
Wanderlei Alves, mais conhecido como Dedeco, é um ex caminhoneiro que abandonou a profissão após 27 anos. Em 2020, pegou uma forte pneumonia, ficou isolado dentro de seu caminhão parado em um posto de combustíveis. Além disso, perdeu seus três caminhões por atraso de pagamento, reflexo da queda de demanda e do preço do frete em meio à pandemia.
‘Os episódios foram determinantes para sua decisão de deixar a profissão e buscar novos rumos para a vida. Também ficou decepcionado com o aparelhamento da categoria pelo Governo Federal logo após a greve da categoria em 2018.
Dedeco foi um dos líderes da paralisação da categoria que impactou todo o país.
Atualmente, Dedeco com 46 anos é proprietário de uma lanchonete em Curitiba. “Dos caminhões, só me sobraram os pneus. Foi o que eu vendi para abrir minha hamburgueria”, disse ao portal Uol.
O ex caminhoneiro não acredita em uma paralização no próximo dia 1º de fevereiro, pois segundo ele, boa parte dos ex-colegas de boleia “muito apaixonada ainda” pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).
Ele enfatiza que a possibilidade de greve foi uma estratégia para retomada de diálogo com o Governo, haja visto que as conversas foram interrompidas com a pandemia.
Para Dedeco, a pressão ao governo surtiu efeito com as decisões de zerar o imposto de importação para pneus usados no transporte de cargas e incluir os caminhoneiros entre as categorias prioritárias para a vacinação contra a Covid-19.
“Pior Governo que o país teve”
Candidato a deputado federal em 2018 e filiado ao Podemos, Dedeco disse que votou em Alvaro Dias no primeiro turno das eleições. No segundo, se quer foi votar. Ele afirmou que nunca foi eleitor de Bolsonaro, muito menos fez campanha para ele.
Segundo ele, ser contrário à Bolsonaro não tem acesso ao governo.
“Quando eu estava indo em Brasília, com as portas abertas lá, ou eu baixava a bola ou não conversava. Porque eu já dava pau no Bolsonaro naquela época. Ou baixava a bola, ou não entrava no Ministério da Infraestrutura. Essa é a verdade. Quem é contra o Bolsonaro não tem acesso ao governo. É assim que funciona ali.”
Rompido com o governo, o ex caminhoneiro disse que o Ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas teria declarado que ele fez um “showzinho” ao criticar na imprensa o governo Bolsonaro e falar sobre sua pneumonia. “Me desliguei dele [Tarcísio de Freitas] também por causa daquela manifestação que foi feita pró-reforma da Previdência [em 2019]. Aquela manifestação foi combinada dentro do gabinete do ministro, com os empresários”, acusa Dedeco. “Eu acabei indo e meu nome foi usado. Eu era totalmente contra a reforma, porque ela não serviu para nada, só para prejudicar os aposentados.”
Segundo Dedeco nada evoluiu para a categoria desde a greve de 2018. “Não mudou nada”, afirma.
“Veja o preço do óleo diesel hoje, chega a estar R$ 4,40, R$ 4,50. Na época que nós fizemos paralisação, nós paramos porque o diesel estava R$ 3,30. O caminhoneiro, lá em 2015, no governo Dilma, parou porque o diesel estava R$ 2,80. Hoje, o diesel já está quase R$ 5 em alguns lugares. E o caminhoneiro está lambendo esse governo.”
Ele enfatiza que a pandemia piorou ainda mais a situação dos caminhoneiros. “Começou uma concorrência muito desleal no valor do frete. Se você carregasse para o Nordeste, o dinheiro que você ia não dava para pagar o óleo para voltar, se você não arrumasse carga lá. E as cargas lá não estavam pagando nem o óleo para voltar também”, disse.
Dedeco é proprietário de uma hamburgueria a quase seis meses e afirma não estar arrependido da mudança de vida. “Eu prefiro ser dono de hamburgueria.
“Parei de ir para a estrada, estou em casa todo dia. Estou junto com a família. Acho que hoje não vale a pena ser caminhoneiro. Ficar desperdiçando sua vida na estrada para viver o que o caminhoneiro está vivendo hoje.”, disse.