Por Mariana Honesko

Os efeitos da estiagem que cobre a região há vários dias começam a aparecer com mais nitidez. O rio Iguaçu é um dos pontos mais visíveis de que algo não vai tão bem. A falta de chuva nas Cidades Irmãs reduziu o nível do rio que nesta quinta-feira, 26, pela manhã estava em 1,74 metros, conforme o site de monitoramento da Companhia de Energia Elétrica do Paraná (Copel). O índice não coloca União da Vitória e Porto União em estado de alerta mas, uma pequena redução no volume pode prejudicar o abastecimento nos bairros mais altos.
Hoje, de acordo com a Sanepar, nenhuma localidade fica totalmente desassistida. Parcialmente, porém, o abastecimento já fica comprometido. É o caso, por exemplo, dos pontos mais altos do bairro João Paulo II, em União da Vitória, e do Bela Vista, em Porto União. “A bomba perde a eficiência quando o nível do rio está muito baixo”, explica o gerente regional do escritório da Sanepar, Bolívar Luiz Menoncin Junior.
O esforço do equipamento tem nos números sua justificativa. Nesta época do ano, o consumo cresce consideravelmente e em média, tem pico de até 16 milhões de litros por dia. O recorde foi no dia 26 de dezembro do ano passado, quando 17.200 milhões de litros foram consumidos nas Cidades Irmãs. “No Inverno, este índice não cai tanto. Fica na casa dos 14 milhões de litros diários”, lembra o gerente.
Mesmo estando bem abaixo da média, o nível não preocupa tanto. No entanto, a partir de 1,30 metros, o cenário pode ser diferente. A vantagem, dizem os especialistas, é o tamanho do rio. Grande, o único manancial da região suporta grandes baixas. “O nível está abaixo da média mas não está no limite”, reforça o presidente da Sec Corpreri, Dago Wohel.

Não parece, mas é exatamente isso. Mesmo revelando o que as cheias ocultavam e sendo até lugar para brincadeiras, o rio alimenta com qualidade as duas cidades. Hoje, cerca de 178 metros cúbidos de água passam embaixo das pontes. A média, registrada desde 1930, era de 465 metros. Em 1983, quando a região viveu sua maior enchente, o volume chegou à impressionantes 5 mil metros cúbicos por segundo. “A vantagem é que mesmo neste período de seca o rio tem muita água”, lembra Bolívar. Para Wohel, a captação de água em outras fontes poderia colocar em risco o abastecimento muito antes dos períodos mais críticos de seca. “Muitos sugerem essa possibilidade mas não é o ideal. Com os níveis extremos em outros rios, seria um problema”, defende.
Consumo equilibrado
Mesmo tendo potência, o rio Iguaçu depende do consumo com discernimento para ter uma vida útil mais longa. A medida, lembrada com intensidade em épocas de pouca chuva, vale para outros períodos do ano também. “As pessoas podem consumir à vontade mas com discernimento”, enfatiza o gerente da Sanepar, reforçado o adjetivo. Vale, por exemplo, ser rápido no banho, usar baldes para lavar carros e reaproveitar a água das máquinas de lavar para o cuidado com as calçadas. “O importante é evitar o desperdício”, ressalta.