoais e outras certidões que o Fórum pede. Este pedido de habilitação, que torna o casal pretende à adoção, vai passar por três situações: análise de documentação, entrevista e um curso”, explica o juiz da pasta.

Em média, este processo leva até seis meses, não mais do que isso. O curso, inclusive, abre o “leque” do entendimento. É nele que as orientações sobre a adoção, sobre a ausência dos bebês, por exemplo, disponíveis para a adoção e sobre o conceito da nova família, são discutidos. Na prática, ainda, a troca de experiências entre pais “adotantes”, estimula e fortalece os novos vínculos. “Passou pela análise de documentos, entrevista e curso, os pais ficam prontos para a adoção”, indica.

A partir daí, os pretendes terão seus nomes incluídos no cadastro do fórum, na comarca e no nacional. Nestes dados, os requisitos de um possível filho estão anotados. Quem abre mão – e o coração – das escolhas de um estereótipo, tem a chance de receber seu filho em até nove meses, curiosamente o mesmo período de uma gestação. “A vida de uma criança adotiva é igual ou até mais frutífera na questão do estreitamento de vínculos porque são crianças que tiveram uma carência e elas vão saber reconhecer, sem dúvida, o carinho e afeto dos pais que foram buscá-las para ter uma família”, sorri.

À procura dos pais

Os cadastros dos fóruns são locais. Caso os requisitos dos pais pelos filhos não coincidam com as crianças “disponíveis” na cidade, o cadastro é aberto para o possível acolhimento de menores de outras regiões. O inverso também ocorre: se há crianças à espera de novos pais mas não os encontra na mesma cidade, o cadastro também é aberto para pais pretendentes de outros lugares do Brasil.

Em União da Vitória, há cerca de 40 pais pretendentes à adoção para praticamente o mesmo número de crianças abrigadas na Casa Lar, espaço administrado pela prefeitura e garantia, ainda que temporária, de bons cuidados. A maioria dos menores é adolescente ou grupos de irmãos, todos sensíveis, carinhosos e dispostos em também recomeçar.

E quem passou a vida todo no abrigo?

Pode acontecer. Crianças que não são adotadas até os 18 anos continuam recebendo assistência do Poder Público. O Estatuto da Juventude cuida especialmente de quem tem entre 18 e 29 anos, não trabalha, nem estuda. “Temos o dever como autoridade de tutelar o jovem também. Na nossa região, quando o adolescente passa dos 15 anos começamos a incutir nele a profissionalização. Ele aprende um curso, por exemplo, e tenta a colocação no mercado de trabalho. Com isso, ele consegue se autotutelar, sem a necessidade do Poder Público. Aqui, já temos alguns jovens neste sentido”, revela Mattioli.

Adoção de crianças maiores

O curso preparatório dos pais adotantes desmistifica alguns antigos conceitos. Cai, quase entre a maioria dos pais, a opinião de que apenas bebês são interessantes. Embora preferência, os bebês são minoria: o número de abandonados – ou entrega legal – é menor e a procura por este perfil, maior. “Mas é importante dizer o seguinte: às vezes há vantagens em se adotar crianças maiores. Você pula aquela fase dos meses sem dormir direito, por exemplo. Claro, você perde mas ganha muitas coisas também”, expõe Mattioli.

Despertando a vocação pelo gesto

Em setembro, um recém-nascido, ainda com o cordão umbilical e todo sujo de sangue, foi deixado no Bairro Rio d’Areia, sobre uma cobertura de lenha da humilde casa do casal Genoveva e João Maria Vieira. A Polícia Civil segue na investigação da mãe que teria tido o bebê e busca os prováveis executores do abandono.

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