Reciclagem transforma lixo em bom negócio

Coleta seletiva estreia no Distrito de São Cristóvão. Em um único dia, mais de sete toneladas de material reciclável saíram das ruas

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Atualizado há 13 anos

Por Mariana Honesko

Reciclagem - CAPAO ritmo de trabalho era acelerado. Afinal, esta é a primeira grande coleta gerenciada pelo Projeto EcoCidade e transformada em dinheiro pelos 26 colaboradores da Cooperativa de Trabalho dos Agentes Ecológicos de União da Vitória (Coopertrage). Na segunda-feira, os cooperados trabalhavam na separação das mais de sete toneladas recolhidas no Distrito de São Cristóvão. Este é o saldo da estreia da coleta na comunidade. Até sábado, todo o lixo produzido era destinado sem qualquer separação ao Aterro Sanitário de União da Vitória, o que endossa as cerca de 200 toneladas de lixo lançadas por lá todo mês.

Acompanhe o coordenador do sobre sobre a coleta do final de semana:

Na esteira de separação, cada pote, cada folha de papel, cada garrafa plástica, era sinônimo de recursos para a Entidade que luta para criar força e raízes. Para os agentes ecológicos, a formação da Cooperativa e a participação da comunidade traduzem-se em oportunidade. Salete Ribeiro é uma das cooperadas. Antes de participar do projeto, trabalha na rua. “Trabalhei cinco anos na rua, separando. Coletava e vendia de forma particular. Com a Associação mudou tudo, especialmente na renda”, sorri. Para ganhar pouco mais de R$ 50, precisava trabalhar 15 dias ou mais. “Agora dá bem mais. A gente ganha muito mais. Mudou e para muito melhor”, conta. A simpática, Ademia Hachnann, de forte sotaque alemão, também está na triagem do material. Ela trabalha há oito anos com a reciclagem e trouxe para a Cooperativa suas experiências. Ademia já morou em várias cidades de Santa Catarina e orgulha-se ao dizer que o “povo do Paraná”, aprendeu muito com ela. “Ensinei eles e vieram me buscar para ensinar e completar o ensino os cooperados”, sorri. Aos 58 anos, Alcides de Oliveira ficou na ponta da esteira. Dos sacos, retirava o que poderia ir para a esteira de seleção. Feliz diante do volume reunido, acredita que o salário do mês virá mais “gordo”. “Veio muita coisa. Vai dar bom”, disse com alegria o senhor que antes de ser cooperado, vivia de “bicos”.

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Material comprado é vendido prensado

Tal qual a produção e separação do lixo, o trabalho na Cooperativa depende da participação popular. É um clico e a comunidade representa o coração das atividades. “E o material é o sangue do nosso trabalho”, compara o presidente da Coopertrage, Jeferson da Silva. Entusiasmado com o efeito da coleta promovida no final de semana, elogia quem aderiu ao movimento. “Foi maravilhoso. Teve muita participação e fiscalização. A comunidade entendeu o trabalho”, sorri.

Para os cooperados, o efeito das ações do grupo serão agradavelmente sentidas no final do mês. A expectativa é bons salários. Conforme o presidente, como se trata de uma cooperativa, o valor é repartido entre todos. Mas, há variações. “Ninguém ganha menos de um salário. Essa é nossa regra. Mas quem trabalha mais, também recebe mais”, explica. As horas trabalhadas interferem diretamente no resultado financeiro. Assim, é provável que a partir de oito horas de trabalho, mais de R$ 1 mil podem ser pagos.

Reciclagem - bonequinho
Jeferson da Silva

O início da coleta seletiva no Distrito, bem como a criação da Cooperativa, é uma iniciativa do projeto EcoCidade. Vinculado à secretaria de Ação Social, ele tem a sustentabilidade do meio ambiente e dos cooperados, como foco. Sidnei Cieslak é presidente do Eco e militante da causa. “No sábado, você saia nas ruas e as pessoas acenavam, falavam do projeto. Foi algo emocionante”, lembra.

Acompanhe Salete Ribeiro sobre sua melhora na renda mensal:

O resultado do sábado é fruto de um trabalho de mais tempo. Além de estrutura da Cooperativa, o projeto promoveu reuniões em todos os bairros de São Cristóvão. Nos encontros, a coleta seletiva era o tema de pauta. Na tentativa de incentivar o processo, houve ainda distribuição de sacos cor laranja, oito para cada morador, como apoio à separação correta. No Distrito de São Cristóvão, a coleta seletiva ocorre aos sábados e também nas terças-feiras, durante todo o dia. Até maio, o projeto prevê a presença da coleta seletiva em todo o município. Hoje, ela é parcial.

Para onde vai o material

A Coopertrage funciona no antigo Terminal de Calcário, no bairro São Sebastião. A entidade ainda não tem caminhão próprio para a coleta seletiva, por isso, trabalha com locações. Os veículos são furgões e na Cooperativa são “vestidos” com as cores e bandeiras do projeto. Há identificação nas laterais, avisos sonoros dos roteiros e grades de proteção.

Depois da coleta, o material chega no barracão, uma grande construção em forma de pirâmide, ainda carente de um sistema mais eficiente de refrigeração. “O material é armazenado aqui, passa pela triagem e fica em baias, de acordo com sua classificação”, explica Silva. Com a ação, plástico fica com plástico, papel com papel, por exemplo. Boa parte do material fica em União da Vitória e Porto União. Na verdade, essa é uma das metas do grupo. “A ideia é oferecer matéria-prima para a cidade”, pontua. Mesmo assim, empresas de outras regiões também aderem ao que a Coopertrage oferece.

Ousando mais, o grupo estuda ainda a reciclagem do lodo, um resíduo comum nas indústrias, na construção civil. Além disso, espera ampliar a coleta a partir de um consórcio com Porto União.

A venda do material ocorre em processo de leilão: quem oferece o melhor lance, leva o material. A Cooperativa já tem máquinas de prensa e entrega o produto pronto.

Fôlego para o Aterro Sanitário

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Salete Ribeiro

Em parceria com os acadêmicos do curso de Engenharia Ambiental do Centro Universitário da Cidade de União da Vitória (Uniuv), o projeto pesquisou a quantidade de material e de lixo lançada no aterro. Por mês, cerca de 200 toneladas, que poderiam ser recicladas, vão parar no endereço sem qualquer separação. Mesmo tímida, quando começou em abril do ano passado, a Cooperativa já separava 16 toneladas. “Apenas no sábado, metade do que se coletava em toda a cidade já foi separada”, compara Cieslak. Na balança, os índices não são bons. “A coleta era praticamente zero na cidade. Apenas neste mês, já triamos 48 toneladas e acredito que no mês de fevereiro, vamos para 60”, calcula. No total, cerca de 820 toneladas mensais são enviadas ao aterro de União da Vitória.

Hora do almoço e do banho

Elogiada pelos cooperados, o espaço para o trabalho vai além do atendimento básico. O endereço, cedido à Cooperativa por meio de uma parceria entre o município e o governo de estado, passou por vários ajustes. Entre eles, está a construção de um amplo refeitório e banheiros com chuveiros. O local é bem arejado, claro e oferece refeições para os cooperados. Para os horários de descanso, há até sombras, embaixo de grandes árvores.

Lixo de jardim e da construção civil

Alguns moradores nas Cidades Irmãs ainda encontram dificuldades para entender como funciona a coleta destes resíduos. A Ecovale, empresa que explora o serviço nas Cidades Irmãs, informa que pode ceder contêineres. A cessão depende de um contato com a empresa. Mas, os pontos clandestinos, que crescem com facilidade em qualquer ponto, ainda são pivô do bom funcionamento da estrutura. Segundo a Ecovale, a responsabilidade é do gerador de resíduos. A ação é passível de fiscalização por parte da prefeitura e até de autuação. O modelo é semelhante ao que ocorre com os aterros sanitários. A falta de limpeza é cobrada dos donos do terreno. Ainda nesta semana, O Comércio aborda com mais detalhes o assunto.

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