Por Mariana Honesko

Para quem gosta, o pinhão combina em muitas receitas e, sozinho, agrada o paladar. Cozido ou assado, o alimento é bem aceito à mesa e especialmente na região Sul, pela produção e tradição do consumo, procurado com mais intensidade nesta época do ano.
Mas, quem espera os dias frios para degustar a iguaria, terá no preço do produto uma barreira considerável. Nas Cidades Irmãs, o quilo pode ser encontrado por até R$ 9. Na maioria das casas comerciais do ramo, porém, o valor fica na faixa dos R$ 6. Ainda assim, o valor está bem acima do “normal”. “Onde o quilo custava entre R$ 2,50 e R$ 3”, lembra o técnico agrícola e membro do Departamento de Economia Rural (Deral) do núcleo regional da Secretaria da Agricultura e Abastecimento (Seab), Luiz Carlos Otomaier. O preço aquém dos praticados neste ano, contudo, só foram possíveis em safras melhores. O efeito das cifras mais altas é resultado da lei da oferta e demanda. “Estamos com pouco produto e o preço sobe por conta disso”, explica. “No ano passado, o quilo chegou a R$ 20 em Curitiba”, comenta Otomaier.
Neste ano, a queixa dos produtores replica-se em toda a região produtora do pinhão. Conforme a Seab, até a venda nas rodovias sofreu queda. Dos cerca de 20 ambulantes espalhados nos acessos à União da Vitória e Porto União, apenas quatro ou cinco resistem e ofertam pinhão de qualidade. “Os colonos estão reclamando muito das falhas nas pinhas. Dizem que está tudo falhado. Os colonos da região nem estão trazendo muito pinhão neste ano. Estamos pegando até de Pinhão e Guarapuava”, revela a proprietária da Frutolâdia do Baixinho, Jaqueline Campos. Segundo ela, a procura pelo produto nas cidades vizinhas deve ser ainda mais intensa a partir do próximo ano. “Os produtores comentam que para que o pinhão esteja bom neste ano, já era importante ter geado. E olha o calor que está?”, questiona. No Baixinho, o quilo é vendido à R$ 5,90.
No Sacolão Costa e Silva, as dificuldades para o encontro do produto também são frequentes. Tanto é que, para atender a demanda, é preciso negociar a vinda de outros lugares. “Pegamos da região mas, com esta baixa produção, estamos trazendo o pinhão do Ceasa também”, revela o funcionário, Lindomar Santos. O esforço tem suas recompensas: a casa chega a comercializar até 30 quilos por dia. Por lá, o pinhão custa R$ 5,50.
No Paraná, a produção do pinhão está cerca de 30% menor do que a do ano passado. Na região, ela está 50% aquém do se esperava. “A semente leva dois anos para estar madura e com o frio intenso do ano passado, este processo ficou prejudicado. O período longo de frio intenso inibe a formação de novas pinhas”, explica o técnico agrícola da Epagri, Gildo Masselai. Conforme ele, caso o comportamento do tempo mantenha-se mais quente, a produção de pinhão para o ano que vem deve ser melhor.

Qualidade é menor
Conforme os comerciantes, os produtores que normalmente abasteciam as casas comerciais contam que o pinhão, neste ano, não se desenvolveu de maneira adequada. Outros, narram o encontro ainda imaturo da semente mas, mesmo assim, a colocam à disposição nas bancas.