Por Mariana Honesko

Neste mês o jornal O Comércio, atendendo uma sugestão de leitores, publicou a “invasão” das bicicletas na pista de rolamento usada pelos veículos. Polêmica, a publicação da redação em O Comércio também no Portal Vvale gerou comentários de conformidade com a cena e até sugestões de intervenções.
Conforme os leitores, o uso na pista é, de fato, inadequado, mas fruto da falta de suporte das passarelas supostamente destinadas para os ciclistas e pedestres.
Para entender melhor os motivos da escolha, é preciso conhecer a história, logo, a escolha do modelo da ponte, de nascimento da estrutura.
A Ponte do Arco
Construída e inaugurada na década de 40, foi a primeira ponte rodoviária da cidade. A popular Ponte do Arco – seu verdadeiro nome é Ponte Interventor Manoel Ribas – fica na principal avenida de União da Vitória, a Manoel Ribas, mas pertence à BR-476. A estrutura é o limite entre o trecho urbano e rodoviário. O Dnit, portanto, o Governo Federal, responde pela manutenção dela.
Soluções
Para o engenheiro civil Paulo Panacione, o dilema que enfrentam ciclistas e pedestres pode ter um ponto final a partir de uma medida simples. Ele acredita no alargamento das duas passarelas laterais da ponte. “Em uma passaria os pedestres e na outra, bicicletas”, diz.
Essa ampliação seria em uma estrutura metálica, por ser um material mais leve e, segundo Panacione, bastante presente em ampliações. É, também, mais barata que o concreto, por exemplo. A mudança, diz o engenheiro, é algo quase normal.

Antiga, a Ponte do Arco não previa movimento intenso ao longo dos anos quando foi construída. Tanto é que a própria pista de rolamento só permite a travessia de um único carro ou dois, se pequenos. “Quando você projeta, você estima o que vai acontecer. Se você pensa que terá pouco trafego, faz mais simples. Na época, a ponte foi feita para dois carros pequenos ou até para um só”, confirma o engenheiro.
A Ponte da Amizade, por exemplo, que liga Foz do Iguaçu no Brasil e Cidade do Leste no Paraguai, passando sobre o rio Paraná, também precisou se adaptar às novas necessidades. Há 50 anos – completados no dia 27 – quando foi construída, a previsão era de uma travessia de cem veículos por dia, em média. Hoje, mais de 40 mil veículos passam sobre ela. Com a revitalização, a ponte recebeu novo recapeamento e teve as juntas de dilatação substituídas.
Afinal, como é que se atravessa?
Para a Polícia Militar (PM), o bom senso deve interferir no comportamento de quem está de bicicleta. Conforme o Setor de Trânsito, o correto é, em pontes com espaços estreitos – como a Ponte do Arco – transitar sobre ela empurrando a bike. Na ponte, especialmente, como não há uma indicação de quem deve andar onde, o ideal é, de novo, apostar na sensibilidade – e na bicicleta sem ninguém em cima – para não atrapalhar.