Perigo na estrada: Motoristas dirigem sob efeito de cocaína

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Atualizado há 14 anos

Já se foi o tempo do não tão inocente rebite, usado por motoristas para se manterem acordados durante as longas jornadas nas estradas do país, a fim de cumprir prazos e horários. Infelizmente a moda agora é a cocaína. Motoristas experientes estão perdendo os empregos, as famílias e muitas vezes a vida. O problema acontece também em União da Vitória e Porto União. O Jornal O Comércio colheu um depoimento chocante de um ex-motorista de caminhão, viciado em cocaína, que por motivos óbvios pediu para não ser identificado.

JOC – Por que cocaína?
Motorista – Porque tem efeito prolongado e associado ao café, deixa a gente mais ligado.
JOC – E o rebite?
Motorista – Tem muita gente que ainda usa, mas quando termina o efeito você fica esgotado e aí tem de parar o caminhão.
JOC – Mas não acontece a mesma coisa com a Cocaína?
Motorista – Não. Mas os riscos são maiores. Dependendo da quantidade, a gente começa a ver coisas.
JOC – Você conhece mais motoristas usuários?
Motorista – Fora eu? Nossa um monte de gente. Por isso que tem bastante acidente com caminhão.
JOC – Você parou?
Motorista – Eu acabei com minha vida, minha família, não consigo largar. Perdi até meu caminhão.

O motorista entrevistado chorou várias vezes e contou que encontra vários companheiros de estrada nas bocas de fumo espalhadas pela região. Geralmente o começo é semelhante: quantidades pequenas para se manter acordado. Depois o que era para ser um estimulante poderoso vira vício. Um dos traficantes que vendia drogas aos motoristas foi preso pela Polícia de Porto União.

O homem de 40 anos evitou falar nomes, mas disse que a cocaína arrasta todo tipo de gente. Dentistas, advogados, professores, estudantes, pedreiros, gente inocente que só quer experimentar algo novo. Da cocaína evoluem naturalmente para o crack. Diariamente a PM de União da Vitória e Porto União prende usuários e pequenos traficantes de crack. Mas a região é um entroncamento com três rodovias federais e várias estaduais. É muito difícil fiscalizar a malha viária e as rodoviárias, aonde as drogas chegam na bagagem de “mulas”, mulheres e estudantes a serviço do tráfico, que transportam drogas por pequenas quantias em dinheiro.

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