
(Fotos: Mariana Honesko).
Cartão-postal do Vale do Iguaçu, a Estação União é uma referência para muitas áreas. É especial para a arquitetura. Importante para o turismo. Interessante para ensaios fotográficos. A Estação, ponto de partida para o crescimento de União da Vitória e de Porto União, pode revelar mais. Por exemplo, repare bem: em todo seu complexo, existem oito relógios (a contagem envolvem as facetas de cada aparelho), ora pontuais ora parados. Mas estão ali, á muito tempo.
Carrega a missão de acertar os ponteiros, o ferroviário aposentado, Altamiro Lisboa. Desde o encerramento da carreira profissional, se dedica há mais de 25 anos, voluntariamente, às causas férreas, que vão desde cuidar e parafusar qualquer coisa solta nos vagões estacionados sob o arco, dar corda ao “tic-tac”. Conforme ele, o oficio caiu em suas mãos, habilidosas, por acaso. “Eu estava aqui na época em que foi feita a reforma e como eu era voluntário, aprendi e estou até hoje. Alguém vai ter que aprender, porque apenas eu faço, porque eu acerto a hora mas não sei a minha”, sorri.
Essa ‘época’ mencionada por ele se refere ao ano de 2003, quando os relógios substituíram os originais, quando a Estação foi inaugurada, em 1942. Conforme Lisboa, o serviço é simples: os relógios, carregados por uma bateria elétrica, só precisam de breves apertos aqui e ali para funcionar. “Temos aqui um painel de controle. Baixamos uma tecla, paramos o relógios e ajustamos o horário certo”, explica. Essa “central” fica em um espaço pequeno, atrás de uma porta de cor marrom, no piso da Estação, no lado paranaense.
Dos oito relógios, apenas quatro funcionam. Os parados, conforme o voluntário, estão assim por falta de manutenção técnica, que precisa ser feita por um profissional ligado à área de relojoaria.

Sobre o trabalho, silencioso, mas preciso, como um relógio deve ser, o ferroviário emociona-se. “Isso é um prazer pra mim. Não tem como explicar. Fui chefe de estação. Fique na estrada de ferro por 30 anos. Não ganho nada por isso (por arrumar os relógios) mas o prazer que me dá não tem o que pague”, diz. “No passado, o pessoal do interior vinha até aqui para acertar os seus relógios pelo da estação”.
Onde ficam os relógios
Nas fachadas da Estação, no lado das praças Visconde de Nácar e Hercílio Luz. Nos arcos, existem dois deles, um em cada ponto. Nas plataformas, os dois relógios que tem são, na verdade, quatro, já que cada lado é uma face isolada.