
A pequena Alana Monique Henning, de apenas 2 anos, morreu ontem em Joinville depois de meses lutando contra dois tipos de leucemia. Ela é de Irineópolis e o Comércio já havia contado sua história por aqui. Alana foi diagnosticada em 25 de março com Linfoide e Mieloide aguda, e desde de então procurava por um doador de medula óssea. Mas, infelizmente a pequena não teve tempo de encontrar alguém compatível e partiu antes do tempo. Ela estava cadastrada no Registro de Doadores Voluntários de Medula Óssea (REDOME) e mesmo assim as chances de encontrar um doador eram muito pequenas. Conforme o Redome, um em cada cem mil é compatível. Em parentes as chances aumentam, mas os pais não valem. A possibilidade maior é encontrar um doador entre os irmãos.
Como se trata de herança genética, a chance de ser compatível é de 25%. Portanto, quanto mais irmãos houver, maior a probabilidade de encontrar um doador nesse grupo familiar. Atualmente, porém, a tendência é existirem famílias cada vez menores. Por isso, entre 60% e 70% dos pacientes que necessitam de um transplante de medula óssea não encontram doadores entre os familiares e precisam tomar outras providências. Se fizer uma pesquisa em toda a família, a chamada busca na família estendida, a chance de encontrar alguém totalmente compatível é de 7% a 10%.
Por isso a mãe de Alana, Francine Vieira Mikaowski, procurava uma vaga em outro hospital para realizar o transplante autólogo – quando são utilizadas as próprias células tronco do paciente, que são tratadas com altas doses de radiação, e aplicadas novamente no paciente. Segundo a mãe, no Hospital Infantil Jeser Amarante Faria, em Joinville (SC) – onde Alana ficou todo esse tempo – não havia esse tipo de tratamento. “O tratamento foi focado na quimioterapia”, disse em entrevista ao O Comércio em agosto. Mas o tratamento era muito agressivo para a pequena. Após as sessões de químio a saúde de Alana padecia, ainda mais. Por algumas vezes ela teve de ficar isolada por estar com a imunidade muito baixa. Ainda por conta disso a paciente contraiu um fungo que acometeu o interior da face e teve de passar por uma cirurgia para fazer limpeza.
Para acompanhar o tratamento, na época, a mãe Francine e o pai, Sergio Henning, tiveram de sair de seus empregos. “O médico disse que é até melhor a gente acompanhar o tratamento junto da Alana porque ela pode responder mais rápido”, disse em entrevista.
Os pais de Alana até fizeram o exame de compatibilidade, mas o resultado não foi o esperado.
A campanha para encontrar um doador foi tanta que até uma página na internet foi criada. Uma Medula para Alana recebeu mais de 3 mil acessos.
Adeus, guerreira!
Alana está sendo velada desde às 17 horas de ontem, na Capela Mortuária do Centro de Irineópolis. O sepultamento ocorre hoje às 8 horas, após a missa de corpo presente.
A ajuda, ela é ainda necessária
As campanhas para doadores de medula óssea não param. Isso porque mais gente está precisando encontrar um doador. Outro caso bem conhecido nas Cidades Irmãs é de Simone Pohlmann. Ela tem 48 anos e está numa maratona em busca dos pais biológicos. Ela foi diagnosticada com linfoma em 2011, o tratamento autólogo foi feito, mas o câncer retornou neste ano. Agora, não há mais possibilidade de um mesmo tratamento, o jeito é encontrar um doador compatível. Por isso a campanha para doadores de medula óssea só se intensifica, a cada dia.