O milagre das agulhas

Animais encaram acupuntura e outras técnicas da medicina chinesa no serviço de reabilitação oferecido pela Uniguaçu. Resultados impressionam e comovem

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Atualizado há 12 anos

Por Mariana Honesko

Agulhas nas patinhas: técnica é da Medicina Chinesa e possível no tratamento de qualquer patologia
Agulhas nas patinhas: técnica é da Medicina Chinesa e possível no tratamento de qualquer patologia

Eles parecem flutuar. A atmosfera é de profunda paz e relaxamento. A perna é esticada um pouco aqui, um tanto ali. Logo, os sinais de tanto carinho e de muita técnica aparecem. Cães com paralisia voltam a dar pequenas pisadas. Gatos com câncer miam com alívio. Aves e até peixes mexem-se com maior habilidade e elegância. Tudo isso e muito mais é o que já contabiliza o curso de Medicina Veterinária da Uniguaçu, de União da Vitória.

O serviço de reabilitação animal é recente mas em seus dois anos já acumula elogios e intensa comoção. As ações são lideradas pela professora Cláudia Vieira Rocha, veterinária e especialista em Medicina Chinesa e Fisioterapia, ambas para animais. “Esse processo de reabilitação é para o tratamento de qualquer patologia”, garante. O resultado de cura não é exato mas, conforme Cláudia, é uma tentativa de prolongar a vida do animal e, na melhor das hipóteses, deixá-la ainda com mais qualidade. “É uma chance para que os donos tentem”, reforça.

Amora escapou da eutanásia
Amora escapou da eutanásia

Antes da aplicação das técnicas, as opções eram bem menores e as chances de sobrevivência, quase nulas. A luz no fim do túnel estava apagada. “Quando eu cheguei, o número de eutanásia era muito grande. Não havia muito o que fazer”, confirma a profissional.

A pequena Amora escapou de virar estatística. Aos dois meses, a cadelinha já era vítima de Parvovirose, uma doença grave e contagiosa. “Ela ficou internada, recebeu soro. Melhorou um pouco e daí, depois de um mês, pegou Sinomose”, conta Ana Caroline Kosteski, de 21 anos, dona do animal e de outros sete bichinhos. O pai de Ana Caroline, vendo o sofrimento intenso da cadela, não teve dúvidas: procurou um profissional para a eutanásia.

O mesmo veterinário, contudo, recomendou o serviço de reabilitação da Uniguaçu. “Na primeira sessão que ela fez já dispensou os remédios e até hoje não precisa mais”, lembra a mãe de Ana Caroline, Ana Cláudia. Ontem, Amora deliciava-se na quinta sessão de acupuntura e fisio. “A Amora é uma guerreira”, elogia Cláudia, lançando para o animal o sucesso de toda a recuperação. A tetraplegia, sequela da Sinomose, por exemplo, já é coisa do passado. Amora já mexe os músculos e ensaia a caminhada.

Resultados tão empolgantes quanto os já contabilizados pela cadelinha é o que esperam outros inúmeros proprietários de animais. Fabiane Forte, por exemplo, trouxe o imponente Eros para a primeira sessão de acupuntura. “Ele está com bico de papagaio”, conta. Na teoria, o cachorro da raça Bernese vai encarar o tratamento de uma espécie de artrose, comum na coluna vertebral. “Espero que sejam poucas sessões. Ele tem pavor de agulhas”, diz, com bom humor, Fabiane.

Fabiane Forte e Eros: busca pela acupuntura para o tratamento de um bico de papagaio
Fabiane Forte e Eros: busca pela acupuntura para o tratamento de um bico de papagaio

O desempenho da reabilitação e as notícias de seus efeitos positivos mantêm filas de espera na Uniguaçu. Quem entra nelas, porém, encontra apoio e incentivo social. Conforme o programa, cada sessão, independente da técnica, custa R$ 15 para a comunidade. A espera não é tão longa, mas inevitável. Cláudia Rocha é quem aplica o método e, como mora em Curitiba, dedica três dias – já curtos – para o atendimento dos animais. “Estamos sempre com todos os horários cheios. O hospital atende até às 17 horas, mas muitas vezes ficamos aqui até às nove (21 horas)”, revela a veterinária.

Além dos clientes, a instituição também recebe animais de rua e silvestres. Mais recentemente, adotou alguns cães do Koala – interditado à pedido do Ministério Público local – que também passaram pelo processo de reabilitação. E, parece milagre: um deles estava com paralisia e já voltou a caminhar.

A acupuntura, por exemplo, também já foi aplicada em peixes de aquário e, nos próximos dias, será testada em uma coruja. “A medicina chinesa tem muitas outras versões e nós trabalhamos com todas elas aqui”, sorri Cláudia. Aromoterapia, dieta alimentar e o uso de ervas aquecidas entram na lista de possibilidades.

Uniguaçu - CAPACuriosidade

Entre tantas variedades de técnicas, chama especialmente a atenção o uso da Moxa Bastão de Artemísia. Trata-se de uma terapia baseada nos princípios da acupuntura. É milenar, originária do norte da China e significa, literalmente, “longo tempo de aplicação do fogo”. Na prática, é uma espécie de acupuntura térmica, feita pela combustão da erva. A “moxa” trata e previne doenças através da aplicação de calor em pontos ou regiões do corpo.

Saiba mais

O processo de reabilitação acontece no Hospital Veterinário da Uniguaçu. O site www.uniguacu.edu.br e o telefone 3524-5960 estão disponíveis para outras informações.

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