
Começou pontualmente às 10h08 da manhã desta quinta-feira, 11, o Júri Popular do acusado da morte do segurança João Moacir Gonçalves Martins, o “Siso” como era conhecido.
Robson Nelson Miotto, de 25 anos, é natural de Videira (SC) e é acusado de atirar contra o segurança no dia 12 de novembro de 2011, durante a 4ª Edição do Moto Gêmeas, evento realizado na Praça Coronel Amazonas, área central de União da Vitória.
Depois de disparar contra a vítima Robson fugiu em um veículo GM Celta. Depois de investigações e diligências, o acusado foi encontrado e preso na cidade de Foz do Iguaçu. Desde então aguarda julgamento.
Segundo a mãe do acusado, Marisa de Fátima Miotto, o filho está preso na Penitenciária de Piraquara. É visível a diferença física do Réu. Quando foi preso, ainda no final de 2011, Robson era um homem robusto. Agora, depois de um ano e sete meses de reclusão, sua estrutura é totalmente diferente. Está magro e com um semblante cansado. “Eu sinto a dor do meu filho preso e não queria que isso tivesse acontecido. Eu sinto como se meu filho tivesse morto também”, comentou a mãe.
Segundo Marisa, seu filho agiu em legítima defesa. Para ela uma desavença entre o Réu e a vítima tinha acontecido anteriormente.

Robson na época estava desempregado e morava em Videira com os pais. Veio para União da Vitória trazer a então namorada para que a mesma visitasse a mãe. Segundo conta a Marisa, era para ele ter voltado logo, mas como tinha o evento de motos na cidade decidiu ficar. “Ele me ligou e disse que ia ficar no final de semana porque tinha o encontro de motos”, recorda.
No sábado, 12, dia do crime, Marisa recebeu uma ligação contando o que tinha acontecido. Logo após o próprio Robson ligou e contou que havia atirado na perna do segurança. Marisa disse que já sabia do que realmente havia ocorrido, falou ao filho que o homem baleado por ele estava morto.
Para a reportagem de O Comércio ela contou que espera que o filho seja absolvido. “Eu tenho fé em Deus que ele vai provar que agiu em legítima defesa e vai ser inocentado”, desabafa a mãe que acredita na versão dada pelo filho sobre o assassinato. “Legítima defesa foi à versão que ele me deu e eu acredito nisso”, finaliza. A cada mês ou em um período de duas semanas Marisa visita o filho na Penitenciária.
Acompanhando o julgamento também estava Ivete Gonçalves da Maia Martins, esposa de Siso. Os dois trabalhavam juntos como segurança em vários eventos na região. Ivete deu continuidade aos trabalhos e batalha para criar os dois filhos que teve com o marido. Ela e os filhos moram no Bairro Ponte Nova, em União da Vitória.
Visivelmente abalada com o Júri, Ivete contou que toda a família espera e quer justiça. Sobre o Réu se limitou em dizer: “Eu espero que ele seja trancando em uma cadeia e não saia nunca mais, lá é o lugar que ele tem de ficar”, contou Ivete com lágrimas nos olhos.
Júri Popular

O Júri Popular é aplicado em crimes que causam grande comoção popular, como alguns assassinatos. Os jurados, escolhidos em meio a sociedade, decidem pelo desfecho do caso. Os membros da sociedade podem julgar casos de assassinato, tentativa de assassinato, aborto e incentivo ao suicídio.
A escolha dos jurados no Brasil, é feita pelo juiz, que requisitará às autoridades locais, associações de classe, sindicatos profissionais e repartições públicas a indicação de pessoas que reúnam as condições legais.
Quando é marcado o Júri, os jurados são convocados, depois é realizado um sorteio com os presentes, desde que no mínimo 15 compareçam. Destes, sete são escolhidos como jurados do caso, ou seja, os responsáveis por absolver ou condenar o acusado.

No caso de Robson, ele está sendo julgado por homicídio duplamente qualificado.
Participam desse Júri Popular o Juiz de Direito, Mario Dittich Bilieri, Promotor de Acusação, André Bortolini, com Ernani Bortolini e Ana Claudia Flenik como assistentes de acusação. Já os advogados Luiz Vicente de Medeiros e Edson Aparecido Stadler exercem o poder da defesa.
Até o momento o Júri não foi finalizado, mas a qualquer instante publicaremos informações sobre o resultado do julgamento.
Fotos: Jaqueline Castaldon/Jornal O Comércio




