
Nem todo mundo gostou da interdição da cadeia da 4ª Subdivisão Policial de União da Vitória. Parentes de vários detentos não querem que a cadeia seja interditada, por uma razão aparentemente simples: não sabem como farão para visitar os detentos. A mãe de um deles, que aguardava a revista para entregar guloseimas ao filho, preso, acusado de tráfico de drogas, disse que não tem como se deslocar para outras cidades. “Eu nem sei para onde vão levar ele, mas não tenho dinheiro para pegar ônibus para ver meu menino”, disse.
As autoridades que fizeram a inspeção deixaram claro que a cadeia não oferece as condições básicas de saúde, higiene e segurança para os detentos, mas vários familiares disseram que preferem assim a serem privados das visitas por questões como distância.
O dia da semana para visitas aos detentos é a sexta-feira. Por questões de privacidade nossa reportagem não pôde fotografar ou divulgar os nomes dos familiares. Para o delegado chefe da 4ª SDP, André Vilela, a maioria dos detentos aceitou bem a notícia, na contramão dos seus parentes. “Eles querem ficar em um lugar onde possam andar, tomar sol, coisa que não é possível aqui”, explicou. O solário foi fechado e se tornou uma ala para detentos já que as celas estavam superlotadas.
Dona M., de São Cristóvão, disse que se for melhor para seu filho, preso por roubo, vai aguentar e sofrer com a distância, mesmo vendo o filho muito menos. Ela espera que ele saia recuperado. “Aqui não tem condições, trancam os presos como bichos. Como esperam que ele saia melhor daqui?”, questionou a mãe. Até o encerramento desta edição, o delegado não tinha recebido instruções do Estado sobre como proceder a evacuação da cadeia da 4ª SDP.