Por Mariana Honesko

As várias horas na embarcação deram resultado. No sábado, 25, a equipe do escritório de União da Vitória do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), durante operação de fiscalização no rio Iguaçu, colocou um ponto final em mais um capítulo da pesca predatória. A ação, que também contou com apoio dos profissionais do Ibama, garantiu a apreensão de mil metros de rede de pesca, um barco e um motor. Outras quatro pessoas, identificadas como responsáveis pelo material e pela prática proibida às margens do rio, também foram autuadas.
A ação ocorreu na represa de Foz do Areia e na bacia do Iguaçu próximo ao município de São Mateus do Sul. “É uma preocupação bastante grande do IAP e da sociedade, que acaba colaborando conosco, comunicando as situações deste exagero. Devemos cuidar do nosso rio, da represa, para que tenhamos peixes. Precisamos preservar, ainda mais neste período de procriação deles”, explica o chefe do escritório do IAP, Paulo Almeida.

A pesca predatória é proibida no rio Iguaçu e na Piracema, quando os peixes se reproduzem, torna-se ainda mais prejudicial. Por isso, as fiscalizações devem ser ainda mais intensas até o dia 28 de fevereiro, quando o período termina. Às margens do Iguaçu, estão liberadas apenas a pesca esportiva, aquela que não envolve armadilhas, tampouco redes ou qualquer material de captura agressiva e em massa. “Foi um lazer errado de final de semana”, pontua Almeida, referindo-se ao comportamento dos pescadores encontrados no sábado.
Novas operações devem acontecer nas próximas semanas. As ações já estão programas, especialmente para o próximo mês. A meta é garantir a sobrevivência dos peixes. Segundo apurou a equipe do IAP, os pescadores autuados não trabalhavam com o comércio clandestino de peixes. Antes, tinham na prática sua diversão. O peixe seria apenas para consumo próprio.
Especialmente as redes devem ter um destino bem diferente a partir da apreensão. Segundo Almeida, o material será cortado, para que suas tramas não sejam reutilizadas para a pesca. As redes provavelmente serão enviadas para empresas que trabalham com a transformação de material reciclável. “Não podemos incinerar este material, já que estaremos poluindo e também cometendo uma infração”, avalia o chefe do escritório. Os processos seguem no IAP, já que geram questões administrativas e o crime ambiental, avaliado em parceria com a Justiça.
Muito lixo no Iguaçu
Durante a fiscalização, o IAP também encontrou outro “insulto” ao meio ambiente. As margens do rio Iguaçu, a equipe visualizou muito lixo, fruto da visita de pescadores ou simplesmente de quem aprecia a natureza. “Aqueles que vão até o rio Iguaçu e que gerem lixo, que tragam para casa para dar destino na coleta. É uma conscientização que nós precisamos da nossa população. Além da pesca predatória, reafirmo a importância disso, em relação ao lixo que vai para o rio Iguaçu”, enfatiza Almeida.
A preocupação com o lixo justifica-se: assim como a pesca predatória, os resíduos no rio também comprometem os cardumes e a fauna aquática. “Isso ajuda na diminuição da qualidade da água e das espécies. Temos um rio belíssimo e as vezes nós não damos a importância devida”, conclui.
O período quando os cardumes nadam rio acima, contra a correnteza, para a reprodução. A palavra é de origem tupi e significa “saída de peixes”, como os índios descreviam o fenômeno. No Brasil, a Piracema coincide com o período de chuvas de Verão. O período começa em 1º de novembro e termina apenas no dia 28 de fevereiro.

