O Brasil é digno de crédito?

·
Atualizado há 6 anos

Artigo - imagem 02 - Gerd Altmann-PixabayO presidente do Banco Central Roberto Campos Neto declarou no dia 5 de setembro que espera crescimento da Economia brasileira apenas no quarto trimestre deste ano. A fala foi proferida num evento promovido pelo Council of the Americas.

A probabilidade de não ter grande atividade até outubro não ajuda na atividade econômica do país, que ainda é lenta desde que começou a sair da crise.

É um momento de impasse: não saber se o Brasil cresce ou se diminui não permite decidir, por exemplo, se essa é a ocasião ideal ou a menos indicada para ir atrás de um empréstimo pessoal.

Números recentes apontam para uma melhora tímida. A edição de 30 de agosto do relatório Focus, apontou para um crescimento de 0,87% do PIB deste ano. O Focus é um levantamento periódico que o Banco Central faz das expectativas dos principais gestores e investidores do país.

Já é algo, mas ainda não transmite crédito num crescimento sustentável. Sem contar o desemprego de 12% da força de trabalho…

O que tanto empaca o país afinal? Vamos passar em revista, em resumo e claramente, alguns dos nossos principais obstáculos.

Artigo - imagem 04 - Eduardo Arsand-Pixabay

Mas afinal o que é a taxa Selic?

A taxa Selic nunca esteve tão baixa quanto hoje. Você pode não saber, mas tem interesse nela. Ela é a principal “bússola” de preços no país. Mexendo nela, o Banco Central evita que a inflação faça os preços explodirem de repente.

Selic é uma sigla: Sistema Especial de Liquidação e de Custódia. O nome é pomposo, mas é um sistema simples. Quando o governo precisa de dinheiro, o Banco Central entra em ação e coloca à venda títulos de dívida pública.

Afinal, quem no país tem mais dinheiro e poder que o Banco Central?

Esses “títulos” não são nenhum objeto ou serviço, mas sim uma espécie de nota promissória. São a promessa de que o governo vai pagar esse seu empréstimo lá na frente – com juros.

Mas como saber quanto vou receber de volta? Vendo a taxa Selic na hora da compra!

Artigo - imagem 05 - Joao Geraldo Borges Jr-Pixabay

Estímulos

As pessoas precisam consumir para fazer a Economia girar. Mas como consumir tendo uma renda baixa? Recorrendo a empréstimos pessoais ou para empresas, em muitos casos. Mas para fazer empréstimos, os juros não podem ser altos.

A taxa Selic também serve de referência de juros para os empréstimos. Ela está em sua baixa histórica: 5%. A inflação está sob controle e o governo quer estimular o crédito para ver se a coisa desatola.

Recentemente o Banco Central divulgou que pode até diminuir juros do cheque especial, historicamente abusivos.

Há poucos anos, a Selic esteve bastante alta. Por um lado, o governo fazia grandes obras para gerar empregos e fazer o consumo crescer; por outro, atraía investidores com promessas de altos lucros. Também era uma tentativa (irresponsável) de estímulo, mas de outra forma.

Funciona assim: alguém que tenha bastante dinheiro poupado e queira investir para fazer mais dinheiro tem duas opções: fazer um investimento produtivo (abrir uma empresa, por exemplo) ou aplicar em renda fixa (no caso, comprar títulos de dívida pública). É um exemplo bem simplificado, mas didático. Vamos comparar as exigências de cada escolha:

  • Opção 1: montar empresa – Gastar tempo e dinheiro montando uma estrutura; fazer pesquisa de mercado; contratar empregados; pedir empréstimo para empresa (sabendo que vai ter que pagar muito mais do que pegou emprestado).
  • Opção 2: aplicar em renda fixa – Comprar um título público sabendo exatamente o quanto ele vai render e quando o dinheiro poderá ser sacado de volta.

Qual opção você escolheria?

Ambiente de negócios

A combinação de Selic alta e gastos irresponsáveis em obras públicas gerou uma dívida pública sufocante, e ainda não está claro como ela será paga. Uma tremenda incerteza.

O Brasil é um país com muitas incertezas e defeitos institucionais, que levam a problemas graves como a violência, a corrupção endêmica e muitos outros velhos conhecidos.

Todo país tem defeitos e seus cidadãos aprendem a conviver com eles. Mas esses defeitos podem ser um gigantesco freio para o desenvolvimento econômico!

O misto de má situação financeira, instabilidade político-institucional e volatilidade dos impostos é uma combinação simplesmente tóxica para o crescimento do país.

O ambiente tóxico se aplica a empresas e investidores nacionais e, principalmente, aos investidores estrangeiros.

Apesar de ter grande potencial natural e produtivo, o Brasil ainda é um país pobre e desigual, e que depende muito de investimentos e empréstimos estrangeiros para produzir riqueza.

Finja que você é um investidor estrangeiro. Está cheio de dinheiro no bolso e quer lucrar.

Você pode considerar os 195 países do mundo para investir. Prefere escolher um que você vai render lucro quase certo ou um em que seu dinheiro pode passar a valer nada da noite para o dia?

O Brasil é a segunda opção. E precisa suar para atrair investidores tendo um ambiente de negócios ruim…

Quando ouvimos sobre propostas de reformas cambiais e tributárias (impostos), é essa má situação que está sendo atacada. Mas só o tempo dirá se o suor valerá de alguma coisa.

Fique sempre atualizado

Entre no nosso grupo do WhatsApp e siga nosso perfil no Instagram para não perder nenhuma notícia!