RIO IGUAÇU: Resultados da análise da qualidade da água não são bons

Equipe da Fundação SOS Mata Atlântica colhe amostras no Vale do Iguaçu. Resultados do estudo ainda não foram divulgados

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Atualizado há 8 anos

Durante dez dias, equipe da SOS Mata Atlântica percorreu 1.100 km do rio para analisar a qualidade da água: Vale do Iguaçu recebeu a visita também
Durante dez dias, equipe da SOS Mata Atlântica percorreu 1.100 km do rio para analisar a qualidade da água: Vale do Iguaçu recebeu a visita também

A Fundação SOS Mata Atlântica realizou recentemente, uma expedição técnica que percorreu o rio Iguaçu – desde sua formação, no encontro dos rios Iraí e Atuba, em Curitiba, até Foz no rio Paraná, na tríplice fronteira em Foz do Iguaçu. Neste período, até finalizou no dia 19 com um evento no Parque Nacional do Iguaçu, a ONG analisou a qualidade da água de um dos corpos hídricos mais importantes do Brasil, especialmente porque o rio Iguaçu possui trecho protegido pelo Parque Nacional do Iguaçu – Patrimônio Natural Mundial. Somado à coleta e análise da água nos 19 pontos, a equipe da expedição conversou com moradores, especialistas e lideranças que convivem com o rio e seus afluentes e que promoveram, em anos anteriores, expedições ao longo da bacia hidrográfica.

A equipe esteve também no Vale do Iguaçu. A coleta de material aconteceu no dia 13, próximo da ponte Domício Scaramella. Além dos profissionais da Fundação, profissionais e voluntários da região, também acompanharam o processo. Essa participação já havia sido “combinada” há algum tempo, dentro da discussão sobre a realização da coleta em União da Vitória e Porto União.

A expedição é realizada pela equipe do projeto Observando os Rios, patrocinado pela Ypê, que conta com mais de 3.500 voluntários que analisam, mensalmente, a qualidade da água de rios nas bacias do bioma Mata Atlântica, que abrange 17 estados do País. “O Iguaçu é um emblemático rio brasileiro que, a exemplo de tantos outros, sofre com seus usos por vezes conflitantes. Falta de saneamento, diluição de esgoto, desmatamento que leva ao assoreamento, recepção de agrotóxico, barramentos para geração de energia e exploração de minérios contrastam com as necessidades cada vez maiores de acesso à água de boa qualidade, para abastecimento humano, produção de alimentos, esporte, lazer, turismo e contato seguro. Identificar estes cenários, a condição atual do rio, seus atores e histórias e que rio as comunidades e a sociedade querem para o futuro é a intenção desta expedição“, disse Malu Ribeiro, especialista em Água da Fundação SOS Mata Atlântica, em uma entrevista publicada na página da entidade.

Durante o evento de encerramento dos trabalhos, em Foz do Iguaçu, a SOS Mata Atlântica reuniu parceiros locais, especialistas e gestores de Áreas Naturais Protegidas da bacia do Iguaçu. A ideia era – e é, agora com os resultados – mobilizar a sociedade e autoridades para a necessidade de o Brasil assumir compromisso e metas efetivas para melhorar a qualidade da água de rios, córregos e mananciais das bacias brasileiras e transfronteiriças, como o rio Iguaçu. Além disso, a entidade quer chamar a atenção para as enormes ameaças e agressões que o rio tem sofrido no trecho brasileiro, desde sua formação na região metropolitana de Curitiba, até a foz.

Resultados servem como alerta

qualidadeagua-rioiguacu-saude (2)Conforme Malu Ribeiro, 78% dos pontos analisadas estão com a qualidade da água ruim ou regular. “Contaminadas por remanescente de esgoto, resíduos físicos e químicos da agricultura. Essa soma de contaminantes associados à trechos que não tem mata ciliar, comprometem muito a qualidade de água do rio Iguaçu. Só encontramos qualidade ótima em um afluente que fica dentro de uma área protegida, no Parque Iguaçu, antes das cataratas. Fora isso, a água está contaminada”, aponta. Para a coordenadora, o momento é de alerta, tanto para que as pessoas que descartam o lixo – e químicos – de maneira errada quanto para as autoridades políticas. Na verdade, a coleta neste momento, é justamente para “casar” com as eleições – e as novas propostas. “A gente espera que o próximo presidente da República e agora os novos governadores de Santa Catarina e do Paraná, somem esforços, para que a gente consiga fazer deste patrimônio fantástico, um recurso sustentável para todas as atividades da região”, defende.

Para o Vale do Iguaçu, a intenção é de voltar a coletar amostras em breve, mas também, instrumentar os voluntários locais, para que sozinhos, consigam monitorar os índices de poluição. A ideia é de que sociedade faça o trabalho, mensalmente.

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