Por Mariana Honesko

O encerramento da Semana Nacional do Trânsito é marcada por novas discussões. Dessa vez, o Departamento de Trânsito do Paraná (Detran-PR) levanta a bandeira e coloca o comportamento dos motociclistas em xeque. Além de quem está sobre duas rodas, o departamento também discute como motoristas e pedestres encaram os donos do transporte mais veloz das áreas urbanas.
A campanha tem nas estatísticas sua argumentação. Levantamentos mostram que os motociclistas estão envolvidos em quase 70% dos acidentes registrados no Brasil. Além disso, a frota do estado, considerada a terceira maior do país, interfere nos números dos acidentes. “O trânsito é composto por pedestres, motoristas e essa maior frota paranaense preocupa muito também justamente pelo número de acidentes”, avalia o chefe do Detran em União da Vitória, Carlos Alberto Bueno dos Santos.
Dados de 2012 da secretaria de Estado da Saúde mostram que a média é de duas mortes de motociclistas por dia. O Sistema de Mortalidade do Ministério da Saúde mostra ainda que o ano registrou mais de 870 vítimas fatais. Os números reais são diferentes e mais preocupantes: a pesquisa não conta mortes nas alas hospitalares ou em consequência do acidente. Para se defender, a caixa Angelita Schendrok, motociclista há dez anos, confia especialmente em si. “Eu cuido bastante. Se não cuidar, os riscos são bem maiores”, diz ela, que nunca se envolveu em acidente.

Angelita é quase uma exceção. De acordo com o Corpo de Bombeiros, a média é de dois acidentes diários nas cidades atendidas pela companhia. “E eles variam de gravidade de acordo com a potência da moto. Quanto mais potente, mais sério é o acidente”, explica o soldado Clodoaldo Ribas dos Santos. Os dados mostram ainda que as esquinas são pivôs das colisões e que a culpa na maioria dos casos – 90% deles segundo os Bombeiros – é do motorista. “Ele não visualiza a moto e a batida acaba acontecendo”, observa Santos. “Mas, a velocidade que o motociclista pratica também contribui para os acidentes”, pontua.
A estatística não assusta quem ainda não tem uma motocicleta. Em média, as empresas que as vendem faturam bem com a saída de até 30 unidades por mês de suas lojas. O número, garantem os comerciantes, já foi maior. “Já chegamos a vender até 50 motos por mês”, conta o vendedor da Arauto, Anderson Cardoso. Na Strack Motos a média segue sem alterações e as vendas mantêm-se acima das 25 unidades mensais. Para a vendedora Micheli Schumacher, o preço é um dos principais atrativos. “A partir de R$ 4 mil já dá para ter uma moto nova”, explica. As prestações também baixaram e, na compra de uma moto mais simples, não são superiores aos R$ 200.
Semana do Trânsito encerra programação
Palestras, distribuição de material informativo bem como as campanhas para escolas e universidades, marcaram as ações lideradas pelo setor de Educação de Trânsito (Educatran) de União da Vitória. Entidades ligadas ao setor também participaram das propostas e garantiram uma semana que defendeu os direitos e deveres de quem usa o trânsito. Na avaliação da coordenação, as ações foram bem aceitas e a mobilização pode ter contribuído, inclusive, com novas estatísticas. “Coincidentemente ou não, o número de acidentes nesta semana diminuiu”, sorri a coordenadora do setor, Serli Correia de Vasconcellos Olivetti. “De repente, o pessoal começou a prestar mais atenção no trânsito”, avalia.
Para ela, contudo, muito mais do que a campanha, o sucesso no comportamento depende especialmente da mudança no comportamento de casa pessoa. “Essencialmente somos todos pedestres no trânsito, mas nele acabamos desempenhando papeis. Se cada um fizer sua parte, tudo melhora”, avalia.
Um dia para deixar o carro na garagem
Apostar no transporte alternativo é o incentivo que os alunos do Curso Técnico em Meio Ambiente do Colégio Túlio de França levam ao encerramento da Semana do Trânsito. A partir das 9h30, a Avenida Paula Freitas, no Distrito de São Cristóvão – em frente ao Supermercado Macliv – recebe uma grande estrutura para brindar a campanha “Um dia sem carro” que, neste ano, está em sua segunda edição. “A nossa ideia é dar o início para que isto se torne um hábito. A nossa meta é tentar mostrar que existem outros meios de locomoção além do carro”, explica o aluno Osni Schroh.
Na troca do convencional e mais cômodo, vale tudo: desde uma simples caminhada à carona solidária. “Hoje as pessoas querem parar na porta do lugar onde precisam chegar, mas a ideia é que as pessoas caminhem, conversem com as pessoas, que façam o exercício”, defende. Nessa proposta, o “Dia sem Carro” deve levar para o outro lado da ponte um bom número de adeptos e para os defensores da causa, o passeio ciclístico, que começa às 15 horas e usa apenas a ciclovia como pista, é um dos destaques da programação. “Queremos que isto se torne um hábito entre as pessoas”, sorri Schroh. O evento será cancelado apenas em caso de chuva forte.