Por Mariana Honesko

O efeito é dominó. As agências bancárias de União da Vitória e Porto União estão há sete dias apoiadas na manifestação que já mobiliza vários estados brasileiros. Nas cidades irmãs, a paralisação deixa prejuízos e muitos clientes insatisfeitos. Quem tem contas para pagar, por exemplo, amarga mais de uma hora na fila das Casas Lotéricas que especialmente desde o início da greve, atende muito mais do que o seu público normal. Na segunda-feira, a espera por atendimento no estabelecimento que fica na Manoel Ribas, na canaleta, durou até 1h20.
Os proprietários comemoram o movimento mas sabem que a lentidão não é sinônimo de sorrisos de quem precisa do serviço. Com as contas do mês para pagar, a professora que acaba de se aposentar, Eliane Aparecida da Silva, reclama e questiona os grevistas. “Em 35 anos de serviço, nós como professores paramos apenas uma ou duas vezes e na época, nossas greves demoravam apenas dois dias. Pensávamos nos alunos e no futuro deles”, conta, enquanto espera ser chamada na fila. A jovem, Micheli de Alves, que trabalha no comércio, enfrentou a lentidão de segunda e ontem, novamente, estava na fila, para longos 40 minutos ou mais. “Atrasa todo o serviço”, lamentava.

Do lado catarinense dos trilhos, a procura das casas lotéricas como alternativa não é unanimidade. “Na verdade estamos bastante tranqüilos porque nosso trabalho ocorre mesmo com os bancos em greve”, explica a proprietária da Casa Lotérica Porto União, Cleci Baldissera. Até quem não depende tanto do serviço oferecido pelos bancos ou pelas lotéricas, sente os efeitos da paralisação. “A gente sabe que é ruim e não é bom ver os colegas desnorteados”, sorri o aposentado, José Oscar. Seu amigo, que freqüenta as loterias para um joguinho ou outro, tem sugestões na ponta da língua. “Acho que os gerentes deveriam atender os maiores de 65 anos pelo menos”, dispara o também aposentado, Ivan Skiba.
Onde o calo aperta

Os bancários que estão de braços cruzados entendem que a greve é seu direito, porém, admitem que a insatisfação do cliente também é a sua. No alto da escadaria da Caixa Econômica Federal de Porto União, as bancárias, Ivone Luiza da Silva e Maristela Correa, vêem na paralisação o desgaste da profissão. “Ela (profissão) fica cada vez mais prejudicada porque sabemos, por exemplo, que não é função do pessoal da Lotérica fazer o nosso serviço”, explicam.
Por outro lado, a greve também sinaliza a necessidade do trabalho das agências. “Parece que é só assim que as pessoas percebem que é importante e como faz falta quando o serviço não acontece”, avaliam. Além do inchaço dos estabelecimentos credenciados, a greve também ataca o comércio. Informações extraoficiais dão conta de prejuízos na casa dos 40%.
O que querem
A greve segue sem diálogos. A recente proposta da Federação dos Bancários (Fenaban) não agradou e foi rejeitada. Os profissionais querem reajuste salarial, mais segurança e atenção à saúde, já que as pressões internas têm causado desastres no quadro efetivo.
Bolsa Família e falta de dinheiro nos caixas
De acordo com os responsáveis pelo programa nas cidades irmãs, as queixas que já chegam às unidades denunciam problemas com cartões magnéticos. Usuários do Bolsa Família que precisam alterar senhas ou resolver alguma pendência, vão precisar esperar o retorno do funcionamento normal das agências. As alterações de dados não é possível nos caixas eletrônicos. É justamente por problemas nos cartões que alguns beneficiários não conseguem sacar o recurso.
Os presidentes dos sindicatos dos bancários, em recente entrevista ao jornal O Comércio, garantem que não há falta de dinheiro nos caixas automáticos mas não descarta lentidão, já que o abastecimento ocorre em caráter especial. O pedido é para que os clientes tenham paciência e esperem a liberação dos caixas com dinheiro para ter acesso aos saques. Continuam sendo disponíveis, ainda, o pagamento de contas e transações de depósitos por meio eletrônico.