Por Mariana Honesko

Eles parecem flutuar. A atmosfera é de profunda paz e relaxamento. A perna é esticada um pouco aqui, um tanto ali. Logo, os sinais de tanto carinho e de muita técnica aparecem. Cães com paralisia voltam a dar pequenas pisadas. Gatos com câncer miam com alívio. Aves e até peixes mexem-se com maior habilidade e elegância. Tudo isso e muito mais é o que já contabiliza o curso de Medicina Veterinária da Uniguaçu, de União da Vitória.
O serviço de reabilitação animal é recente mas em seus dois anos já acumula elogios e intensa comoção. As ações são lideradas pela professora Cláudia Vieira Rocha, veterinária e especialista em Medicina Chinesa e Fisioterapia, ambas para animais. “Esse processo de reabilitação é para o tratamento de qualquer patologia”, garante. O resultado de cura não é exato mas, conforme Cláudia, é uma tentativa de prolongar a vida do animal e, na melhor das hipóteses, deixá-la ainda com mais qualidade. “É uma chance para que os donos tentem”, reforça.

Antes da aplicação das técnicas, as opções eram bem menores e as chances de sobrevivência, quase nulas. A luz no fim do túnel estava apagada. “Quando eu cheguei, o número de eutanásia era muito grande. Não havia muito o que fazer”, confirma a profissional.
A pequena Amora escapou de virar estatística. Aos dois meses, a cadelinha já era vítima de Parvovirose, uma doença grave e contagiosa. “Ela ficou internada, recebeu soro. Melhorou um pouco e daí, depois de um mês, pegou Sinomose”, conta Ana Caroline Kosteski, de 21 anos, dona do animal e de outros sete bichinhos. O pai de Ana Caroline, vendo o sofrimento intenso da cadela, não teve dúvidas: procurou um profissional para a eutanásia.
O mesmo veterinário, contudo, recomendou o serviço de reabilitação da Uniguaçu. “Na primeira sessão que ela fez já dispensou os remédios e até hoje não precisa mais”, lembra a mãe de Ana Caroline, Ana Cláudia. Ontem, Amora deliciava-se na quinta sessão de acupuntura e fisio. “A Amora é uma guerreira”, elogia Cláudia, lançando para o animal o sucesso de toda a recuperação. A tetraplegia, sequela da Sinomose, por exemplo, já é coisa do passado. Amora já mexe os músculos e ensaia a caminhada.
Resultados tão empolgantes quanto os já contabilizados pela cadelinha é o que esperam outros inúmeros proprietários de animais. Fabiane Forte, por exemplo, trouxe o imponente Eros para a primeira sessão de acupuntura. “Ele está com bico de papagaio”, conta. Na teoria, o cachorro da raça Bernese vai encarar o tratamento de uma espécie de artrose, comum na coluna vertebral. “Espero que sejam poucas sessões. Ele tem pavor de agulhas”, diz, com bom humor, Fabiane.

O desempenho da reabilitação e as notícias de seus efeitos positivos mantêm filas de espera na Uniguaçu. Quem entra nelas, porém, encontra apoio e incentivo social. Conforme o programa, cada sessão, independente da técnica, custa R$ 15 para a comunidade. A espera não é tão longa, mas inevitável. Cláudia Rocha é quem aplica o método e, como mora em Curitiba, dedica três dias – já curtos – para o atendimento dos animais. “Estamos sempre com todos os horários cheios. O hospital atende até às 17 horas, mas muitas vezes ficamos aqui até às nove (21 horas)”, revela a veterinária.
Além dos clientes, a instituição também recebe animais de rua e silvestres. Mais recentemente, adotou alguns cães do Koala – interditado à pedido do Ministério Público local – que também passaram pelo processo de reabilitação. E, parece milagre: um deles estava com paralisia e já voltou a caminhar.
A acupuntura, por exemplo, também já foi aplicada em peixes de aquário e, nos próximos dias, será testada em uma coruja. “A medicina chinesa tem muitas outras versões e nós trabalhamos com todas elas aqui”, sorri Cláudia. Aromoterapia, dieta alimentar e o uso de ervas aquecidas entram na lista de possibilidades.
Entre tantas variedades de técnicas, chama especialmente a atenção o uso da Moxa Bastão de Artemísia. Trata-se de uma terapia baseada nos princípios da acupuntura. É milenar, originária do norte da China e significa, literalmente, “longo tempo de aplicação do fogo”. Na prática, é uma espécie de acupuntura térmica, feita pela combustão da erva. A “moxa” trata e previne doenças através da aplicação de calor em pontos ou regiões do corpo.
Saiba mais
O processo de reabilitação acontece no Hospital Veterinário da Uniguaçu. O site www.uniguacu.edu.br e o telefone 3524-5960 estão disponíveis para outras informações.
