Projeto faz terapia com agressores de Maria da Penha

Projeto piloto é um dos primeiros no Paraná. Grupo ficou em tratamento de psicoterapia por quatro meses

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Atualizado há 11 anos

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Juiz Carlos Eduardo Mattioli Kockanny

Um projeto entre a Universidade do Contestado (UnC) de Porto União e o Judiciário de União da Vitória está muito à frente do que vem sendo praticando no restante do País quando o assunto é agressão contra a mulher. Viver em Paz é um projeto piloto que tratou com psicoterapia durante quatro meses dez agressores de Maria da Penha, acusados de agressão contra a mulher e, também – em sua maioria – de agredir os filhos. Em geral o que ocorre é atendimento à vítima. A mulher é agredida e recorre ao judiciário. Lá são dadas orientações sobre como ela pode proceder. “Geralmente é esse ponto que precisava para uma mulher pedir a separação”, comenta o juiz Carlos Eduardo Mattioli Kockanny. No entanto, caso a vítima não escolha pela separação, ela retornará para casa e viverá no mesmo ambiente que o agressor. Por outro lado, o homem pode reproduzir a violência fora de casa. “O sujeito, mesmo separado, ele não vai viver à margens da sociedade, ele vai continuar batendo em todas as mulheres, tem uma chance grande de bater nos filhos e quem viver no meio dele pode reproduzir na próxima geração”, comenta. “A ideia de tratar o agressor é uma forma de quebrar esse círculo de agressões que nunca termina”, argumenta o juiz da Vara da Infância e da Família.

Para Marly Perrelli, professora de psicologia na UnC e uma das mentoras do projeto, a agressão vem acompanhada de outro problema social, o álcool. “Todos (agressores) resignificaram e compreenderam seu comportamento relacionado com a violência. Compreenderam a forma de lidar com a sua raiva, que o álcool é um grande vilão dessa história e que facilita, ainda mais, a agressão”, disse.

Ainda para a professora o modelo de psicoterapia em grupo é necessária para que o agressor entenda que no grupo ele não é réu, mas paciente, e que saiba reconhecer que é violento. “Nós acreditamos que a origem do problema são os agressores, por meio de atos violentos, e eles também devem ser tratados para não repetir esse tipo de situação.”

O projeto é piloto e mais um para a lista de pioneirismo do judiciário local. Daqui para frente a intenção é modificar o cronograma e incluir a família no tratamento. “Os homens que atendemos estavam relacionados com a violência com o filho e com a esposa e, muito deles, também sofreram com a violência familiar. Então houve uma repetição de um ato vivido em família”, lembrou a professora.

Viver em Paz faz parte dos primeiros passos de um outro projeto, o da Delegacia da Mulher. Até a inauguração efetiva do espaço, o judiciário local vem trabalhando de forma mais humanizada com os envolvidos em processos. “Não queremos atuar de forma opressora”, afirmou Kockanny.

O projeto teve a participação de duas acadêmicas do curso de psicologia da UnC, Rosane Vieira e Selma Mozeleski, além da professora e mestre Marly Perreli, Ministério Público e da Vara da Infância e Criminal de União da Vitória.

Dados

Conforme a Polícia Militar de União da Vitória no primeiro semestre deste ano 149 ocorrências de violência doméstica foram registradas. O número é um pouco menor que o mesmo período do ano passado, quando foram registrados 157 casos. Ainda neste ano um homicídio foi registrado. Na ocasião uma senhora foi morta com golpes de uma chave de fenda pelo marido.

ESPECIAL

O Portal Vvale abordou o assunto de violência doméstica no início deste ano em uma reportagem multimídia especial. Na época os dados do Mapa da Violência colocavam União da Vitória entre as 50 cidades em que mais se matava mulheres em todo o País. A cidade estava na 46º. No site vvale.com.br/marias podem ser assistidos depoimentos de vítimas de Maria da Penha.

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